os domingos sem voz II
Necessito alguém, de uma palavra sua. Isto é: algo mais que isso, pois um simples aceno pode valer mais do que uma única palavra. Como, por exemplo: quem que me acena do outro lado da rua com a mão e continuar andando. Que é como exclamar, acrescentando ao gesto de aceno, um - Olá! e seguir em silêncio enquanto se afasta. Portanto, precisar de alguém que me dê uma palavra é uma forma de dizer, exprimindo o que se sabe, do «dar uma palavrinha», também se diz. Quero mais, entabular uma conversa, abordar assuntos menos mundanos. Sem ser só um gesto de boa educação, num cumprimento de cortesia social. Aos domingos, esta minha necessidade de ser abordado por alguém é mais grave e mais silenciosa, ingrata, malograda. Aos domingos, sempre mais só – se não quiser defender a companhia da música, já que é tão inerente a mim; onde sou, ela está. Pudera assim ser com a maioria das pessoas, aos domingos. De maneira que, sem a tal palavra ou palavrinha que gostaria que alguém quisesse dar-me, não va...