<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820</id><updated>2012-01-29T19:03:07.378Z</updated><category term='depressão'/><category term='sociedade'/><category term='escrever'/><category term='transcendência'/><category term='05 Maio'/><category term='08 agosto'/><category term='12 dezembro'/><category term='amor e erotismo'/><category term='amor e desilusão'/><category term='alento'/><category term='humanidade'/><category term='homenagem'/><category term='01 janeiro'/><category term='04 abril'/><category term='enormidade'/><category term='09 setembro'/><category term='07 julho'/><category term='11 novembro'/><category term='02 fevereiro'/><category term='03 março'/><category term='autobiografia'/><category term='06 junho'/><category term='frugalidade'/><category term='10 outubro'/><category term='morte'/><title type='text'>Que farei quando tudo arde?</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>285</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2872719417712305416</id><published>2011-12-31T00:46:00.001Z</published><updated>2011-12-31T00:46:44.259Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>a moral, segundo o marido da Adelaide</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nOs4SoyPpsE/Tv5bTqfxBII/AAAAAAAACVk/bFKHgNZx-Ks/s1600/farm.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://4.bp.blogspot.com/-nOs4SoyPpsE/Tv5bTqfxBII/AAAAAAAACVk/bFKHgNZx-Ks/s320/farm.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Adelaide? Já cheguei. Está um frio que não se pode andar na rua. Toma, aqui estão os comprimidos. Agora ouve isto que se passou há pouco comigo: quando entrei na farmácia estava uma senhora, talvez com a tua idade, não sei, hoje olhamos para os rostos das pessoas, pensamos tem idade tal, mas afinal vem a saber-se e são pessoas bem mais jovens que nós; essa senhora na farmácia estava num pranto sibilante, não se lhe ouvia a voz, apenas o ar entre dentes a escapar-se numa convulsão que a pobre não podia mais conter. Queria aviar uma receita e não tinha dinheiro suficiente para pagar os medicamentos de que precisava. O senhor da farmácia dizia não poder fazer nada. E a senhora ali, a soprar as lágrimas, de porta-moedas aberto, com a mão agarrada ao saquinho dos medicamentos, enquanto o homem da farmácia, sem modos, tentava arrancá-lo da mulher. Não posso fiar, minha senhora, dizia o homem, eu apenas trabalho aqui, se lhe deixo levar os medicamentos sem os pagar habilito-me eu a ficar sem o trabalho e tenho filhos a sustentar; vá, quando tiver dinheiro regressa cá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Sabes como é o meu feito… Se não rosnei ao farmacêutico é porque não nasci com vocação para cão, nem fero sou, como me parecera que ele estava a ser. Nem um pingo de simpatia, percebes? Vai daí que eu perguntei, Olhe lá, e ele olhou, com ar de despeitado, como se já soubesse que o ia afrontar, Então se a senhora precisa dos medicamentos e não tem dinheiro para os levar, não há qualquer forma de resolver isso, e se você diz que só trabalha aqui, chame lá alguém com responsabilidades, o dono da farmácia, o gerente, alguém que possa atravessar-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;E nisto, um ronco de automóvel vindo da rua fez-me calar e olhar para fora. Era uma mulher que estacionava em frente um destes automóveis topo de gama, todo metalizado e estofos xpto. Outro senhor que estava já de saída tanto se admirou com aquilo que até disse Foda-se que o caralho da velha quase que se estampava contra o carro da frente. Voltei-me para o balcão e insisti, Vá homem, chame lá alguém, e entretanto é a minha vez de ser atendido, por uma rapariga bonita e simpática, e eu sempre na minha, Menina não está aí alguém que possa ajudar esta senhora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Pois simpática como era, e perante o olhar de reprovação do colega, disse A senhora não pode pagar, não tem dinheiro nenhum?, perguntou, e a senhora não saia daquele silvo, sem largar a saquinha dos remédios de que entretanto o trombudo desistira de tentar reaver. A pobre com o porta-moedas aberto e vazio a doer-lhe na alma, com uma nota de cinco e mais uns trocos sobre o balcão. Queria falar, mas sempre que tentava, era só o silvo, talvez um nada de murmúrio, de quem chora mesmo muito baixinho. Oh menina, disse eu, veja lá o estado da senhora, só tem esse dinheiro que tirou, não está cá o responsável pela farmácia? Está mas não pode atender, se a senhora não tem dinheiro não pode levar os medicamentos, isto aqui não é uma mercearia, comentou o sujeito. Esse sim, deve ter nascido com vocação de fera, uma besta, de tal maneira que se ouvia o ranger dos dentes, como se lhe estivessem a roubar, ou algo assim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Entra nessa altura na farmácia uma senhora ainda mais velha que eu ou tu, mas muito bem composta de roupa, cabelo arroxeado, a cheirar a pó de arroz antigo, deixando escorregar da dentadura um boa tarde altivo e arrastado. Tinha-se colocado ao lado da mulher que chorava, e quando disso se apercebeu afastou-se muito ligeira para o canto do balcão como se tivesse visto um bicho. Era a tal velha do ronco do carro. O cretino do funcionário foi logo atendê-la, todo servil, devia ser cliente habitual pois sabia-lhe o nome e perguntava Como está os netinhos, e a senhora tem passado bem?, e em que posso ajudar-lhe, dona-não-sei-quantos, não fixei o nome da criatura.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Entretanto, a menina que viera para me atender foi lá dentro chamar uma tal doutora, dona da farmácia, ou lá o que é. Regressou anunciando que a Sôtora vinha já, para esperar um pouco. A senhora que chorava acalmou, tirou um lenço da carteira e assoou-se. Eu pedi os teus comprimidos e a menina voltou novamente para dentro. O outro estava a mostrar uma gama de produtos de beleza, uns cremes quaisquer, para a velha do carro escolher. Ouvia-a a dizer, no mesmo tom arrastado, parecia que não sabia abrir a boca para falar, Ai este não, que horror, tem um cheiro péssimo, veja-me aquele ali, quanto custa? É mais caro, dona não-sei-quantos, setenta de dois euros, Olhe, respondeu a velha, mais vale dar mais do que andar a colocar porcarias na pele, andei a comer bombons no natal e veja a desgraça, tenho o rosto todo cheio de borbulhas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Ó Adelaide, então uma velha daquelas, lá porque comeu bombons enche-se-lhe a cara de borbulhas, como se fosse uma rapariga com as hormonas a saltarem-lhe no sangue? Está bem que pode ter alguma alergia, mas não é com cremes para a cara que se cura… Demais não se lhe via nada no focinho que não fossem rugas e pó de arroz ou lá o que ela trazia na cara, os lábios sumidos com um risco de baton e os olhos todos sujos dessa coisa do rímel. Haja paciência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;A senhora sem dinheiro suficiente, tendo secado as lágrimas, estava agora inquieta e murmurava, Ai meu Deus se não me dão os remédios do meu menino, ai meu Deus se não me dão os remédios do meu menino. O outro, registando a compra dos cremes da velha, ia olhando de soslaio para a que murmurava, com um ar vigilante, talvez pensasse que a pobre da mulher corresse a fugir sem pagar e ele, coitadinho, ficasse sem emprego. A menina regressa com os teus comprimidos, enfia-os numa saquinha, faz a factura e eu pago. Ao mesmo tempo ia a pagar a velha de cabelo armado e roxo, e nisto ouve-se-lhe um gritinho. Afinal sempre abria a boca. Ficou aflita porque não tinha dinheiro com ela quando o jeitoso lhe informou que não podia pagar com o cartão porque o multibanco estava com avaria. Não se preocupe, dona não-sei-quantos, amanhã ou depois quando cá passar paga, disse ele à velha. Eu então cruzo os braços de protesto e ia a falar quando a menina que me tinha atendido voltava do interior da farmácia &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;(foi lá dentro a meu rogo, depois de lhe ter pago a minha conta, Veja lá se a senhora doutora vem atender esta senhora, coitada. Esta continuava impaciente e a murmurar a mesma ladainha Ai meus Deus se não me dão os remédios do meu menino).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Estava a dizer o quê, Adelaide? Ah, sim, ia eu a protestar pelo facto da velha poder pagar depois os cremezinhos da cara para as borbulhas, enquanto que a senhora não podia levar os medicamentos que soube depois era para o filho, de onze anitos, vê lá, não te disse que a gente vê caras e julga tens esta idade e afinal são mais novas do que parece? Que triste que isto é… Então a menina tinha voltado com o recado da doutora da merda, a dizer que infelizmente não se podia fiar, que voltasse quando tivesse o dinheiro certo, talvez se levasse apenas um dos medicamentos, isto já era a simpatia da rapariga a falar, mas a senhora desata a chorar desta vez convulsivamente e quase gritando Mas o meu menino tem de ter os dois, um sem o outro não faz nada, oh meu Deus, oh meu Deus, eu recebo pouco, acabei de pagar a conta da luz e só me resta isto, oh meu Deus, oh meu Deus.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Então que vem a ser isto, caramba, exaltei-me eu, se aquele museu pode levar os cremes sem pagar porque não podem fazer o mesmo com esta senhora, então não se está a ver que ela precisa dos medicamentos para o miúdo? O senhor acalme-se, disse o empregado furioso, aquela senhora não pagou mas vai pagar, já é nossa cliente há anos, faz favor de ter respeito. Oh homem, atalhei eu, meta a cliente por um sítio que eu cá sei, e não me fale em respeito que tenho idade para ser seu pai, seu badameco, falta de respeito pelo próximo é que o você tem, então não vê que esta pobre senhora tem mais necessidade do que o mamarracho que você atendeu antes? Minha senhora, virei-me para a mulher que chorava, tenha calma que vai levar os remédios, ó menina, veja-me lá quanto é que isto é. Se o senhor quer pagar isso é consigo, mas advirto-o que não fala assim nesta farmácia, disse o tipo. Cale-se homem, ordenei eu, ou nem sei que faça, e nisto agarrei num boião de batons para o cieiro que ali estava à mão de semear para lhe atirar à tola. A rapariga é que acalmou os ânimos, Vá não é preciso nada disso, Ó António vai para dentro que eu trato do assunto, o senhor quer então pagar? Sim, respondi convicto, esta senhora não sai daqui sem os medicamentos. Muito bem, são sete euros e dez cêntimos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Olha, fiquei para a minha vida. Afinal a diferença era pouco mais de um euro, com o dinheiro que a senhora tinha, era o que faltava pagar. E o badameco mais a doutorzeca de chacha não podiam fiar um euro à pobre, mas a outra, toda pintada como um palhaço, lá porque conduz uma bomba, já podia pagar setenta euros depois, vê lá tu. Abanei a cabeça em reprovação, e paguei os medicamentos da senhora, sete euros e dez cêntimos. Vá com Deus, minha senhora, e as melhoras do seu menino. Ela ainda quis dar-me o dinheiro que tinha, quase seis euros somando os troquitos, mas não aceitei. A mulher lá saiu da farmácia, entre um choradinho e obrigados constantes, sempre agarrada à saquinha com os medicamentos do filho&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;(contou-me por alto a história do miúdo, entre soluços, quando eu efectuava o pagamento).