Maria poema
Maria, olha para ti
em qualquer espelho;
verás hálito de sombra
e alegria. A queda da tarde,
como anjos; ou ao observares
a cadência das estrelas.
Olha além as colinas como polpas,
as formas líquidas da sede.
O teu rosto contemplativo
diante a majestade do sol poente.
E a tua mão, como embarcação
em mar agitado, segura pela minha,
o teu deus em credo feito carne.
Os meus dedos tacteando os teus.
Não preciso de mais nada, Maria.
Apenas que permaneças.
Olhas atrevida para a câmara,
imagem sem filtro, os teus lábios
rosados cedendo ao carmesim
do borralho, brasa que alimento
para te manter quente.
Nessa imagem há o teu cabelo
num ameno fogo caído.
Há também o musgo sereno
dos teus olhos,
pasto do meu encanto por ti.
Não quero mais nada, Maria.
Só que chegue a nova alvorada.
Para que a testemunhe contigo,
porque te vejo como uma manhã.
Clara.
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foto de Dmitriy Stcheslavskiy

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