vinte e quatro graus celsius


lá fora a luz dos candeeiros da rua         chamam por alguém
fumando a sombra com neblina              com voz quase muda
ilumina nos prédios as silhuetas             disfarçando a modorra
que assomam às janelas sem lua             e vão fumando
esperam-lhes frios lençóis                      na ausência de ninguém
e todos os dias a mesma coisa                sentindo-se perdidos

postes frios de iluminação                      entre o nevoeiro crescendo
após vinte e quatros graus                      e um acentuado arrefecimento
de uma tarde lambida na chama            exsudando o negro
do derretido cinzeiro                               por combustão
o frio cresce no desespero                      de não verem outra pessoa
e assim se assume a solidão                    cedendo ao medo



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