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Antes de sair da farmácia, que não tinha mais clientes, virei-me para a rapariga que tão amavelmente me atendeu e disse-lhe Olhe que não é por si, que sei que a menina é gentil, mas pelo seu colega e pela sua patroa, lamento muito, mas já cá não venho mais. Não é caso para tanto, ainda defendeu ela, e eu rematei, É menina, isto não se faz, desculpe o incómodo e por me ter exaltado há pouco, mas vou e não volto, sou um homem de princípios, não gosto de ver as pessoas maltratadas como vi hoje aqui, muito boa tarde e felicidades para si. E saí. Não volto lá, não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Mas não acaba aqui. E agora não vais acreditar, Adelaide. Dez metros adiante da farmácia tem a paragem do autocarro, antes de virar aqui para a nossa rua, não é? Pois. Vou a passar, ainda remoído de indignação pelo que tinha sucedido, e vejo a senhora dos remédios para o filho. Encostada ao vidro da paragem a fumar. A fumar, repara. Enfim. Ainda olhei para ela, bem nos olhos, ela olhou para mim, e baixou o olhar, continuando a fumar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: inherit;"&gt;Olha, fiquei mais uma vez para a minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2872719417712305416?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2872719417712305416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2872719417712305416&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2872719417712305416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2872719417712305416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/12/moral-segundo-o-marido-da-adelaide.html' title='a moral, segundo o marido da Adelaide'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-nOs4SoyPpsE/Tv5bTqfxBII/AAAAAAAACVk/bFKHgNZx-Ks/s72-c/farm.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4922315358644415083</id><published>2011-12-19T21:41:00.000Z</published><updated>2011-12-19T21:44:48.545Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>para um santo natal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-45Ngfa-j-Ds/TrXNaSp0VmI/AAAAAAAACRI/wk3NhLOQNBY/s1600/sn.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="237" src="http://2.bp.blogspot.com/-45Ngfa-j-Ds/TrXNaSp0VmI/AAAAAAAACRI/wk3NhLOQNBY/s320/sn.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ligaram a televisão num daqueles programas ridículos de variedades, em o que varia são os nomes dos artistas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vanessa, Xuxas e Picadelas, Maria Cândida, Os Anfitriões, o Grande Mágico Godofredo, e o&amp;nbsp;conceituado humorista Ferdinando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e aquilo que fazem é sempre a mesma coisa, cantando melodias melosas de amores traídos ou sucedâneos de amor à mãe e ao pai e aos filhos, e às estrelas que há no céu, o mágico atrapalhadíssimo com o monte de lenços que lhe sai da algibeira mais o comediante com piadas soltas sobre personagens da política e da tv, enquanto eu, e outros como eu, estendidos sobre camas articuladas, entubados pelas veias e pelo nariz, com um olhar como que pedindo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Senhoras e senhores convosco a cantora Vanessa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e salta para o palco inundado de cor e luz uma rapariga com as coxas quase nuas, um enorme decote ao peito, e nisto uma máquina apita, há um corrupio de batas brancas e amarelas, ordens para aqui e acolá, as enfermeiras tontas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O doente da cama trinta e um&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;correndo na vã intenção de salvar o velho que agoniza com a cantora Vanessa; e momentos depois um lençol sobre o rosto do velho, as enfermeiras abandonando o burburinho e sossegando os outros doentes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vá calma, sosseguem, nada se passou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e nós a vermos passar a maca para cá vazia, para lá com o corpo ainda quente do velho que fez a máquina apitar; de modo que eu, que nunca acreditei em magias, agonizo num impaciência implorativa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E agora o momento de magia com o Grande Ilusionista Godofredo, o vosso aplauso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu com tubos enfiados nas veias e no nariz, e uma máquina ajudando-me à respiração, outra calculando a sua vez de apitar, ouvem-se as enfermeiras comentando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quase na hora da visita, vejam lá que espectáculo não ia ser&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;por isso, já não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga estas máquinas, e me retira os tubos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chega a hora das visitas e lá vêm aos pares os meus familiares, primeiro a minha esposa com uns olhos de quem já não dorme há dias, com o meu filho mais novo a querer sorrir para mim, mas no seu sorriso murcho eu ouço&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vais morrer, pai?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu ouço&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não quero que morras, pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e a minha mulher especulando as esperanças&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual morrer, ninguém vai morrer, que ideia é essa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;apesar de ela também um sorriso apagado, esforçado demais, deixando escapar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não morras Manuel&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu ouvindo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda precisamos de ti Manuel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É Dezembro, a alguns dias do Natal, alguns doentes cochicham com as enfermeiras qual de nós os cinco da enfermaria poderá ainda passá-lo em casa, atitude misericordiosa no regulamento do hospital para quem está na fase terminal, apesar de se não poder tocar no bacalhau, no bolo-rei, numa rabanada, nem um figo seco sequer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(afinal porquê adiar o termo disto tudo com tais prescrições?), &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a televisão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não perca a seguir a segunda parte, estão cá as Xuxas e Picadelas, fique na nossa companhia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a minha mulher mostrando-se animadíssima&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hoje vocês têm cá televisão, já viste Manuel, que rico programa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou seja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga estas máquinas, e me retira os tubos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a minha mulher sem entender patavina do que eu digo, debruçando-se sobre os meus lábios para ouvir melhor,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desligar o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu farto, ficai sabendo, eu farto de estar aqui estendido entubado só porque alguém segreda como que fazendo apostas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Será que o Manuel pode ainda passar o Natal a casa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;rematando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Será o último que passa, coitado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de modo que eu farto das tubagens enfiadas no nariz, incomodando-me, farto do tubinho que pinga soro e drogas minuto a minuto, hora a hora, teimando com a televisão ligada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cá estamos de novo para a segunda parte&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu fartinho, fartinho de tudo, farto de ver os olhos do meu filho mais novo implorando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não morras pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;das visitas de duas horas que ajudam a prolongar este sofrimento pateta, só porque ligado a uma televisão,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;perdão,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a uma máquina que espera a sua vez de soar um piii contínuo, alertando as enfermeiras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O doente da cama vinte e nove, depressa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As visitas revezam-se, entra a minha filha, mais velha, acompanhada pelo meu genro que julga que eu nunca fui com a cara dele, eu que nunca o tratei mal, eu que sempre o recebi bem lá em casa, eu que nunca coloquei qualquer entrave aos namoros da minha filha, nem ao seu casamento, nem ao aborto que fez antes de casar, mesmo que tivesse algo contra a dizer, que me importa agora isso, para quê o olhar dele desconfiado a pensar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda não morreste tu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu apenas quero a televisão desligada, e a minha mulher&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vais passar o Natal a casa, Manuel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passar o Natal a casa para quê, se eu todo tubos, querem lá ver que me vão enfiar o bacalhau, o bolo-rei, a rabanada, o figo seco pelo tubo dentro, sem necessidade de passar pelo esófago, pelo estômago, tudo pelo tubo que me alimenta de soro e drogas, eu à mesa olhando com as órbitas a saltarem do rosto para o pinheirinho de luzes tresloucadas, com uma melodia pateta, enquanto a máquina não se chega à frente de todos os sons e melodias com o seu piiii constante, deixando toda gente apavorada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não entubem mais bacalhau&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sem enfermeiras para acudir&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O doente da cama vinte e nove&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a minha mulher intrigada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desligou-se o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso, livrai-me lá do Natal, deixai-me morrer do cancro que me consome o corpo, do cancro que não dá descanso a estes tubos e a estas máquinas que se tornam orgânicas com cada doente que sustentam, assistindo igualmente ao espectáculo ridículo onde&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E agora palmas para a fadista Maria Cândida&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os tubos e as máquinas pedindo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém nos desliga deste cancro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não, eu fartinho, e eles, a minha mulher, o meu filho mais novo, a minha filha mais velha com o meu genro desconfiadíssimo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda não morreste tu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(e eu que nunca lhe fiz mal algum)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a insistirem que as máquinas ligadas, que enquanto há vida há esperança, que vamos ter um Santo Natal, depois da missa do galo a televisão ainda vai passar Música no Coração, e o meu coração sem música qualquer, esperando apenas o monocórdico tom piiii constante da máquina teimosa quanto a televisão que ninguém desliga, como se o espectáculo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Convosco os famosos Anfitriões&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fosse o soro com as drogas que me vão agarrando a uma vida que, se nunca teve sentido, qual o sentido dela agora, senhores, vá lá, peço-vos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não me olhem com a vossa piedade e o vosso egoísmo, com o vosso medo de perder o marido, o pai, o sogro,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Medo eu de perder o meu sogro? Não!)