se não estás
Deixei de me interessar se vens ou não. Passaram as horas naquele relógio que a estação ergueu como monumento às pessoas que esperam, inquietas, o embarque e o desembarque da vida. Pesa-me o sono da tarde, depois de tanto esperar. Aqui não está nem já vem ninguém. Aqui, na planície agreste das minhas mãos. Voaram os estorninhos numa soberania invejável e as nuvens sorrindo, sem precipitação. Vieram espiar a minha espera de ti e trazem as tuas palavras carregadas de promessas, em vez da chuva que o sol não lhes permite. Então, se não estás, estendo os meus braços para o vazio, e entro. Conto só com o afago do sangue, se as lágrimas já não me servem para mais nada.
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foto de Pedro Moreira

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