sonho em soneto


Ó minha secreta paixão tão distante!
Que verve tua te fez mais desejada?
Serás única, um amor flamejante
inflamando quem sou? Tão inesperada

chegaste, consumindo-me cada instante.
Madrugaste, manhã, tarde, noite dada.
Vens em sonho constante,
chamando minha carne por tão delicada

ilha a mim prometida. Ilha que distante
se aparta, consumida d’ ilação ditada
à ausência que sinto de ti. E eu, ignorante

dessa razão por ti sustentada.
Razões não sei. Podia bem ser o teu amante,
quisesses tu, fosses mais determinada.


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foto de Vladimir Vasilev

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