desceste como eu

foto de Aleksandra Patova


Sem perfeição e qualquer acto
de afirmação soberana sobre o
pobre que encontraste,
(tampouco a mendiga misericórdia
para com os desamparados),
soubeste descer sem cordas
ao abismo deste poço, e aqui
fizeste um simples jardim.
É de louvar essa
entrega de pequeno e grande
gesto, assim sem procurar
vénia ou borbulhas sentidas
na saliva do altruísmo teatral.
Nem joias queres, nem aquela
qualquer coisa que faz
engrandecer o umbigo
dos gordos benfeitores.
Desceste como eu desci,
bem fundo, muito negro.
Porém, ergueste-me mais alto
que o tamanho que há entre
os teus pés no chão e a tua cabeça
nas nuvens. E isso só se
agradece!

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