rasgar


Rasgar uma página. Adulterar. Podar. Podem os livros ser como uma árvore? Dessas que dão fruto que satisfaça gulas e, principalmente, fomes?

O que é podar um livro? Controlar-lhe a dispersão da seiva? Conter o futuro, para quem o escreve, para quem o lê? Dizer outra coisa que a raiz queria muito dizer e não pode?

Dizem-me que o futuro não existe, morre na praia como o mar; a seiva, se não dispersa, impede que cresçam ramos, folhagem nova

(é o que me dizem)

diminuindo a sombra aos que, podendo não ter fome do fruto, procuram sedentos a frescura após árdua jornada. E ainda, o despropósito: fruto de árvore podada é fácil de colher, mas está à mão malandra dos que sobrevivem da coisa alheia.

Alimentar corpo e espírito? Não sei. Sei de coisa nenhuma nesta matéria. Porém, é a rasgar as páginas do que escrevi muito medíocre que promovo o exercício e a transpiração para a eliminação do que é tóxico, e tentar ser melhor no que escrevo. Ciclicamente escrevendo, lendo, rasgando, apurando.

A sociedade, a civilização, não devia fazer o mesmo? Só questiono, não tenho resposta.

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