primeira vez?
– Diz-me em que estás a pensar ouvi de ti, enquanto me remexia na cadeira, ridiculamente imperfeita para qualquer conforto de quem nela se sentasse. Perguntei-te, entre o estrebucho das nádegas e do lombo mal acomodados: – Aguentas o medo? Ou já te resignaste a viver os dias como eles chegam, repetidos uns nos outros? Os dias gostam de acreditar que são seguros quando seguem os mesmos carris. Repetem-se. Acumulam-se. Fazem sombra até nas manhãs em que o sol parece demasiado grande para consentir escuridão. E, contudo, vencem quase sempre. olhei-te melhor e quis saber – E tu? Em que pensas para lá do que mostras? Há em ti esse desapontamento de quem percebe que a vida nem sempre se alimenta de maravilhas, a estrugir desinteressadamente o jantar das jornadas para que valha o alimento a sustentar forças do dia seguinte, antes dos roncos e admoestações da madrugada. Rotinas que nos inclinam para baixo. Rotinas que talvez já não queres. sorriste, mas não para mim – Dizes clichés. – Talvez. ...