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latitude

o teu banho

Enquanto te banhas, quedo-me a mirar-te. Eu do lado de cá, observando o teu lado de lá, não sei se distante ou perto, mas distância suficiente para quem efabula histórias como eu. E não vá mais longe do que observar-te. Deslocado, vou outras vezes procurando-te, e a hora imprópria do sono. Do teu lado, vendo quem sou do lado de cá, podias compreender sem julgar: sou um homem cansado, sem banho igual, imaginando o teu, água e espuma sobre o teu corpo como canção, que desfaz os meus enfados… E por ver-te assim começo a sorrir. Porém, logo faço um esgar: é fantasia minha. Então, digo à tua imagem - Até amanhã cheio de um desejo frustrado. E logo um - Adeus se adianta, que quer ser breve, mas com o peso – e a consciência – de que será para sempre. São palavras de quem em nada crê: simula entusiasmo, quer-se folgado, e tontarias escreve. Escreve só para quem lê. Mas à noite, na cama de solitário, há exagero na forma como os lençóis se agitam. _ foto de Luis Gastón

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