vinho e brasa
tenho as pálpebras incomodadas pela preguiça um arder de sono sem fogo borralho com o propósito de desmanchar a carne que se livra devagar dos seus óleos o braço exposto ao sol do meio-dia remexendo o borralho e a mão uma barbatana que se resigna ao pretérito à desistência como o peixe que se deixou morrer por asfixia e agora vai ardendo num sacrifício para intento do deus da fome que ruge em nós subitamente vaidoso com anéis e coroa de gula enquanto o peixe vai inchando de calor dando ar dessa peculiar angústia dos cadáveres insurrectos por último capricho depois da magia que os fez viver – sentes-lhe o cheiro? é a saliva como sede secando sob o sol de dentes dilatados atrás dos lábios que entumecem pela raiz a deglutição e os pomposos e morosos dedos num trilho de roer e sobreviver (pudesse o urso branco salivar assim na sua absurda solidão branca por contraste com a fome que entristece aqueles fiordes) este meu corpo de besta de fome e vinho entediado pela moleza de quem se sente bu...