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com o vosso medo de sofrer, abram-me esses olhos e queiram ver, senhores familiares, senhoras enfermeiras, quem sofre sou eu, porquê prolongar-me a vida com estes tubos e estas drogas?, para evitar a vossa dor, querida família?, para evitar a vossa frustração profissional e a falta do vosso código ético, cara equipa médica?, para quê tudo isto, para quê uma televisão ligada, quando eu, e outros como eu, implorando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no entanto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Para terminar, senhores telespectadores, é momento de rir com Ferdinando, o rei das anedotas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não. Estou farto. Cansei-me. Não quero mais. Os tubos incomodam-me no nariz, mal posso mexer-me, que miséria esta de querer urinar e chamar uma enfermeira para nos enfiar debaixo do cu a aparadeira, ainda bem que os intestinos só gases, ou uma aguadilha que se confunde com a urina, senão que miséria maior, senhores, vá, alguém desligue a merda da televisão e aproveite o jeito para retirar-me os tubos, deixar com que a máquina enfim suspire o seu piii constante, já vão para o telejornal, pode ser que o apresentador&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O doente da cama vinte e nove&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Peçam desculpa à minha mulher, digam-lhe que afinal foi tudo desligado, peçam perdão ao meu filho mais novo porque isto toca a todos e agora toca-me a mim, peçam desculpa à minha filha mais velha por não lhe ter dado mais atenção e descansem o meu genro que acha que eu nunca fui com a cara dele, apesar de eu sempre de braços abertos, peçam desculpa aos médicos por não aguentar mais o código ético, e por favor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém desliga a televisão, me tira esta tubagem e me desliga das máquinas?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, ficamos todos bem, sofre quem tem ainda saúde e forças para sofrer, que eu cá me arranjo, com o lençol tapando-me o rosto, sempre menos incomodativo que os tubos no nariz. Vá lá, façam-me esse favor e não me chamem a mim egoísta. Apenas quero descansar, por isso, uma vez mais imploro, deixai-me morrer e tenhamos todos um Santo Natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4922315358644415083?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4922315358644415083/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4922315358644415083&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4922315358644415083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4922315358644415083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/12/para-um-santo-natal.html' title='para um santo natal'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-45Ngfa-j-Ds/TrXNaSp0VmI/AAAAAAAACRI/wk3NhLOQNBY/s72-c/sn.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6012782723783740276</id><published>2011-11-11T11:11:00.000Z</published><updated>2011-11-11T11:19:51.072Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='11 novembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autobiografia'/><title type='text'>palíndromo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1uK6c4ZC2Co/Tr0EyURmmvI/AAAAAAAACRY/lJ9l2SIdVGc/s1600/palindromo.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-1uK6c4ZC2Co/Tr0EyURmmvI/AAAAAAAACRY/lJ9l2SIdVGc/s1600/palindromo.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Me incido e desdobro-me em ti, palavra sem certeza e rápida que passa como nuvem empurrada por um vento que nos desfaz assim, nessa palavra polida pela imagem rasgada de uma tela. Na minha voz és cor, mas sem sabor porque a língua não te produz, apenas emite o que o pensamento julgou ser e luz. São aguarelas os poemas, trazes o título dessa canção que os meus ouvidos ouvem como quem mexe na estéril areia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdoa-me, não sei dizer-te nem contar-te ou ver-te, apesar da cor e da sombra no meu espírito. Nascem os dias grávidos de luz e vapor das manhãs que não cansas de inventar, mas mais palavra que és não serás jamais senão a palavra que não quis ou soube. Que é como quem diz um poema que não tem título nem voz para me existir, e cantar-me. E por tudo isso, e algo mais que fica sempre por dizer ou lembrar, mereces muito mais do que feliz aniversário. É por exisitires que existo, enfim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De mim para aqui, dentro de ti.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6012782723783740276?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6012782723783740276/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6012782723783740276&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6012782723783740276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6012782723783740276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/11/palindromo.html' title='palíndromo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-1uK6c4ZC2Co/Tr0EyURmmvI/AAAAAAAACRY/lJ9l2SIdVGc/s72-c/palindromo.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6384808321808308106</id><published>2011-10-09T14:51:00.001+01:00</published><updated>2011-10-09T15:03:07.989+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>look at me!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JM_uAROpuH0/TpGoKL9CgeI/AAAAAAAACPw/U7jV0erWb-o/s1600/look.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://3.bp.blogspot.com/-JM_uAROpuH0/TpGoKL9CgeI/AAAAAAAACPw/U7jV0erWb-o/s400/look.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; O Outono entrou e, em vez das folhas coloridas tapeteando o chão, passeiamainda as t-shirts apelando, em letras garrafais,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Look at me!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;nospeitos inchados da moda feminina para a delícia do olhar da libidomasculina. A temperatura, embora já amena pela manhã e princípio da noite, éainda abrasadora nas primeiras horas da tarde; a hora do almoço é uma barafundade vozes cruzadas e de t-shirts nos peitos inchados correndo para os hamburgerse pizzas dos shoppings no centro e periferias da cidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Dirá um velho, de barba de três dias, grisalha como o cabelo raro, a tez morenasulcada pelos sacrifícios da vida,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Já não há Outonos como antigamente…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;evolvendo o olhar, atrevido e lascivo, repudiando a miséria física da velhice,apreciando o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Look at me!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;eescarrando para o chão na mesma atitude lasciva, e o &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Look at me!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;adizer&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Que nojo, que porcalhão&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;e ovelho&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Lambia-te o que mais gostas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;directae grosseiramente para o peito que se incha ainda mais de repúdio e indignação,que responde, jogando com a mesma moeda, sem esperar troco,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Ai sim?, então lambias a pila do meu namorado!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;De modo que&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Já não há Outonos como antigamente…&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;dequando os garotos da escola recolhiam ao vento as folhas caídas e coloridaspela sua velhice,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- A senhora professora pediu&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;pesquisandonas velhas e grossas enciclopédias arrumadas no pó das bibliotecas a origem eas características da castanha, do diospiro, da romã, da uva que já foi colhidae esmagada nas prensas dos lagares que se enchem de vinho novo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Está quente, isto já não é Outono, a meia-estação; ouvi dizer que já não hámeia-estação, ora está calor, ora está frio, as pessoas atentas nos jornais enoticiários televisivos para saber a origem destas mudanças climatéricas, emque respeitosos senhores explicam que a camada do ozono, que o aquecimentoglobal, que o degelo das carótidas polares, mas nada disso interessa aos peitosinchados nas t-shirts&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;- Look at me!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;As árvores vão envelhecendo mais tarde, e aos garotos da escola nada mais lhesresta do que fazer composições sobre as aventuras da praia duas semanas antesterminadas; os mergulhos em locais inóspitos, os castelos de areia desfeitospela fúria mansa das ondas do mar poluído, as iniciativas adolescentes paratornar as praias mais limpas, enquanto os mais velhos sujam de gorduras e ossoschurrascados, caricas de cerveja e beatas de cigarros queimados, o pó dospinhais que procuram para a sombrinha e onde encontram o espaço para as suastendas, os seus barbecues, as suas cadeiras multi-posições onde fazemverdadeiras maratonas de sono, com direito aos mais altos ressonares da suaexistência, tocados em coro, ou fazendo vozes.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;O Outono entrou e apenas os dias se tornaram, lentamente, mais curtos, oscrepúsculos são pardos aumentando as solidões dos deprimidos, o assobionostálgico dos melros anunciando a hora do recolher.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Mas nos shoppings, junto aos hamburgers e pizzas, eles e elas passeiam-se comose o Verão abrasasse eternamente fora das sombras, colado aos seus corpos; osgarotos vão já para a escola, mas sem folhas coloridas nem frutos da época, vãotodos com os braços nus das mangas curtas, olhando com atenção os peitosinchados das novas e jovens professoras, nas suas t-shirts apelando, de letrasgarrafais,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-GB" style="line-height: 150%;"&gt;- Look at me!