Disse-te dos meus rascunhos pueris. Das palavras encontradas ao acaso e plantadas em beco. Disse-te que o mundo andou de pernas para o ar no ano que passou e nada disto diverte, se diverge. Tenho no que anseio a sua contradição, ambiciono envolto de nulidade. Há pontos de mim a anos luz uns dos outros. Divirjo, eis: entre o que fui, acorrentado a outroras, e este que agora não sabe, se enche de medo. O medo é pura diversão. Divergente. Abstração? Demência.
Não.
Saber construir um poema é saber erguer pontes sobre o poente.
Não sei escrever um poema. No rascunho, tento versejar como quem se dá a novos ares. Porém, esta mão canhota: é ela quem empurra as palavras corridas umas na frente das anteriores, projectando parágrafos complicados, sintaxes complexas, semânticas a roçar o surreal. Dedo podre para a simplificação. E depois
os adjetivos sempre presentes, a anunciar o substantivo circunstancial
depois não é assim que quero, não assim que queria, tudo desapontado: escreve! De tudo quanto eu poderia fazer, nada faço. Calo-me entendendo uma ordem. Se não segue livre em linha recta, coloca-lhe uma barreira, desníveis, qualquer desafio. Calo-me por indeterminado tempo, a repetir fórmulas muito antigas. Poderá surgir a oportunidade de… até que…
Até que supere esse ano inteiro para viver.
















