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latitude

arbusto

A voz pigarreia-me, arranhada, seca. Os gestos imitam essa rouquidão – gagos, disléxicos, tropeçando em si mesmos. Sinto o sangue subir às faces num rubor violento, carmesim escaldante que incendeia o pudor e nada, aflito, desde a orla até à linha dos olhos. Pronunciar o teu nome ou esboçar um tímido olá tornou-se uma heresia física. A vontade move montanhas, sim, mas eu sou o próprio desastre: o ventre pesado da cerveja da véspera, a barba crescida por preguiça dos dias, a roupa amarrotada no corpo desleixado. Vale-me não exalar o odor azedo da labuta. Senão, seria a penúria completa. Cento e um cigarros queimam à porta da comoção. A saliva atropela-se na garganta, o peito dispara sem meta, e os meus dedos tremem como folhas mortas, húmidas com o orvalho da exaltação. Estendo os dedos para ti, se te entendo como uma manhã nova, espelhada no fresco azul dos teus olhos, na seara perfumada a frutos dos teus cabelos – a manhã mais límpida que alguma vez desejei habitar. Mas a minha língua...

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