&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="EN-GB"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6384808321808308106?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6384808321808308106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6384808321808308106&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6384808321808308106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6384808321808308106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/10/o-outono-entrou-e-em-vez-das-folhas.html' title='look at me!'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JM_uAROpuH0/TpGoKL9CgeI/AAAAAAAACPw/U7jV0erWb-o/s72-c/look.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1078770765102740132</id><published>2011-08-31T21:58:00.000+01:00</published><updated>2011-08-31T21:58:19.480+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>é isto e aquilo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-06L_lzoWhMo/Tl6fODOiRLI/AAAAAAAACHY/0vrKNQ7hm2M/s1600/pagina.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-06L_lzoWhMo/Tl6fODOiRLI/AAAAAAAACHY/0vrKNQ7hm2M/s1600/pagina.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei o que fale o que diga o que escreva, talvez perguntas em meu redor, eu de copo de uísque numa mão e de cigarro na outra&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isto e aquilo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto nada, eu sozinho parado perante a brancura de um papel que teima em não ser a voz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(o papel branco a voz da minha solidão)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e sei que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isto e aquilo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas não sei dizer isto e aquilo, porque as palavras não fluem, atropelam-se no pensamento, sem desnivelamento como as auto-estradas. Sou um velho automóvel&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;a esferográfica é como um automóvel às voltas pela cidade&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que não sabe o seu caminho, que não sabe se o combustível vai chegar, eu apertando a buzina para dissipar o trânsito e os outros, à minha frente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as palavras para mim, engarrafadas no pensamento, não conseguindo chegar ao papel&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e é por cima que tento passar, com uma enorme borracha sobre todo o passado que se acumula dentro de mim, mas qualquer coisa apenas se dissipa, não consigo apagar tudo, a marca está lá, eu estou aqui, e o papel sorri-me com ar de desprezo porque não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isto e aquilo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é qualquer outra coisa que só o meu semblante distante insinua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O copo de uísque num piscar de olhos vazio, o cigarro já apagado, os minutos que se esvaziam como o copo, o tempo que se apaga como o cigarro, ou seja, não se apaga, apenas queima e ao queimar deixa a sua marca, indelével, dolorosa, como se tudo que fosse ontem me saísse vomitado neste entroncamento de palavras atropeladas e engarrafando, gritando umas às outras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tudo o que fosse ontem me fosse o presente aqui e agora, a infância, a adolescência, os primeiros dias de trabalho, eu responsável por ganhar o meu próprio dinheiro, ouvindo dos outros, atrás de computadores e papeis intensos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isto e aquilo;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu aprendendo como se redige uma carta, um fax, anos mais tarde como cumprir um orçamento, ajudando ao equilíbrio financeiro, os números sem engarrafamentos, sem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;os números perseguindo-me em fileiras, armados de raízes quadradas e rácios, prontos para me atacarem, cercarem as palavras mais nobres do dicionário com &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faz um print&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Calcule-me a margem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas qual margem, esquerda ou direita, norte ou sul, e eu preso pela primeira vez pelo papel branco, sem saber que caminho tomar com as palavras engarrafas dentro do meu pensamento, policiadas pelos números armados de raízes quadradas e rácios,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma task force para acabarmos isto ainda hoje&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;porém não sabia como sair de certas situações, por mais prints que fizesse, por mais margens calculasse&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(a oeste, a leste de que cidade, de que rio?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem task force nem target para atingir, só vejo os números acirrando-me com funções lógicas e o papel transformado numa prisão de quadriculados onde as palavras sem protesto, sem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as palavras resignadas tanto quanto eu, a olhar para tudo e todos com uma raiva, balão que enche comprimido, à espera da intencional agulha no seu corpo farto: eis que explode, a raiva cavalga sobre os números, mas também sobre as palavras, passa por cima de mim, do que sou, do que quero, não me domino, e mesmo assim a insistência&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma task force para acabarmos isto ainda hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O copo de uísque com uma nova dose, um outro cigarro derramando a sua etérea brancura no ar, como se a solidão não um papel branco, um cigarro inspirado e expirado no meio do da chuva de um Agosto findo sem verão, duas mulheres encolhem-se na berma, sobressaltadas na noite com os faróis furiosos de um automóvel assomando,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cuidado com o carro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um automóvel furioso à voltas na cidade, sem combustível, ou seja, uma esferográfica, perdida nos becos e entroncamentos do meu pensamento, acabando por deixar as palavras engarrafadas, barafustando, não querendo saltar para o papel, negando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faz um print&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;negando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isto e aquilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que outra coisa posso eu então fazer senão apagar novamente o cigarro, acabar-lhe com o ar de chaminé ao encontro de estrelas? Lá fora o agosto findando sem ter havido verão, com a chuva a cair, as duas mulheres fugindo dos faróis&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cuidado com o carro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o papel sorrindo para mim cruelmente, dominante, irritante, mas apelativo. E desta forma acossado e inchado, como o balão, deixo-me picar pela agulha de um&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Merda para isto!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;rebentando convulsivamente, sendo então que as minhas mãos amarrotam o papel zombeteiro de tão branco, numa raiva angustiada e comandada por uma voz que me obstina&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Passa por cima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1078770765102740132?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1078770765102740132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1078770765102740132&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1078770765102740132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1078770765102740132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/08/e-isto-e-aquilo.html' title='é isto e aquilo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-06L_lzoWhMo/Tl6fODOiRLI/AAAAAAAACHY/0vrKNQ7hm2M/s72-c/pagina.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1152836680610411463</id><published>2011-07-17T20:16:00.001+01:00</published><updated>2011-07-17T20:18:09.221+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='07 julho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>adágio</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-lXx_c0nW7U0/TiMu0Mf4xkI/AAAAAAAACGI/Rd7Jdj9T8yg/s1600/Assombro.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://4.bp.blogspot.com/-lXx_c0nW7U0/TiMu0Mf4xkI/AAAAAAAACGI/Rd7Jdj9T8yg/s400/Assombro.JPG" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Assombro, por Edu Campo (&lt;a href="http://aleprod.com/2010/09/25/assombro/" target="_blank"&gt;daqui&lt;/a&gt;)&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object align="middle" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://fpdownload.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/common/flash/swflash.cab#version=8,0,0,0" height="60" id="divmp3" width="340"&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="sameDomain" /&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.baixa.la/common/flash/divmp3.swf" /&gt;&lt;param name="wmode" value="transparent" /&gt;&lt;param name="flashVars" value="myFile=http://www.baixa.la/arquivos/5865386&amp;myTitle=001_-_agnus_dei_(samuel_barber_-_adagio_opus_11)_[samuel_barber].mp3&amp;myLink=http://www.baixa.la/sys.arquivo.php?id=5865386"&gt;&lt;param name="quality" value="high" /&gt;&lt;param name="scale" value="noscale" /&gt;&lt;param name="salign" value="lt" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#ffffff" /&gt;&lt;embed src="http://www.baixa.la/common/flash/divmp3.swf" allowScriptAccess="sameDomain" wmode="transparent" flashVars="myFile=http://www.baixa.la/arquivos/5865386&amp;myTitle=Agnus Dei (Samuel Barber - Adagio Opus 11) por Accentus&amp;myLink=http://www.baixa.la/sys.arquivo.php?id=5865386" type="application/x-shockwave-flash" pluginspage="http://www.macromedia.com/go/getflashplayer"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai ficar o homem de vestes rasgadas em desconsolo de pranto, esmagado ao chão de que nunca mais subirá. Os céus já só pertencem às aves, desorientadas e famintas. Está o homem de cócoras sobre os escombros daquilo que aprendeu a chamar civilização. Chora de cócoras com um corpo inerte ao colo num abraço de angústia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As bocas em gritaria dirão: é o fim-do-mundo. Mas este mundo escaqueirado apenas recomeça sem nunca ter conhecido efemeridade. O mundo está para lá das bocas abafadas pelo assombro do seu poder, e dos medos, e das cabeças que pensam, planeiam, projectam, mandam edificar e depois destroem. O mundo nunca lhes pertenceu, apesar de terem acreditado que o dominavam, que desaparecendo eles o levavam no mesmo destino. O mundo respirou sempre à parte, sem linhas da vida traçadas nas mãos. Sim, o mundo apenas recomeça, sem acrescentar à poeira e à lama qualquer tranche de