disforme poema do entendimento


Quero do amor o que entendo:
sem contrapartida ou condição.
Chão limpo onde me estendo
puro, ainda que em contradição.

Palavras? Eugénio bem sabia
que escritas nascem já gastas.
Fica a cinza do que se dizia,
nas margens onde te afastas.

Mas se Sá Miranda insistia
que o lume não é o que ardeu,
o amor que em mim se alumia
não é a brasa que se perdeu.

Bastam-te sílabas de entrelinha,
sem o peso de nenhum segredo.
Se já tua é esta entrega minha,
rende-te igual: despe-te do medo.


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foto de Vitaly Ignatyuk

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