dá-me


Entrega-me o corpo reinaugurando o fulgor do fogo. Atiça-me o sangue com a saliva do teu desejo. Os teus lábios com fome de sangue e músculo enquanto aflorando a minha pele. Quero engolir-te, segurando o teu olhar com as minhas mãos ávidas, derretido sobre as tuas pernas. Sentir-me dentro de ti como se entrasse, simultaneamente, em mil paraísos plantados na terra. Grita-me de vaidade, grita-me de insolência, grita-me de pavor, espalhando a seara dos teus cabelos sobre o meu ventre em espasmos. Procura a minha seiva através dos golpes violentos das tuas ancas. Abre-te, abre-me, incendiando de ósculos maduros todas as minhas extremidades, e segura-me, segura-me que enlouqueço de fome e sede sobre o vale da tua vulva, freneticamente empurrando-te para lá das forças físicas. Liberta-me após rasgares até à carne toda a sede da minha língua. Entrega-me o corpo rendido à tua condição feminina. Ergue-te, baixa-te, volta-te, revira-te, explode-te – que a explodir me venho em jactos viris de vulcão enfurecido. Entrega-me o corpo com o fogo ateado pelo turbilhão crescente dos teus gemidos. E dá-me, dá-me, dá-me

dá-me o teu amor

emergindo sob o azul da manhã com todo o calor, como uma deusa de luz.


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foto de Laurent G

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