as tuas lágrimas
Some-te o bom humor, de dia para dia. É certo que nunca foi o teu forte. Mas, nestes dias… Esse ar plúmbeo sobre a tua cabeça como se negras nuvens e, afinal, este calor de setembro. Tu diluída em bátegas sucessivas e, afinal, até as ervas daninhas murcham. A bacia das albufeiras, os rios e riachos, as lagoas, as represas e as barragens, vendo baixar o seu nível da água, a terra em aflições - Tenho sede as boas ervas e plantas desesperadas - Vou morrer sem que o céu misericordioso envie chuva, e tu assim, afogada numa inundação de dar dó. Repara: essas lágrimas não são outra coisa que palavras, outras palavras, difíceis palavras. É um discurso muito indirecto, na voz aflita - Tenho sede significando apenas - Não sei dizer estas palavras. Então, a secura não é só das nuvens que não há. É também desse pranto, cujas lágrimas (- Não sei que te diga) são as palavras que não sabes dizer. Portanto, quando choras, estás a escrever, com graves rasuras, um longo rascunho sofrido. Dói-te escrever...