
fotografia de Armindo Dias em 1000 imagens
Ficarei a velar os momentos. A acreditar que tudo é
(ainda?)
possível. E tudo é demasiado para suportar. Levantem-se os medos e alguma coisa parecerá mais fácil. Os espelhos que não me conhecem, as vozes que não me chamam, só por exemplo. Ficarei do lado de cá, a inventariar as solidões através da janela. Dos autocarros que passam tristes, levando gente triste. Das sarjetas visitadas por todos os gatos pardos. Aqueles que o são e aqueles que o fingem ser. Com promessas de simpatia pelos promotores de vendas que me queiram falar ao telefone. Aquele que nunca toca. Aquele que é um absurdo de lugares comuns.
Canso-me, sabes
(ainda?)
de tudo quanto seja especial porque sem o toque das tuas mãos nada mais é senão extravagante, ou piroso, brejeiro. E as tuas mãos estão longe, abrindo brisas de maio em outras latitudes. Lugares para onde não sei deslocar o corpo. Lugares que se incomodam com o meu cigarro perscrutador.
E passarão os dias, como sempre. Como passaram por nós dentro e fora de lençóis e os magazines de arquitectura copulando com volumosas páginas de poesia. Aquele relógio que me deste,
(- Contas a nossa vida por ele?)
parou. E acredito que o tempo tenha realmente parado por aqui. Todos os movimentos redundam no mesmo. Ouço cheiro vejo sinto o fim em tudo quanto começa. E por isso era previsível. Sabíamos ambos.
Por isso acredito
(ainda)
que tudo é possível. Não interessa em que acredito, desde que acredite. E ao escrever estas palavras, na mesma solidão triste dos autocarros para lá da janela, eu soube. E agora sei sem qualquer dúvida. Sei finalmente que nome te hei-de dar: o tempo que ignorei como perdido.
(ainda?)
possível. E tudo é demasiado para suportar. Levantem-se os medos e alguma coisa parecerá mais fácil. Os espelhos que não me conhecem, as vozes que não me chamam, só por exemplo. Ficarei do lado de cá, a inventariar as solidões através da janela. Dos autocarros que passam tristes, levando gente triste. Das sarjetas visitadas por todos os gatos pardos. Aqueles que o são e aqueles que o fingem ser. Com promessas de simpatia pelos promotores de vendas que me queiram falar ao telefone. Aquele que nunca toca. Aquele que é um absurdo de lugares comuns.
Canso-me, sabes
(ainda?)
de tudo quanto seja especial porque sem o toque das tuas mãos nada mais é senão extravagante, ou piroso, brejeiro. E as tuas mãos estão longe, abrindo brisas de maio em outras latitudes. Lugares para onde não sei deslocar o corpo. Lugares que se incomodam com o meu cigarro perscrutador.
E passarão os dias, como sempre. Como passaram por nós dentro e fora de lençóis e os magazines de arquitectura copulando com volumosas páginas de poesia. Aquele relógio que me deste,
(- Contas a nossa vida por ele?)
parou. E acredito que o tempo tenha realmente parado por aqui. Todos os movimentos redundam no mesmo. Ouço cheiro vejo sinto o fim em tudo quanto começa. E por isso era previsível. Sabíamos ambos.
Por isso acredito
(ainda)
que tudo é possível. Não interessa em que acredito, desde que acredite. E ao escrever estas palavras, na mesma solidão triste dos autocarros para lá da janela, eu soube. E agora sei sem qualquer dúvida. Sei finalmente que nome te hei-de dar: o tempo que ignorei como perdido.






