assim é a tua boca


Assim é a tua boca, fio de ribeiro que sacia a sede das aves pequenas. Os teus olhos escuros como as sombras dos bosques frescos. Nos teus seios o repouso do feno e a sede do pêssego. Nos teus ombros a colina onde me perco por atalhos e trilhos de nardos e giesta.

O tempo suspende-se em cada curva do teu corpo. Enternecido, percorro-o com os meus dedos, suavemente, num silêncio que precede o incêndio. Pausa entre o toque e o fôlego, um instante para desenhar a geometria da nossa entrega. Ainda levemente, pouso os meus lábios nos teus.

Então, entrego fremente a minha boca na tua, amo-te com os meus ombros acolhendo a tempestade dos teus cabelos, penetrando o sempre virgem segredo do teu ventre. Renasço nesta simbiose. Vou navegando em mar agitado com a cintilação macia da tua voz a guiar-me os gestos, tocando-te onde o prazer nos faz mais sôfregos.

A fome dos beijos como fogo, o sabor a morango em polpa desfeita entre os lábios encarnados de sede e as línguas inconsoladas de desejo. Fremem os corpos na cama, as mãos entrelaçadas sem suplício de paz. A minha pele tatuando a tua e os olhares de ambos que transformam o abraço num aperto de êxtase. E o meu coração resumindo:

foi como a sensação de um primeiro beijo
um corpo quente envolvendo o meu
a fluidez líquida do desejo
o meu corpo entrando no teu

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foto de 05Right

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