desengraçada
Tanto homem corri por ti, ó ingrato meu desejo! Nesta tarde que se finda lembro como te vejo, o quanto te quero ainda. Releio o mesmo livro e deixo-o sempre a meio. Insatisfeita, suspiro: Será que te levo, e ainda te inspiro? Senão, corrói-me o ciúme e a cisma que não nego por ficar neste queixume lamento de nó cego. Dessas com quem te diluis esqueces de quem eu fui. Pensas que me substituis? Pudesse eu, também ingrata dizer os versos que em nós atravessa a história que nos retrata ou outra que nos reversa. Percorri os momentos, a nossa tão adversa vontade e disposição. Certa de que só quis nossos corpos, e que houvesse comungada compreensão. Mas tu, ingrato desejo meu, deixaste-me assim da mão como se fora eu lixo que te desse nojo para o varreres do chão. O mesmo chão onde te dei o corpo que não merecias. E se pecado foi, fui tudo quanto querias. Agora, já não quero assim ser, palpando onde me dói. Nunca meu corpo quis ser a ferida de que padecias. Acudi-te só por prazer não a dor de...