o suicídio da rata


Cuidai, Senhora, de entregar vossos eflúvios aos infernos. Pelos afagos que vos infligi. Das vis delícias que vos dei a provar, dos amassos da carne com que vos fiz gemer. Da língua imatura com que vos tomei, dos orgasmos não premeditados a que fostes por mim obrigada. Cuidai, Senhora, de não me iludir com o merecimento da vossa predilecção. Se urinei em vossa cama sob a calamidade soturna da minha embriaguez, foi por sugestão dos invejosos demónios que vos cercam, Senhora, sempre reclamando para eles o que não pudestes comigo. Cuidai, agora que vos quedais na forca por tudo perdido, desesperada de felicidade, e com antecipada urna para vos entregardes à terra, do perdão sobre todos os meus esforços por vos fazer infeliz e que foram em vão. Escarnecei do Santo Credo e do Padre Nosso para que também Nosso Senhor não se aflija por vós! Senhora minha, asseguro-vos que farei da vossa ruína um altar, para que os demónios continuem venerando-vos. E, livre da escravidão com que me prendestes, concedo a próxima noite para a última e empestada ceia que vos saciará, estrebuchando inchada por essa morte que tanto desejais.


_
foto de Alexandr Sergeev

Comentários