vapor de lume
Após o almoço de domingo, quiseram a modorra como se nada houvesse para ser, pior seria se tudo tivessem perdido. Passearam ao longo da berma deserta do rio junto à foz, com o fulgor cego do sol, sorrindo e dizendo patetices de amor um ao outro. Metros adiante, cancela aberta de uma moradia em construção. Olharam-se e decidiram tacitamente. Tijolo nu, betão no chão, era um lugar de virgens paredes pouco comum, janelas ainda só pensadas, aberturas por onde entrava a maresia. Tudo invulgar como se fosse muito cedo, e por isso ainda hesitaram: queres, perguntavam-se, queres mesmo, insistiam; e queriam, ambos queriam aquela primeira vez, entre sombras e intermitências de luz, o pó dilatado no chão como cama fértil. Mãos, braços, bocas, lábios. Línguas. Peito contra peito, ventre contra ventre. Logo cresceu. O delicado músculo e a esponja cavernosa inflada de sangue. Sem frio algum, nem gota. Cresceu tanto que se fez maior do que o prometido, de tão rígido no limiar de uma dor. Parar a tard...