esperança que até então a humanidade julgara ser a última a perecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai ficar o homem só porque desta vez se salvam apenas os que já não podem, e palas cresceram para além das orelhas e do nariz como autênticos apêndices nas cabeças das pessoas que nunca mais lhes permitirão olhar em volta. O homem fica chorando só, com as vozes e as luzes do passado plantadas na sua memória a lembrar-lhe como tudo fora e agora afinal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo capitulou: as sombras sobre as fontes frescas de agostos quentes, o aconchego do lar nos dezembros varridos pelas neves; as crianças em algazarra nos parques e o vento lidando no alto das árvores; as esplanadas oferecendo cerveja e as salas de concertos; as lojas, os bancos, as fábricas, as escolas e as igrejas, as câmaras municipais, os palácios governativos, os ministérios. O homem não sentirá os seus semelhantes pisando-lhe os pés, nem esbofeteando-lhe as faces ou agarrando-lhe o pescoço. Tudo o que havia dele fica na memória, sempre futura porque deixa de haver passado e presente. Tudo o que havia dele está no corpo abraçado ao sal das suas lágrimas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não verá o homem a cor do dinheiro, os prédios altos, aviões atravessando hemisférios, pontes ligando margens, mercados e centros oferecendo o que as pessoas não pensavam procurar. Emudeceram as sofisticadas máquinas (e as menos sofisticadas por misericórdia), voltando à sua condição de objectos, meros materiais inanimados que aspiraram um dia ser vida. Inutilidade é a sua única versão, o que resta escrito nos seus manuais de instruções. Esqueceu o homem o sofá creme de napa, os quadros nas paredes, o abat-jour antigo, os comandos remotos que davam acessos às cenas da televisão. Foram-se os tapetes de asfalto, e só para abrigo das incontroladas chuvas negras servem os automóveis parqueados sem alinhamento. Morreram as modas: vestir e calçar sem preceito, gravatas aniquiladas, saltos altos que desceram à terra batida, blasers ou paletós a servir de cobertores. Foram-se os gestos ponderados, os tiques, as formosuras, os bons modos. Não se pensa em obesidade ou anorexia. Não se pensa em comer. Não se pensa no que não há e no que se não tem. Os penteados entraram em desalinho, os lábios gretaram de sede, as unhas dos dedos farpadas de arranhar o chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mundo, no longe e escuro espaço entre cada corpo celeste, permanece como planeta azul. Azul porque os mares e o sol e a luz. Porque continua a ouvir-se o planeta sussurrando a sua trajectória com os demais congéneres. E um sussurro a mais agora se pode sentir, não sei se será cósmico, mas daqui sente-se, um sussurro que suspira com o homem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este homem não vai ter descendência. Será só, sem poder dar filhos aos donos dos escombros. Fica só e órfão o homem que percebeu que nunca deixara de ser o menino da sua mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É ela quem ainda mantém nos braços, morta de poeira e lágrimas, como se os séculos também tivessem deixado de existir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E dizemos adeus ao homem, porque esquecemos o até já, o até logo, o até amanhã, o em breve nos veremos. Dizemos adeus sem acenar porque estamos tão cansados dos braços e das mãos e das pernas que nem sabemos se somos vivos ou se alguma vez vivemos. Dizemos adeus ao homem sem acenar pois também não é necessário. Ele não vê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem dirá por fim uma oração. Vai orar pelos que foram e pelos que ficam, sós como ele agarrados a destroços, lambendo a lama de cinza e lágrimas. Dirá a última oração onde o nome de qualquer deus que seja não será lembrado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1152836680610411463?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1152836680610411463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1152836680610411463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1152836680610411463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1152836680610411463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/07/adagio.html' title='adágio'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-lXx_c0nW7U0/TiMu0Mf4xkI/AAAAAAAACGI/Rd7Jdj9T8yg/s72-c/Assombro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6948464377191411133</id><published>2011-06-26T02:15:00.000+01:00</published><updated>2011-06-26T02:15:41.586+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>o livro nas mãos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-tK9HdExs1fg/TgaHenKrxNI/AAAAAAAACF8/Lo5n3JHzjQg/s1600/bras.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="316" src="http://1.bp.blogspot.com/-tK9HdExs1fg/TgaHenKrxNI/AAAAAAAACF8/Lo5n3JHzjQg/s400/bras.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho o livro nas mãos, mas não o leio: serve-me apenas como pretexto – um álibi, posso dizer – para olhar de soslaio as pessoas que vão chegando à praia. Com os pés remexo a areia, procurando a frescura nos grãos mais húmidos, como forma de aliviar o calor que já se sente embora sejam ainda umas nove horas da manhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou de costas voltadas para o mar, não é o que me interessa, tão pouco que o sol abrase a minha pele lavada de branco&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(se nasci assim, porque quererei ter outra cor?)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a minha pele lavada de branco cuja pelugem espessa e escura atenua ou esconde a característica leitosa. O guarda-sol abre a sua sombra como árvore frondosa e acolhe ambos a mim e à minha mãe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mamã trouxe uma revista para se distrair. Ela vai à água, e unta-se dos óleos para o sol, e tenta arrastar-me para o mesmo, mas eu não cedo. Traz-me à praia argumentando que tenho de sair, mudar de ares, largar um pouco o teclado e o monitor do computador lá de casa com que passo a maior parte do meu tempo livre, ou quando não estou a trabalhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aborrecia-me de morte se fosse uma saída às compras, no shopping da zona. Renovar o stock dos meus pólos, das minhas camisas, das calças vincadas. É um tédio: vestir, provar as peças, a troca de palavras entre a minha mãe e as meninas das lojas palpitando a subida da bainha, o ajuste de uma perneira, ou a cor da camisola que combine melhor comigo, enquanto me olho com uma expressão amarga nos múltiplos espelhos das cabines de prova, ali assim, pateticamente à mercê delas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos meses quentes, quando a minha mãe me convence a sair do quarto para fazer uma manhã de praia já me agrada mais, e poupo nos resmungos, embora para mim seja sempre entediante, porque os calções já estão fora de moda, que são muito compridos, se quero a sande com fiambre ou queijo ou mista, se prefiro um sumo ou um iogurte, decide tu mamã, isso que me importa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De soslaio observo as gentes que se vão estendendo no areal, com as suas toalhas, os seus guarda-sóis, tapa-vento, lancheiras, mais os baldinhos de construções na areia que os putos tanto adoram e que até à adolescência a minha mãe sempre fez questão de me fazer acompanhar. De soslaio vou dedicando a minha atenção, roubada ao livro que só tenho como pretexto, aos corpos que se vão despindo, exibindo o que na maior parte do tempo escondem escrupulosamente durante o resto do ano. Barrigas proeminentes, traseiros abundantes e seios descaídos nas mulheres que passaram o tempo da sua formosura&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(ou quando a gordura era formosura)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com a pele das coxas sombreada pelas marcas das varizes e da celulite, mas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(e cá está a razão do livro como pretexto)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;são as esbeltas cinturas, os traseiros delineados como corações, as coxas torneadas, os bustos firmes e proporcionais, os cabelos doirados e a pele suave como os frutos de verão que observo com maior cuidado, surpresa e timidez. Baixo imediatamente os olhos quando uma delas me descobre a observá-la, e então o enredo do livro que finjo ler torna-se repentinamente deveras interessante, e folheio as páginas como um ávido leitor, obviamente que nunca interessado na leitura, nem sei que letras ou palavras ou frases ali estão impressas, apenas revejo a fugaz troca de olhares, o corpo tão delicado e ao mesmo tempo tão provocante, ali ao vivo diante de mim, tão diferente como quando as vejo na Internet, pela televisão ou nas fotos das revistas com que a minha mãe se distrai, está ali como que à mercê de um toque das minhas mãos, dos meus dedos longos, a curva do biquini na anca, o arredondado dos seios que saltam, quase nus, e o triangulo que me provoca as mais delirantes fantasias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando já passado algum tempo retiro os olhos da falsa leitura e finjo despertado por um ruído qualquer que me obrigue a levantar a cabeça, procuro novamente os corpos, tendo o cuidado para que nem elas nem a minha mãe descubram as minhas intenções. Só por isto gosto de vir à praia. Na vizinhança ninguém se fala, ninguém se vê, embora por vezes espreite pela janela as entradas e saídas da vizinha da frente, mais nova de todas, embora casada e com um filho já. Na pequena carpintaria onde trabalho também não há mulheres, só a dona Olinda, a guarda-livros, com a idade mais ou menos da minha mãe, e muito galhofeira para o meu gosto, e nem sempre lá está. Raramente aparece acompanhada da filha, mas não me desperta qualquer interesse. Demasiado branca, magra, cabelo escorrido e comprido, os olhos esbugalhados atrás de uns óculos ridículos…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá vem ela da água. Se soubesse nadar e não tivesse assim tanto frio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(vou molhar os pés empurrado pela minha mãe e quase só toco na água com as pontas dos dedos dos pés, arrepio-me todo, faça o calor que fizer, nunca mergulhei)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;talvez fosse muito mais excitante vê-las de mais perto, apesar da minha ridícula timidez&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(diz-me a mamã que tenho o feitio de um tio meu, não me fala do meu pai, esse não sei quem ele era)&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E nestes pensamentos, quase nem reparava no espectáculo que se desenvolvia bem à minha frente: ela tirou a parte de cima do biquini, deixando cair, assim suavemente, os seus seios redondinhos. Transpirando de embaraço e excitação, volto atabalhoadamente ao livro, mas com o entusiasmo deixo-o cair no chão, uma brisa folheia algumas páginas soprando a areia para dentro. A minha mãe ralha-me pelo descuido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(olha que assim estragas o livro que o teu padrinho te deu)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas nem ligo ao que me diz. Sacudo a areia, abro numa página qualquer e finjo-me uma vez mais numa leitura cuidada, com breves e curtas olhadelas à rapariga semi-nua que se vai virando na sua toalha de praia, procurando a melhor posição. Cresço dentro de mim. Mais uma vez a minha mãe vai estranhar a minha demora na casa de banho, logo, quando regressarmos a casa, do estranho silêncio quando digo que fui para o duche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(estás bem, filho? despacha-te, vá, que também quero ir aí)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas agora queria muito que a manhã não acabasse tão depressa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6948464377191411133?