caligrafia
Preso, livre. Livre, penso. No vento. Dele, a colina ouvindo o quanto assobia. Há quanto tempo não ouvia o som da minha caligrafia sobre o papel? Deixou de ser o que era, como eu me esqueci de quem fui. Caligrafia e eu estamos disléxicos, deixamos de ser quem éramos. Disléxicos na forma de dizer e de sentir. Nenhuma discussão, apenas os ruídos da tarde que sugerem tudo menos presença humana. Habita a cidade nenhuma voz, apenas os sons das máquinas e aqueles cães aquém e além, medindo a distância entre mim e o mundo e dele o quanto não ouço. Quero aprimorar a caligrafia. Temo que, doravante, nem eu mesmo decifrarei tanto gatafunho. Se não treinar, o meu papel nada dirá. Mas eu quero dizer. Quero dizer das almas gémeas afastadas pela sorte e pela sorte só podem reencontrar-se – um discurso tão batido. Porém, que mentira há nisso? Se, quando eu digo – não sei há alguém que diz – também não sei e se eu divago – talvez essoutro alguém pergunta, na vez de mim – talvez o quê? como soletrando ...