para sempre
Cerraram as tuas pálpebras, após o fogo dos nossos corpos, para um sono profundo e sereno. Os teus membros em posição díspar, a tua respiração regular. Eu fiquei a fumar longamente uma cigarrilha, sentado à janela e entendendo os sons que vêm dela, cortinas insufladas pela brisa desta tarde de fevereiro inusitada de sol, com o burburinho da cidade que aqueceu. Penso que foi um acaso o nosso encontro, ou talvez me tenhas procurado, na demanda do desejo que nos fez arder há um par de horas. Estávamos de costas voltadas há meses, que cada um faria a caminhada sem que nenhum voltasse a ver o outro. Porém, na esplanada, ao dares de cara comigo, sozinho numa das entre outras mesas também ocupadas, os pombos muito cansados da sua ligeireza no apanhar das migalhas - Olá, por aqui!? Posso sentar-me? pedido ao qual concordei por delicadeza, após mostrar grande surpresa com os meus olhos bem abertos, sobrancelhas erguidas. Mas acreditei que fosse só a circunstância de uma coincidência, e que tu a...