ir por aí
Ir por aí. Com a sensação de que o chão pode ser charco para receber a urina que me lateja o baixo-ventre em jeito de retorno de um orgasmo não premeditado. Voltou o frio, provocando uma tensão nos músculos, o queixo já inválido para resistir. Querer curvar o corpo na posição fetal, aterrado de solidão, encharcado de chuva miudinha, contando o descer da temperatura até que o sangue se deixe vencer e nuble a paciência, o discernimento, o bulir para permanecer desperto. Os olhos já há muito tempo que se fecharam, pérolas em crisálida ao ponto da cegueira, sob as pálpebras como conchas. Os dedos dos pés correspondem, ainda que argumentem movimentos de contracção, a contradizer a fria humidade. E as costas, amparo de espasmos em tremuras como armaduras que não aguentarão por muito mais tempo, cindidas num corso de escoliose, dolorosamente dando embalo ao sono. E deixar arder os lábios como se ali outro corpo presente. Pode ser que, afinal, o pénis não apenas uma vírgula, mas outrossim corp...