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6948464377191411133/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6948464377191411133&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6948464377191411133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6948464377191411133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/06/o-livro-nas-maos.html' title='o livro nas mãos'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-tK9HdExs1fg/TgaHenKrxNI/AAAAAAAACF8/Lo5n3JHzjQg/s72-c/bras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4478842727815173535</id><published>2011-06-21T19:51:00.000+01:00</published><updated>2011-06-21T19:51:16.844+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>violência doméstica</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-C1Qp1clBV24/TgDkjqxzz1I/AAAAAAAACFw/X062QV-XVio/s1600/violencia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://2.bp.blogspot.com/-C1Qp1clBV24/TgDkjqxzz1I/AAAAAAAACFw/X062QV-XVio/s400/violencia.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estendeu-se na cama, completamente nua sobre os lençóis, com a cara fechada e as palmas das mãos abertas como que oferecida a um sacrifício:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se me queres aqui me tens,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;assim, taxativamente, toda à minha mercê, como se eu fosse um bicho de grunhir e me plantasse nela apenas para satisfazer a necessidade animal. Fechou os olhos esperando, enquanto eu desenvolvia silêncios de espanto e sofria o punhal espetado no peito; afinal era isso o que ela queria, enfiar-me um punhal no peito. Uma provocação como todas as outras anteriores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não é assim que te quero, se fosse para isso pagava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como uma provocação leva a outra, depois das minhas palavras, lembrei-me de lhe retribuir o mesmo punhal, abrindo a carteira que estava na cómoda. Soltei três notas pequenas e atirei-as sobre o corpo exposto e oferecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Toma, deve ser isso que esperas. Pago-te o serviço sem me servir. Hoje não me apetece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E abandonei o quarto. Ao fechar a porta ainda a ouvi vociferar. A noite passou com uma insónia sobre mim, despojado no sofá, mas a porta do quarto não se abriu. Pela manhã, quando lá entrei novamente, ferindo o joelho no escuro contra o camiseiro, encontrei os olhos verdes dela, boca a vociferar violando o silêncio que podia ainda ser conciliador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo acontecera dias antes. Acontecer é uma maneira de dizer, na realidade apenas descobri o que vinha acontecendo há uns dois meses. Tinha tudo para desconfiar: as chegadas do trabalho a horas menos habituais, os atrasos cada vez mais constantes no infantário onde se esquecia que tinha o filho, encontros com amigas cujos nomes nunca tinha ouvido falar; enfim – todos os indícios imagináveis que toda a gente se habituou a reconhecer nas situações em que alguém anda a enganar alguém e, como sempre, o corno é sempre o último a saber, o coitadinho de olhos vendados. E eu tinha-os, bem vendados por um amor sincero, e uma criança de um ano que justificaria, julgava eu, um laço inviolável.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa venda tinha um dia que cair. As incongruências sucediam-se. As desculpas já não eram esfarrapadas, eram como que obscenas, para uma vida dedicada à família, com trabalho árduo, à construção do lar, à economia pequena que me tirava os mundanos prazeres. Decidi segui-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afinal saia à hora normal. Ao contrário do que ela dizia, a confeitaria não prolongara o seu horário. Fora fácil enganar-me quanto a isso, nunca lá tinha ido, era bastante afastada da zona onde morávamos e muito longe dos meus trajectos trabalho-casa. Era verdade no entanto o que ela dizia quanto à falta do pessoal. Quando ela saiu, na motoreta que tinha conseguido oferecer-lhe para lhe poupar aos atrasos do transporte público, e logo após uma outra motoreta ter partido do mesmo local, a confeitaria ficara apenas com uma pessoa lá dentro, atendendo os últimos clientes, e ostentava um cartaz na vitrina, pedindo duas novas empregadas de balcão. Teria sido aquele dia uma excepção, teria conseguido sair no horário normal? Estava com um carro emprestado e ela nunca suspeitaria, pelo que continuei na minha perseguição, que me soava a absurdo, um marido perseguindo sorrateiro a sua mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pude verificar logo nos primeiros metros da estrada que as duas motoretas seguiam no mesmo ritmo, viravam nas mesmas direcções em cada cruzamento, alinhavam-se nos sinais fechados. Os capacetes moviam-se ao encontro um do outro. Na outra motoreta seguia um homem, uma silhueta masculina. Mais adiante os dois motociclos dobraram uma esquina apertada, que verifiquei depois tratar-se de um atalho que o carro nunca conseguiria atravessar. Fim do meu percurso?, indaguei. Estacionei e aventurei-me a pé pelo trilho de terra batida. Logo ali, num fundo escuro que a sombra cobria à medida que a tarde ia findando, vi as motoretas no descanso. Ela estava por ali com alguém. Ela estava por ali com um homem. Era a resposta para os atrasos e para as desculpas. Ela, a mulher que me dera um filho, a que partilhava comigo o mesmo tecto, a mesma cama, estava por ali, escondida na sombra a fazer sabe-se lá o quê com alguém que eu não conhecia. Ansioso, avancei, com dificuldade em imaginar o que ia encontrar, e o que iria fazer e dizer se todas as suspeitas se confirmassem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cautelosamente fui chegando perto do local onde descansavam as motorizadas. Agachado. Com um medo absurdo de ser apanhado na minha intenção sorrateira, quando as circunstâncias apontavam para o contrário. Não era eu que prevaricava, eu era apenas o parvo que confiava nela. Mas se queria provar alguma coisa teria de avançar assim, convencido que só um flagrante me faria acreditar o que pudesse ser dito por outros. Havia um declive no terreno, que dava para um edifício em obras. Aliás, uma obra embargada, o esqueleto de um edifício embargado, estereótipo do covil urbano da delinquência, dos enjeitados, dos marginais, dos drogados. Vi-os por fim. Fumavam ambos. Ela que nunca fumara, e me obrigara a deixar o vício porque era um desperdício de dinheiro e saúde. Ouviam-se as gargalhadas dela. Enfureci-me. O puto no infantário à espera que o fosse buscar, e ela ali a fumar e a rir-se com um estranho. Resolvi acabar com aquilo e avançar para eles, quando os vejo a envolverem-se num longo abraço. Parei. Paralisado pelo desgosto. E fiquei ali, especado, feito estúpido a observar os avanços das mãos dele no corpo dela que era também o meu. E os avanços das duas bocas que se esmagaram sofregamente. Assim, ali à minha frente, alheios a tudo, num lugar onde tudo podia acontecer. Fui avançando devagar com as pernas tremendo como varas, tão fracas, como se um medo tivesse possuído o meu corpo. Sentia latejar-me a cabeça e o peito convulsionado por um coração enfurecido. E fui avançando sem tirar o olhos daquela cena que me enojava, e sem que eles parassem de se esfregar um no outro. Avancei até bem perto, mas ambos estavam tão excitados que não deram conta da minha presença. Chamei-a pelo nome e só tive a certeza de que a minha voz conseguiu realmente articular som quando ela, num gesto brusco, se solta dele e fica a olhar para mim estupefacta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei contar o que aconteceu depois, tal foi a cegueira da raiva e do ciúme. Lembro-me de uma azeda troca de palavras, inicialmente, depois o meu punho direito fechado contra o maxilar dele, um punhado do cabelo dela na minha mão esquerda, gritos, no meu estômago um dor súbita provocada por um pontapé, humidade na minha cara, cuspida por ela. Ele fugiu, montou a sua motoreta e desapareceu. Arrastei-a por um braço para fora da vereda. À resistência dela em entrar no automóvel, esmaguei a minha mão sobre o seu rosto, abrindo-lhe um lábio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então todos na família ficaram a saber, ou fingindo só agora saber o que já sabiam. Ela não queria voltar comigo. Disse que refaria sua vida de novo, que iria buscar o menino e ia viver em casa da mãe, enquanto não encontrasse uma para ela. Eu, desfeito pelo desgosto mas acreditando que o meu amor pudesse vencer, ainda implorei que voltasse, confessando-lhe o mesmo amor cego, que a queria, que a queria muito. Dois dias depois, convencida pela mãe que esgotou todos os conselhos e argumentos para que um lar não devia ser desfeito assim, que não menosprezasse o meu amor, que afinal ela até era uma grande sortuda por eu ainda a querer, voltou para casa, ao fim do dia. Perdera o trabalho, ou deixou-o. Conversámos. Quis saber por que eu ainda a amava, depois do que se passou. Dei-lhe as minhas razões, calmamente, olhando para o nosso filho como a apontar a maior razão de todas. Ela sempre de cara fechada, como que contrariada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Queres-me para ti, é isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quero-te para nós, quero-te sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não disse mais nada. Tratou do menino, arrumou algumas coisas, enquanto eu esperava angustiado por uma palavra de ternura. Disse então que me esperava no quarto. Suspirei, mas ainda não aliviado. Quando enfim entrei no quarto, lá estava ela, deitada, nua, de pernas abertas, a carapinha do púbis molhada depois do banho, ainda se sentia o cheiro adocicado do sabonete e a ténue névoa do vapor da água quente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se me queres aqui me tens.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi as palavras que me disse. As últimas antes da noite de insónia, as tais do punhal espetado no peito, e do dinheiro que joguei sobre o corpo dela brincando às putas. E quando de manhã entrei novamente no quarto, os seus olhos verdes faiscando-me, dou uma joelhada no escuro de encontro ao camiseiro, e sem sequer me deixar recuperar da dor, vociferou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Seu grande corno, palerma, porque não me deixas viver a minha vida?