
a Eugénio de Andrade
que farei com as palavras quebradas
com a maturidade do fruto e a sede quebrantada
na trovoada do dia
que farei com estas pétalas que vieram para te resgatar os olhos
e a esvoaçar as gaivotas da beira-mar
na espera garantida de um lápis teu
que farei, meu caro Eugénio, com a partida dos ossos
se na hora em que partes
tudo será como a água primordial
e todos os poemas
(sem a melodia)
novamente por escrever?








