
(daqui)
Quando trinquei o morango julguei ver a ferida do teu corpo aberta. E o suco escorria, daquela carne vermelha, mordida. Esperei para sentir um frémito, um soluço. Para ouvir um gemido. Esperei para te ouvir.
Quando devorei, ávido, o que ainda sobrava daquele sangue vivo especulando entre os meus dedos múltiplas sensações, experimentei a dor aguda da tua ausência.
Uma vez mais a tua ausência.
O que será feito dos teus abraços com o aroma do feno? Poderei resgatar a brisa da tua boca?
Morde-me com fome de morango e deixa-me o suco nos teus lábios para poder lamber-te as saudades que ficaram na paixão da tua partida








