
The Gift, Film
Foste o último jardim entre os meus gestos. Quedam-se as coisas tão vulneráveis junto aos nós dos teus dedos, ensarilhados uns nos outros sem entendimento. As camélias e os lírios tropeçam em orações com os círios carpindo as despedidas imprevistas. Sussurram os rostos das pessoas cumprimentando-se dolorosamente, sob a luz dos candelabros mais altos numa grosseira atitude de indiferença quando lhes equaciono se na verdade partes, se voltas ressuscitando, se tudo não será um sonho descabido, se afinal tudo isto não é.
A terra engolir-te-á, amanhã, depois. E eu sem fôlego para gritar vou deixar-te ir sem te mostrar o quanto os dias foram raros. Restará uma efemeridade nunca prevista, nunca contada. Como se no fundo não tivesse havido nada, com isto do tempo encalhando e desencalhando. Concede-me a voz final entre os dedos mortos. Cinco minutos de tudo para te reviver, e guardar.
Depois partes então, se assim o mundo quer, se assim se fez o mundo. Os meus dedos recolherão, inconsolados, junto às memórias.









