baço
Então é o mundo que desaba, acabando. O telefone interrompe o silêncio súpeto da tarde. Más notícias, disseram, e outros ruídos vão inundando a tarde pendente, muito aflita. Lá fora, as cordas do estendal vibram um acorde baixo, tensas que estão pelo vento. Não saio daqui, vou a lado nenhum. O piano chora, comprometido pela exaustão das cordas sob os seus martelos. Tu estás muito longe, nesta ameaça. Não vieste para socorrer-me das lágrimas com o teu ombro posto. Declaraste-te independente de mim, e agora vais viver por ti mesma, mesmo que sofrendo sob a outrora atitude de outros. Imensa de raiva no teu baço olhar, procuras apenas prazer, nenhum equívoco de amores. Serão apenas outros homens, que te satisfazem do que eu não soube ou não pude – outras vezes, não quis, sequer. Razão por que choro de mansinho, se é que realmente choro. Pode ser o piano, pode ser o vento vociferado, podem ser as cordas que me estrangulam a garganta, com tanto isto de ti que aconteceu, de que só vejo penumb...