este poema que invento
Hás tu diluído no calor desta madrugada, em plena praia sem ninguém. Percebo que a suave penugem da minha nuca seduz o teu olhar, sugerindo palavras em lentos mergulhos de ternura para este poema que invento. Derramo-me sobre ti, aceitando o teu contorno, vestindo a tua pele com o meu abraço de vento e maresia, enquanto o gin tónico nos refresca em pequenos goles. Sinto o gelo do copo e o calor dos teus olhos; o travo ácido que te desperta e a doçura que se demora na tua boca. Há estrelas na abóboda limpa, o marulho na escuridão, temperando a tua sede com o orvalho dos beijos com que te molho a pele, alvorada antecipada na ponta da língua. Tomba o copo sobre a areia e levas aos lábios a noite transpirada no meu pescoço. Os teus dedos curiosos insinuam-se pelo segredo do meu corpo, provocando-me um arrepio ardente, onde cada toque teu redefine as minhas linhas e incendeia todo o meu corpo, como o som de um piano líquido refrescando a madrugada, pianíssimo de sal e mar nocturno, onde os ...