agosto
com o ciciar das sias poisando e largando as árvores o calor sobe dos caminhos lânguidos de pó e o sol rompe a janela com a brisa vestindo-se das minhas cortinas feitas velas insufladas de uma qualquer navegação pessoa alguma na rua agosto é um mês deserto por companhia só os melros assobiando o entardecer como requiem meu descanso delicado entre mato denso eu bucólico entre urbana paisagem quando a noite desce não há só o silêncio dos cães que falam na lonjura há também o rugido dos autocarros velhos levando duas ou três pessoas para o seu destino ou para parte incerta e tudo me parece que é para sempre um adeus que acontece como acontece aos amantes que se despedem por impossíveis serem amando-se deixando um rasto de saudade a baba dos caracóis desistidos perante tanto calor e pouca verdura rasteira incendeiam-se prados e florestas agosto sempre foi um mês de lamento de abandono os gatos farejando no lixo os cães desacorrentados comendo o que outros defecaram na estiva o ferro não de...