íntimo arraial
Tu, assim nua, a fazeres de ilha entre a ondulação da lagoa. Se desvio o meu olhar, entenderás que é por meu pudor desmedido? Ou será antes por medo – esse temor de que, afinal, as sereias enganam enquanto encantam?
Fará mal lamber esses pêssegos que tens no peito e beber, de um trago, a água fria que mitiga esta sede tamanha? Terei eu um enfarte coronário ou uma reles congestão no estômago?
Mas venha o pêssego, após o arraial popular entre a sardinha assada e o pimento, o tomate e o pepino; se não for o enfarte ou a congestão, concede-me a madrugada após a noite de festa, com o fogo erguido por epopeia, colorindo os céus.
E quando então for a hora prometida, o teu corpo já enxuto estará pronto para saber quanto posso ser outra água onde nadarás – outra lagoa de onde não terás de me acenar.
Depois, finalmente: já eu todo terra, fazendo-me península no que és. Atreve-te a seduzir-me, ó minha ninfa da lagoa, nesse teu íntimo arraial.
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foto de Vladimir Romanovsky

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