nenhuma geografia
Infelizmente, e apesar de tudo, tenho de despedir-me de ti. Reparei que, afinal, o horizonte teve sempre aquela cor gris. Não a cor que vi em ti, a que insisti ver tanto, até que os meus olhos pudessem inventar, iludidos, todo um novo espectro, entusiasmados para nos mostrar (só a ti e a mim) uma outra cor nunca vista. Lamento a ilusão, como lamento que o espectro não possa ter cores novas. Pelo menos uma cor parecida com a qual eu via um futuro contigo. Volto costas, desiludido e desarmado. Vou pelo caminho de sempre, antes de ti. Dirão que opto pelo mais fácil, o caminho já traçado de sempre, desistido a uma maldição, mas eu não acredito em traços (apesar de ter acreditado nos traços do teu rosto, nas tão femininas curvas do teu corpo) nem em maldições. Eu só acredito nas escolhas que se fazem, as possíveis. Esta é a que tenho. Não por ser fácil nem cedendo a má fortuna. Apenas retomar o cruzamento por onde tomei o caminho que, agora sei, foi errado. Também acredito que nunca é tarde...