candeia
Regressaste. Os nossos reencontros são quão cíclicos como o clima de cada estação. Surge a languidez do outono e afastamo-nos, sem que cada um perceba bem, enquanto os primeiros ventos mais fortes despem as árvores, e no chão vai crescendo o musgo que se insinua sobre a humidade das pedras. No inverno, desentendemo-nos, só queria hibernar, contrariar o frio, as chuvas, as poucas horas de luz, neves, granizos e geadas, tempestades terríveis, mas contrariando também a tua vontade de que o mundo continuava para ser vivido. Desatinado com essa insistência, questionava - Qual mundo, Malee? e tu deslocando o olhar, procurando por uma resposta, sabendo que para mim não há respostas simples, ou porque eu não sou simples de entender. Acabavas zangada comigo, sabendo que estava descreditado do mundo. Se nesses dias me escusava de procurar-te, tu quedavas-te quieta e calada, talvez pensando que qualquer palavra ou acto teu me acrescentaria mais raiva contra o mundo – mas é só o meu mundo, Malee, ...