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aliteração do medo

Está o homem de pé contra a luz sob o umbral da porta que lhe deu entrada. Aponta a claridade com mãozinha minúscula e dedo imberbe, com a boca aberta em gargalhadas. Apreende o espaço que o envolve pelo canto do olho e vira-se ao contrário, a enfrentar a sua sombra, na parede oposta, gasta e granular. A sombra parece-lhe de areia, sedimento de escombro. 
Virá a noite naquela hora imprevista. O homem deixará de soltar estas sonoras gargalhadas, perdidas por aleatórias, sem qualquer sentido. Mesmo assim, e consciente dessa incongruência, é a melhor forma que encontra para sinalizar o que pensa ser a sua coragem. Virá a noite e, fitando a sua sombra, perceberá que é constantemente engolido por si próprio. 
O medo tem raízes que se afundam com o negrume, vão além do subsolo da carne. Na superfície, desfaz cascas, carapaças, levanta escamas. Tem membros, como se fossem braços a especular no ar, ou pernas tontas no oco de tanto ar. O medo é medo porque também é feito de neurónios e sinapses.…

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