legado
Ter voz como a tua murmurando o quase impossível e saber dos teus dedos sobre as cordas tangíveis do meu corpo. As cortinas infladas pela corrente de ar por haver janelas e portas que abrimos para que o mundo nos visite e perceba que há mais para além dele. E o mundo, seja de que forma for, está a ouvir-nos, continua soprando. Eu ouço: são ladainhas. Tu dizes: é o vento. Eu respondo: não é o vento, amor, apenas o ar do mundo e o seu cochicho entre ele e nós. Na nossa cama, e sem esquecimento, ficaram os sulcos desse pólen que ardeu, traços de um carvão doce desenhado no mapa do ar as horas que incineramos com o corpo uno que somos e sem rotina. Desejando que as noites se confundam com as madrugadas e que outros dias sejam para além do de hoje, e ainda mais prolongados dos que a terra e o sol prometem com o solstício dos santos. Há-de sempre existir dias grandes para nós, onde luz e penumbra se alteram e perpetuam, desiguais, em comunhão. Os copos do vinho que bebemos alteraram as cláss...