a sebenta
Estavam quase sempre em sentido perante o rosto daquela ainda jovem professora. O ano era o de 1977. Ele, com oito anos, tinha admiração por aquele rosto, quase tão brando quanto o da mãe, e sentia-se confortável por estar obediente a alguém que lhe fazia lembrar a figura materna. Estavam quase sempre em sentido aqueles miúdos, não muito raro para a época em questão, mas nem sempre obedeciam a essa postura. Quando se abria algo na rotina, ou a professora deixava de falar para todos para se interessar por alguém em particular, o borburinho instalava-se, esse ruído mais audível que fazem garotos e garotas, quando juntos. Naquele dia, entre semelhante burburinho, a professora tinha ordenado aos alunos que aprontassem a sebenta na primeira página em branco, e fosse, cada um, à sua secretária para receber o carimbo azulado de uma figura para colorir. A ordem era desde o primeiro à direita da fila do fundo até ao último à esquerda da fila à sua frente. Ele estava na penúltima fila, mais ao m...