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois disso nada mais disse. Cego de raiva por ela, por mim, pelo mundo, avancei sobre a cama e os socos que lhe dei calaram-na para sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4478842727815173535?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4478842727815173535/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4478842727815173535&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4478842727815173535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4478842727815173535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/06/violencia-domestica.html' title='violência doméstica'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-C1Qp1clBV24/TgDkjqxzz1I/AAAAAAAACFw/X062QV-XVio/s72-c/violencia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2919949460044844037</id><published>2011-05-29T17:18:00.002+01:00</published><updated>2011-05-29T22:07:00.799+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='05 Maio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>tiques da inocência perdida na casa assombrada de mim</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-vV6vyoCb2sM/TeJwb7kAXDI/AAAAAAAACFg/awOhyTt2ZVA/s1600/work.1192609.1.flat%252C550x550%252C075%252Cf.analysis-of-intimacy-shadows-in-my-house.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;" target="_blank"&gt;&lt;img border="0" height="300" src="http://1.bp.blogspot.com/-vV6vyoCb2sM/TeJwb7kAXDI/AAAAAAAACFg/awOhyTt2ZVA/s400/work.1192609.1.flat%252C550x550%252C075%252Cf.analysis-of-intimacy-shadows-in-my-house.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Analysis of Intimacy: Shadows in My House&lt;/i&gt;, por &lt;b&gt;melonyb&lt;/b&gt; em &lt;a href="http://www.redbubble.com/people/melonyb/art/1192609-analysis-of-intimacy-shadows-in-my-house"&gt;RedBubble&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perscruto o céu franzindo o olhar e nada de novo: sol de pouca dura, nuvens zangadas, as mesmas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(serão afinal eternas?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nuvens parindo sombras na parede. Os rostos que passam por mim nos dias comuns deitam-me à indiferença como se aos poucos tivesse deixado de existir para uma quantidade considerável de outros. São os olhares das mulheres, porém, que mais me magoam. As lindas jovens mulheres, raparigas, enfim, que me passam pelo olhar e o evitam como se no meu rosto existissem dois buracos de negro e assustador abismo. Sei que não é isso, antes sentimentos de pudor misturados com o asco de um velho a tentar seduzir meninas. As meninas que eram a minha paixão e agora me condenam a deixar para trás uma inocência que nunca quis perder.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São os anos que passam, e o corpo, antes de se decompor quando vier a hora certa, começa primeiro a descompor-se. Não adianta o paleio do exercício e alimentação equilibrada que esses apelos a uma vida saudável não travam nada. Não deixam que o tempo avance, pois isso queria eu parar. Pois se aos quarenta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Que vem a ser isto aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Onde?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aqui, na tua cara… oh!, são pêlos brancos da tua barba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Reflexo da luz?...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tens também nas sobrancelhas, agora vendo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Reflex…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já para não falar nas do cabelo, com essa entradas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ... ok.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;já nos pregueia a pele onde antes lisa, e aos cinquenta as primeiras falhas de memória quando tudo era tão ontem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Não bebas tanto),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que é a idade dos setenta senão o princípio de um declínio que nunca devia acontecer na vida de uma pessoa? O jeito inseguro de manter uma erecção que se veja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Não bebas tanto)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e ejaculações frustrantes passados poucos minutos, é o que me vai restando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia doenças a que não ligava puto, outro dia cansaço e dores nas costas, o apelo constante do cigarro e as barras do alpendre bebidas de ferrugem porque deixei de reparar nelas como não reparo no gotejar de uma torneira em falência, duas ou três telhas desajustadas deixando a água dos temporais infiltrar, rachadelas nas paredes, os vasos já tão secos de nada como se os desertos também se pudessem representar como o fazemos aos prados floridos para não nos gastarmos de tanto betão e asfalto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda mais as palavras que tardam a chegar: ao pensamento, à boca (aqui tão desarticuladas que quase sempre me apetece carpir o silêncio de mim), e aos dedos, na letra trémula de um puto que começa a desenhar as primeiras letras. Adormecer sobre os livros. Evitar outonos e invernos com mais medo. Medo constante de&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Não fumes tanto),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o medo constante de um dia os médicos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Não fumes tanto), &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o medo perene, agora, de tudo acontecer, quando tudo se vê acontecer aos que connosco ainda chegaram até este presente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Sabes quem morreu? O Moreira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Moreira morreu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, vê lá. Uma saúde de ferro, um dia chega a casa de um passeio, diz que se sente mal disposto e momentos depois morre. Assim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Detesto que me contes essas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tão novo…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Detesto, Marília.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É a vida…)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A vida. E onde está a minha? Ou em que fase se encontra?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada de novo: sempre quis fugir das sombras, mas sou eu já que eclipso o sol nas paredes desta casa assombrada de mim. Desejo tanto um amor jovem. Sentir nas mãos o vigor dos seios alvos para os afagar ofegante da descoberta. O perfume da juventude. O aroma da carne rosada, quase virgem. O útero imaculado para onde pudesse regressar. E deixar o passado acontecer num futuro ainda longínquo como quando, aos dez anos, me parecia impossível que a idade dos velhos me afectasse.&amp;nbsp;Os velhos sempre teriam sido velhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje não sei o que esperar. Apenas desejos: imorais porque se foi a inocência. Guarda o jornal, Marília, não quero saber do mundo. Mais tarde ou mais cedo ele virá para me pedir contas. E engolir-me numa imortalidade de esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2919949460044844037?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2919949460044844037/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2919949460044844037&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2919949460044844037'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2919949460044844037'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/05/tiques-da-inocencia-perdida-na-casa.html' title='tiques da inocência perdida na casa assombrada de mim'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-vV6vyoCb2sM/TeJwb7kAXDI/AAAAAAAACFg/awOhyTt2ZVA/s72-c/work.1192609.1.flat%252C550x550%252C075%252Cf.analysis-of-intimacy-shadows-in-my-house.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5907055863188512633</id><published>2011-04-07T22:02:00.001+01:00</published><updated>2011-04-07T22:05:24.460+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>a primavera ainda só lá fora</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="335" src="http://www.youtube.com/embed/APfiKfAf8Lo" title="YouTube video player" width="506"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra vez a primavera explodindo no meu corpo e nas emoções que venho carregando ano após ano, sem nunca esquecer o nefasto dia em que estivemos um perante o outro para a despedida, o voltar de costas doloroso, que continua magoando, mesmo quando os ciclos se completam e todas as outras pessoas, objectos, factos e eventos vão passando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;the same old song again&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E as noites a mesma constante: pardas e solitárias. Por mais que não queira ouvir repetir-me, por mais que tudo tenha vindo a perder sentido, é o mesmo desejo que me persegue. Ver-te, sempre uma vez mais para que o cumprimento dessa promessa que fazes por dó, de estar comigo uma última vez, consiga vencer a efemeridade que tenta afastar-nos definitivamente. Um último momento repetido até que se deixe de fazer caso, e continuarmos a rever-nos por um hábito adquirido, um vício que custe largar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;I wanna hold you once again&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto por nada mais que o tão simples afago que espero das tuas mãos, beber do teu rosto calado e resignado, porém tão consolador, a fugaz alegria de ter nos braços. O teu colo. Uma vez mais o teu colo dentro do beijo e o calor dos corpos carpindo a dorida saudade. Porque a primavera é só ainda lá fora, meu amor; aqui comigo continuam morando as monções, o negro luto das chuvas frias. E tu sabes tão bem como o mundo me magoa, como tudo não passa de um equívoco, se nada for contigo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;stay with me tonight until the sunrise&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O teu colo, Matilde, o teu colo: concede-me o teu colo e poderás abreviar-me o sofrimento que o mundo contigo me instiga, ano após ano. Um dia virá o inverno da minha vida e então aí deixarei de te pedir a primavera. Até lá, concede-me novamente a eterna última vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5907055863188512633?