quando tudo de novo cresce
Torna a cair de amores e o acto de apaixonar-se é tão volátil em si. Observa atentamente cada mulher que cruza consigo, uma, duas vezes. À terceira, desfaz-se em ternuras desmesuradas, observando-lhes o cruzar das pernas naquela voluptuosidade que o absorve em ansiosas tremuras. E depois o ritual cumpre-se entre as chuvas e o sol, como se perdesse a noção de todos os clichés das estações. Pois nada disso lhe interessa, se elas são o céu e o ano, e os relógios parados numa madrugada qualquer. Imagina sempre o feno crescido de maio em seus ventres, castanhas de outubro em seus olhos. Todo aquele mundo só dele entre elas se completa na exultação dos meses mais quentes, mas sabe que, mesmo nos outros mais plúmbeos e frios, a sua ternura pelas mulheres não se esvai, antes o alimenta de um desejo diferente, uma sensualidade de espera. Imagina a beijá-las de leve, naquele breve roçar dos lábios sem pudor, e sente sempre como se houvesse um esplendor de novos mundos fecundos entre ele e elas. ...