Juarez (poema bilingue)
Tú estabas en la ciudad
y nada por nadie pude hacer,
ni siquiera con tus lágrimas
para que se olvidase la gente
de todos sus presagios.
Conquistar, oír y tener poco
cuando los túneles nos muestran,
tales tumbas de ayer,
el viaje a través de la frontera.
Yo sé que la conquista
no se debe a ninguno
de los que se aparten
de la familia, bajo el fuego
de los balazos.
Entonces por amor te trago,
te hago desaparecer dentro
de mí.
Y con esa maleta
y esta guitarra, tal vez pueda
encontrar a todos los que,
jugando y cantando,
había perdido.
*
Tu estavas na cidade
e nada pude fazer por ninguém,
nem sequer com as tuas lágrimas
para que as gentes esquecessem
todos os seus presságios.
Conquistar, ouvir e ter pouco
quando os túneis nos mostram,
tais túmulos de ontem,
a viagem através da fronteira.
Eu sei que a conquista
não se deve a nenhum
dos que se apartem
da família, sob o fogo
dos tiroteios.
Então por amor te engulo,
faço-te desaparecer dentro
de mim.
E com esta mala
e esta guitarra, talvez possa
encontrar todos os que,
brincando e cantando,
tinha perdido.
y nada por nadie pude hacer,
ni siquiera con tus lágrimas
para que se olvidase la gente
de todos sus presagios.
Conquistar, oír y tener poco
cuando los túneles nos muestran,
tales tumbas de ayer,
el viaje a través de la frontera.
Yo sé que la conquista
no se debe a ninguno
de los que se aparten
de la familia, bajo el fuego
de los balazos.
Entonces por amor te trago,
te hago desaparecer dentro
de mí.
Y con esa maleta
y esta guitarra, tal vez pueda
encontrar a todos los que,
jugando y cantando,
había perdido.
*
e nada pude fazer por ninguém,
nem sequer com as tuas lágrimas
para que as gentes esquecessem
todos os seus presságios.
Conquistar, ouvir e ter pouco
quando os túneis nos mostram,
tais túmulos de ontem,
a viagem através da fronteira.
Eu sei que a conquista
não se deve a nenhum
dos que se apartem
da família, sob o fogo
dos tiroteios.
Então por amor te engulo,
faço-te desaparecer dentro
de mim.
E com esta mala
e esta guitarra, talvez possa
encontrar todos os que,
brincando e cantando,
tinha perdido.
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imagem gerada por IA - Gemini (película analógica de 35mm)

Zé, vim ler os teus textos recentes e logo assim, como chapada, este poema.
ResponderEliminarEmbora escrevas melhor como crónica ou no lirismo de textos corridos a que chamas prosa, é um poema com uma imagética incrível. Ao ler “sob o fogo dos tiroteios” e “a viagem através da fronteira”, lembrei do ocorrido há dias, semanas, do que se passou no México. Atravessou-me essa memória com esses teus “túneis” que o poema diz “tais túmulos de ontem”. De ontem?? Infelizmente os túmulos continuam a ser cavados - tal como em Gaza… Mas vá. Puxando: há versos que não ficam no papel, instalam-se. Neste século, olho para certas partes do mundo e reconheço esse mesmo fogo cruzado, essa mesma família sob ameaça, essa mesma mala pronta para partir. E fico apreensiva. O teu poema puxou essa minha apreensão perante o mundo, que acho partilhamos. Talvez por isso este poema continue tão atual. Porque não fala apenas de um lugar, fala daquilo que nunca deixou verdadeiramente de ser. Muito bom!
Beijinhos…
Esqueci: o poema em espanhol tem mais força... Penso eu. Não subestimando o em PT... Fizeste tradução? bj
ResponderEliminarObrigado. Fiz tradução do castelhano para o português, o original foi mesmo em castelhano, é um poema de 2023
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