semente
O orvalho caiu exacto na orla dos teus beijos. Despertou-me a madrugada do corpo. Abri os olhos vagarosamente: limpa, serena, acompanhando o bocejar das flores na raiz da alvorada. Disseste-me coisas com o toque delicado da tua pele. Inventaste o verão ardendo no interior das minhas coxas. E, na manhã nascida colorida, mergulhaste - mergulhámos. Bocas esfomeadas à procura do ventre, para que o frémito fosse um melhor e redentor bom dia, muito terno, adocicado como a flor dos morangos adormecida a meus pés. Respiras-me e toco-te. Faço-te prisioneiro do meu sangue, neste fundo de terra com gemidos, onde, para prova futura do que somos, te plantarás como semente de trigo em seara jovem. _ foto 05Right