diálogo à cabeceira do sonho
Quando as emoções se transformam em palavras, milhões de palavras preenchem o coração como milhões de estrelas preenchem o céu. Sílvia Costa – Contigo, o amor é simples. Nenhuma flecha que faça sangrar alma e corpo. Comungamos, tácitos, a nunca-cristalização daqueles que, à distância e em sonhos, se amam. Quando troveja, sinto que são as tuas mãos sobre o meu corpo, apelando. E, depois desse troar, as águas que caem são os meus dedos afagando o teu segredo, precipitado como a precipitação das nuvens sobre a terra. Também quero os teus outros segredos, confissão que só a tua boca pode revelar, enquanto a imagino tão cheia de mim, em êxtase. E quando sobre ti ocorre o meu humor de terra, é a minha saliva que inventa o rio que te sacia. Meu amor, que distância há? – Nenhuma, meu querido. A minha dedicação não concede distância, nenhuma latitude ou longitude. Quero-te leve na pena, exorcizando livre essas polutas sombras, enquanto te imagino pesado no corpo como amante atento às delicodoce...