delírio em ré maior
Se aquela noite não tivesse acabado como acabou e houvesse nenhuma distância entre nós, teria enchido o peito de coragem, ainda que ligeiramente atormentado pela hesitação, e saltaria pela tua janela adentro. E só por ver-te então percorreria em todo o meu corpo um sangue tão fervido que a nenhum juízo estaria sujeito. Em delírio onírico me deixo levar e começo por ver um pequeno ribeiro… A fresca água é apenas uma alegoria da minha sede. Que corra essa água, sôbolas pedras, enquanto o teu corpo me apela como fruto, tanta é a polpa, tanto é o suco. O meu amor sobre o teu peito garantindo toda a geografia da terra, e o violino de Tchaikovsky na ponta dos meus dedos em ré maior sobre a tua pele matizada… em qual andamento nos amamos, se cada um é furor, e desejo, e lágrimas? E a alma, duas numa só, gritando, gritando. Dó e dor, as horas que avançam, eu península do teu mar como jovem marinheiro incauto à procura de porto seguro entre o nevoeiro. Permite que a minha língua desbrave o cami...