entre estar e não ser
Não sei, sei lá agora o que ainda me interessa… vi nascer o sábado a prometer-me o que desejava e acabei rendido ao seu crepúsculo, desiludido por uma íntima falsa promessa… que adiantou o costumeiro pré-aviso que amanhã, domingo, vem impor. Domingo, esse cicerone antipático, que suspende as horas de gozo e descanso para precaver, inventariar e focar no que mais uma semana de trabalho, de exploração, exige. Nem a madrugada, já saturada das minhas insónias, consegue aturar-me. Silenciosos estão os cães na distância, não comunicam pelos latidos os signos sobre os quais também se cansam. Ontem, alguém partiu daqui. Foi com quem eu queria ir, foi para lá, para além destas quatro paredes sempre protegidas pela sombra, e pelo sangue, e pelo álcool, e pelo fumo subindo em espiral; partiu com a ternura que há anos me tem feito tanta falta. É por isso que, em circunstâncias como esta, me sinto menos do que os outros, esses que afirmam gozar a vida e, sem qualquer equívoco, a felicidade. Credito...