vespertina
dá-me a primeira flor
suplico
concede-me o imenso perfume
de quando a colheste
com dedos delicados
no jardim da tua alvorada
o dia cedeu ao sorriso
sentindo uma criança inocente
nascida e descida ao mundo
vem testemunhar
esse momento da redenção
e de todos
os novos pecados
vem para crer
nas corolas abrindo o pólen
no borralho da tarde sobre o horizonte
parecendo com que tudo
mansamente arda
e sem haver fome
e sem haver sede
e sem haver fome
e sem haver sede
sem haver aflição
tangem cordas
repicam sinos
insinuam as primeiras cigarras
os melros recolhendo
no seu assobio
tudo isto será indiferente
será ocasional
se não nos aceitares assim
ambos renovados
como eu sou a véspera
e tu a vespertina
tangem cordas
repicam sinos
insinuam as primeiras cigarras
os melros recolhendo
no seu assobio
tudo isto será indiferente
será ocasional
se não nos aceitares assim
ambos renovados
como eu sou a véspera
e tu a vespertina
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foto de Evgeniy Kozlov
banda sonora:

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