Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

latitude

os domingos sem voz

A vizinha esteve à janela, demorando o domingo na tarde que vem caindo num tom languido. A molícia pelo chão, charco daquela cor do sol. Cortinas sem buliço. Ao longe os pardais, reclamando o poiso de mais uma jorna. Passos na calçada, apressados. Xailes. Duas mulheres caminhando em silêncio, isto é: bocas mordidas, os olhos prontos em cada desengonçado poliedro da rua e o pensamento virado para dentro. A curva. Um automóvel, monstro mecânico de ronco pianinho, como se movendo em modorra, acautelado pelas mulheres que se chegam à berma, em fila uma da outra. Os xailes aliviados. Afinal, murmúrios até sumirem com a curva. Ainda na janela, a vizinha dimensiona a dioptria, indagando o automóvel que vem devagarinho e pára. Do banco traseiro, ligeiro, sai um homem de estatura baixa, barba encarquilhada. O automóvel segue depois, rua abaixo, só o som dos pneus arrastando areias. O homem acende um cigarro, o corpo bamboleando. Cigarro aceso, cuspe um impropério como se murmurasse com os seus ...

Mensagens mais recentes

e agora, António?

para Ofélia, glosando António Lobo Antunes

ansiedade sobre os dias que são

aquela força

cães

Juarez (poema bilingue)

hoje não

transtorno

para sempre

quaresma

medronho

corso

sonho em soneto

sol posto

demasiado belo

diálogo à cabeceira do sonho

o suicídio da rata

alfabeto e bonança

fantasia