irrepreensível
Não esqueci. Os teus olhos, vívidos como o sol daquela tarde. E tão deslumbrado eu estava perante um azul tão irrepreensível. Uma tarde amena e tão esplendida quanto esta. Assim notei o teu sorriso (tu, que sabias sorrir com os olhos) convidativo, a apelar-me com a força dos rios sulcando e saudando as suas margens. Soube então que todo o teu rosto me transbordava. E era a tua liberdade contra a minha, tinha consciência do pesar em mim que podia desunir-nos quando só tão breves laços estávamos ainda criando. Apesar disso (apesar de tudo) a minha atitude foi de corresponder-te, sem me afligir pelas negras nuvens que sempre carreguei, apesar da tarde luminosa. A tentar perceber, por isso mesmo, como seriam os meus olhos escuros adentrando esse céu radiante que trazias no rosto. Foste tu, porém, quem teve a iniciativa. Pequenos passos, cuidadosos, que deste para que um olhar mais profundo pudéssemos trocar, e os teus lábios, quase murmurando, me saudassem com o teu tímido - Olá. E falaste...