já não quero estar no mundo
.
já quero não estar no mundo
morro, quero a morte
e por isso bebo e fumo, cobarde
perante outras opções simples
– a do gume ou a das pragas
com sangue e dor
mas esse instante
talvez o prolongue para ainda
testemunhar o último domingo
convosco
..
não bebo apenas um cigarro
entre intervalos de outra observação
não fumo apenas um copo
já quente, na conversa à mesa
– eu fumo e bebo na minha solidão
entre as sombras de que o verão
ainda é capaz
bebo como um sedente deseja água
fumo como alguém que procura novo fôlego
e só bebo e fumo como desesperadamente
fossem os meus últimos actos
…
estou longe deste mundo
– na cama, deitado de lado
observando a humidade da parede
negando o beijo de quem ainda insiste
negando o corpo quente
e apaziguador
.:
afasto-me do mundo
na elegância dos sonhos
onde não sou homem, apenas um rapazinho
curioso, tentando entender o organizado
carreiro das formigas, umas para cá
outras para lá
espantando quando o chão ferveu de calor
e elas surgem aladas
num bailado de fecundação
:
eu dissolvido de ternura
na elegância do primeiro olá
no primeiro aperto das mãos que se querem
beijando a papoila de um púbere ventre
o pêssego imaturo de um peito que treme
a boca tão pequena para um primeiro amor
:.
eu tentando reconstruir-me
a desejar filhos, um lar
com cuidado e amor
toda a responsabilidade
para a família
e destruído depois
com o engano
das paixões que terminam
sem razão aparente
:..
eu desinteressado do mundo
a mijar no silêncio da noite
pensando que é a última vez
pensando em fumar novamente
beber outra vez para
poder dormir mais
:…
podia ter outro mundo
com um infante no colo
para quem reclamaria redoma urgente
porque o perigo é real
num instante o copo
num instante o cinzeiro carregado
de milhares quartas-feiras de cinzas
e não tenho mamas
nem produzo leite –
só urina durante a noite
.::
eu, auto destruindo-me
beijando a flor da chama viva
para que o mundo me engula
como fóssil
::
eu imolado
com esgar na boca por socorro
ao último sofrimento
– afinal havia dor
na decadência
::.
eu destruído de carne
enquanto os vermes me recebem
num festejo de banquete
aquele quando o sol se recolhe
piscando o esplendor para a lua
que lhe fará a vez
::..
então eu, só memória
como ratazana
como toupeira cega
roendo as memórias
de quem ainda me traz ao peito
:…
porque eu nunca quis o mundo
que me pariu
e quem decide quem nasce
e quem morre?
– eu
o mundo passará bem sem mim
.:.
não bebo apenas um cigarro
entre intervalos de outra observação
não fumo apenas um copo
já quente, na conversa à mesa
– eu fumo e bebo na minha solidão
entre as sombras de que o verão
ainda é capaz
bebo como um sedente deseja água
fumo como alguém que procura novo fôlego
e só bebo e fumo como desesperadamente
fossem os meus últimos actos
…
estou longe deste mundo
– na cama, deitado de lado
observando a humidade da parede
negando o beijo de quem ainda insiste
negando o corpo quente
e apaziguador
.:
afasto-me do mundo
na elegância dos sonhos
onde não sou homem, apenas um rapazinho
curioso, tentando entender o organizado
carreiro das formigas, umas para cá
outras para lá
espantando quando o chão ferveu de calor
e elas surgem aladas
num bailado de fecundação
:
eu dissolvido de ternura
na elegância do primeiro olá
no primeiro aperto das mãos que se querem
beijando a papoila de um púbere ventre
o pêssego imaturo de um peito que treme
a boca tão pequena para um primeiro amor
:.
eu tentando reconstruir-me
a desejar filhos, um lar
com cuidado e amor
toda a responsabilidade
para a família
e destruído depois
com o engano
das paixões que terminam
sem razão aparente
:..
eu desinteressado do mundo
a mijar no silêncio da noite
pensando que é a última vez
pensando em fumar novamente
beber outra vez para
poder dormir mais
:…
podia ter outro mundo
com um infante no colo
para quem reclamaria redoma urgente
porque o perigo é real
num instante o copo
num instante o cinzeiro carregado
de milhares quartas-feiras de cinzas
e não tenho mamas
nem produzo leite –
só urina durante a noite
.::
eu, auto destruindo-me
beijando a flor da chama viva
para que o mundo me engula
como fóssil
::
eu imolado
com esgar na boca por socorro
ao último sofrimento
– afinal havia dor
na decadência
::.
eu destruído de carne
enquanto os vermes me recebem
num festejo de banquete
aquele quando o sol se recolhe
piscando o esplendor para a lua
que lhe fará a vez
::..
então eu, só memória
como ratazana
como toupeira cega
roendo as memórias
de quem ainda me traz ao peito
:…
porque eu nunca quis o mundo
que me pariu
e quem decide quem nasce
e quem morre?
– eu
o mundo passará bem sem mim
.:.
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simulação de foto por IA - Geminif/2.0, 1/45 sec, ISO: 3200 film 35mm
color splash, temp.. 3200K
grain simulation Tri-X 400
high contrast

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