aquela força
Nenhuma pestana, as caídas são o moliço que o rio devolve para que a terra o revolva. Se ainda tens lágrimas, é como a chuva que as tornam húmidas. Qualquer dia, nenhuma janela, só a música dizendo o que pensas. Por vezes, nem é preciso falar alto o que o pensamento admite. Por vezes, basta-te escutar a canção, melancólica e assertiva. Sem janelas, nem bolor escurecendo o canto deste quarto que ainda não recebe o sol, a enrodilhada roupa tecendo o pó, brilhando no canto oposto em fundo de abajur. E vais querer discernimento, para o que sou, para o que entendes de mim. Lamenta só o impossível. Se eu for ver como há sol, cego. Se abrir uma torneira para a sede, afogo. Que tenho? Nada, é tosse. Apenas quiseste que eu fosse quem tu desejarias, o que nunca aconteceu, bem sabes. Na despedida entre visitas, deixa que os lençóis cubram o que há de mais nu em mim. Nenhuma lágrima, dessas que deixas rolar face abaixo, depois de saíres. Tens de me dar aquela força. Ser uma manhã. Pelo menos uma c...