epístola
Então, cansada? É normal. Vivem-se os problemas, o trabalho, os outros, os outros dos outros. Aqueles que não queríamos que fossem como os demais e, no entanto, se revelam mais distantes que os estranhos. E não há tempo. Para mirar bem o reflexo no espelho quando nos erguemos da cama, lavamos a cara num compasso ternário enquanto não salta a torrada para duas trincas, e o café engolido a um tempo, com pigarreia. Ainda que tentes dormir mais, não será como o sono da madrugada; por cada ruído, despertas de uma vigília que apenas mistura o que os sentidos apreendem e os resquícios esconsos do subconsciente, à espreita. Aqui me afogo, obrigado por perguntares: E tu, como estás? Tenho a mesma tosse húmida de sempre. Os lenços tingidos como se neles fossem esmagadas pétalas vivas de papoila. Como as rosas vermelhas de que tanto gostas. E, por falar nisso, como vai o teu jardim? Espero que tenhas o cuidado de que me desleixei, que as ervas bravas não te confundam; também elas florescem, mas a...