semente
O orvalho caiu exacto
na orla dos teus
beijos.
Despertou-me
a madrugada do corpo.
Abri os olhos
vagarosamente:
limpa,
serena,
acompanhando o bocejar
das flores
na raiz da alvorada.
Disseste-me coisas
com o toque delicado da
tua pele.
Inventaste o verão
ardendo
no interior das minhas
coxas.
E, na manhã nascida
colorida,
mergulhaste - mergulhámos.
Bocas esfomeadas à
procura do ventre,
para que o frémito
fosse um melhor e
redentor bom dia,
muito terno,
adocicado
como a flor dos
morangos
adormecida a meus pés.
Respiras-me e toco-te.
Faço-te prisioneiro do
meu sangue,
neste fundo de terra
com gemidos,
onde,
para prova futura do
que somos,
te plantarás
como semente de trigo
em seara jovem.
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foto 05Right

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