beijo
a tua boca na minha:
quem dera fosse todo o verão
à latitude do que somos;
arde-me
o vento norte nos teus olhos
açoitando o nosso desejo:
a carne entumecendo
nas duas bocas unidas,
e fica suspensa
a intenção dos gestos, do corpo,
ignorando o tempo
na sublimação da saliva;
mudos,
poupamos a voz
e o precoce incêndio.
a minha na tua boca:
é ainda o verão virgem
na longitude do que seremos.
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foto de Oksana Muzyka

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