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5907055863188512633/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5907055863188512633&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5907055863188512633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5907055863188512633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/04/primavera-ainda-so-la-fora.html' title='a primavera ainda só lá fora'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/APfiKfAf8Lo/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5443027709434834417</id><published>2011-03-19T22:07:00.000Z</published><updated>2011-03-19T22:07:49.884Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frugalidade'/><title type='text'>a lua mais cheia segundo um poema para a rosa</title><content type='html'>&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qU9pK4XKyvw?hl=pt&amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qU9pK4XKyvw?hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lua cor de cobre adensada no manto frio da noite: revelas além da luz que enalteces&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(como se dissesses – &lt;i&gt;eu, ufana&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;outros brilhos que os meus olhos raramente alcançam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além andrómeda, acolá vaidosa a nebulosa de oriente, e as plêiades de luz borbulhando. Abres os braços, dominando, e levantas o véu do céu que guardas. E tantas!, ó lua, tantas verdades ficam ainda esquecidas; quanta lassidão e tristeza que tão mal se escondem nessa luz que é tua atrás de um outro lado obscuro de memória astral…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viste a lua, Rosa? Vaidosa, escondeu a penumbra com a prata do seu brilho para te encantar com a luz de andrómeda ou aquela nebulosa chamada oriente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o céu inteiro ficou grande perante o teu olhar curioso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;de onde vens, e porque és&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Orgulhoso, o céu se desnuda perante ti. Pinta-lhe o retrato, que bem o merece, e mancha-o de toda esta luz que te sorri.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viste a lua, Rosa? Se não, deixa, porque eu também não vi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5443027709434834417?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5443027709434834417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5443027709434834417&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5443027709434834417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5443027709434834417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/03/lua-mais-cheia-segundo-um-poema-para.html' title='a lua mais cheia segundo um poema para a rosa'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4757651518258602590</id><published>2011-02-23T21:14:00.001Z</published><updated>2011-02-23T21:25:49.344Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='02 fevereiro'/><title type='text'>há dias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oDo7W6waA44/TWV36hi8GtI/AAAAAAAACFQ/eAvaULgkL2k/s1600/691164.ceaf3e46.560.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="267" src="http://4.bp.blogspot.com/-oDo7W6waA44/TWV36hi8GtI/AAAAAAAACFQ/eAvaULgkL2k/s400/691164.ceaf3e46.560.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há dias em que escrever é um terrível sacrifício. As palavras desentendem-se, exaltadas e confusas, e por isso, em vez de escrever, enrolo-me num cobertor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(talvez fume um ou dois cigarros no intuito de fazer adormecer as palavras, mas sou eu quem boceja)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e aconchegado a uma solidão pateta, construída por paredes de sombras paridas na frieza do entardecer, ligo a televisão e afundo-me na morrinha de um programa qualquer a que não presto atenção porque as palavras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desentendidas, exaltadas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;distraem-me e levam-me por becos e travessas de pensamentos, articulados e fazendo todo o sentido ao princípio, mas fragmentando-se e distribuindo-se depois pelas sombras que me vão pesando as pálpebras enquanto a retina dos olhos parece ainda fixa na claridade do televisor, de que nada entendo, e já não ouço, entrando assim numa vigília atormentada por fragmentos de sonhos. E as palavras ainda desentendidas, exaltadas, tomam corpo dentro do sono que se adensa, se aprofunda, e quando dou por mim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(sem dar realmente por mim, sou um corpo adormecido dentro do rolo do cobertor, iluminado pela claridade do televisor e embalado pelo ronronar das vozes que dali saem)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estou entre a confusão alarmada das palavras, recusando-me a tomar partido de qualquer das partes divididas entre o escrever e o não escrever, entre o querer tudo e nada dizer; e sem perceber patavina do que estas palavras divididas pretendem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Quem vos evocou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sinto uma aflição a espalhar-se por mim, pois entretanto algumas das palavras embuçadas pelas sombras que o fim de tarde pariu, portanto, palavras embuçadas, transformadas em vilãs, extorsionárias, impiedosas, violentas, fazem um cerco à minha volta, eu todo aflições,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Quem vos evocou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;querendo correr e a distância, ao invés de encurtar, cada vez maior, porque maior agora a escuridão, maior a patética solidão, maior o meu desespero enrolado num cobertor de palavras vilãs,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Quem vos evocou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu chorando, convulsivamente chorando, emocionado pela morte de alguém que estas palavras por má fé quiseram desde sempre esconder,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(exaltadas, impiedosas)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o meu pranto convulso rebentando uma nascente de água salgada onde, por vingança, quero afogar todas estas palavras que me cercam, me sufocam, porque não palavras, já não palavras que se desentenderam, são sombras que a televisão não soube matar com a sua claridade, é a solidão que me violou os sentidos enquanto eu pateta, questionando às palavras rebeldes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Quem vos evocou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(por isso é um terrível sacrifício escrever devido à pardacenta luz do entardecer, cruelmente entorpecedora).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando os meus soluços enfim a cessar e eu conseguindo entreabrir os olhos molhados pela dor, por essa morte encoberta que as palavras barraram, esconderam, fazendo-se desentendidas quando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Quem vos evocou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;foi então que revelaram&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– É o meu pai, é o meu pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;como que a explodirem, elas agora agonizando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Foi o teu pai, foi o teu pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Foi o pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– O pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pai!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e acordo porque está a minha filha ao meu lado, mexendo-me, chamando-me&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pai!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desenrolando-me lentamente do cobertor parido de sombras. Uma luz do tecto acende-se e é a minha mulher com um sorriso nas mãos, que me afaga o cabelo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Estiveste a dormir, querido?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e é assim que regresso à presença do televisor ronronando, a minha filha, na sua voz ainda frágil,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pai, estiveste a dormir?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu, afastando já as palavras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(exaltadas, desentendidas)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;liberto-me da patética solidão porque já não sombras, já não aflições e desesperos, já não lágrimas e prantos, agora tudo claro: quando me ergo a sorrir para beijar a minha filha, ela, na sua voz ainda frágil do bebé que já não é,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pai, estiveste a chorar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De modo que… há dias em que escrever torna-se um terrível sacrifício.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4757651518258602590?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4757651518258602590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4757651518258602590&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4757651518258602590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4757651518258602590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/02/ha-dias.html' title='há dias'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-oDo7W6waA44/TWV36hi8GtI/AAAAAAAACFQ/eAvaULgkL2k/s72-c/691164.ceaf3e46.560.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5038425684887196190</id><published>2011-01-25T21:05:00.000Z</published><updated>2011-01-25T21:05:58.545Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><title type='text'>às vezes</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TT860Gt4A7I/AAAAAAAACFI/xS86gLOgupU/s1600/penumbra.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TT860Gt4A7I/AAAAAAAACFI/xS86gLOgupU/s1600/penumbra.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: Arial, Tahoma, Helvetica, FreeSans, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 15px;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana;"&gt;Luar © J&lt;/span&gt;Vieira&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar de tudo, a mesma melancolia. Não evoques o sol e o verde nas árvores, porque este sol ainda nada aquece e as árvores de folha caduca só não caducaram de vez porque vão continuando de pé. Não quero desiludir-te mas não importa se o faço: eu vou enrolando os cobertores na cama onde temperaturas tropicais me fazem sonhar sobre os paraísos que ainda não conheci. Vou tão cansado do vento a cortar frio o rosto e as mãos, vendo as pessoas pobres a mendigar de farrapos sobre o corpo, e por mais que enrole os cobertores não as vejo de olhar mais feliz. Vou cansado da luz troçando de mim no soalho e se um pé de fora o corpo imediatamente todo tremeliques. Que mariconço me saíste, pensarás, a aconchegar-me com mais uma mantinha sobre a cama e os infelizes sem deixar de tremer uma esmola deixada nas mãos farripas. Nem quero que subas os estores e corras as cortinas. Deixa-me nessa penumbra amiga que conheço há tantos anos, a minha concha, o meu refúgio, ficando a iludir-me que se o mundo não me vê o mundo não é assim, poderá ser diferente quando um dia quiser enfim levantar-me e deixar o clima tropical enrolado nos cobertores. Que importa haver sorte, felicidade, amor, bem-estar, se entre isso há tudo o que é o seu contrário? E porque hei-de eu importar-me com isto? E porque hei-de importunar-te com estas coisas? Não sei que dizer-te. Podes sempre sair. Dói-me, não sei se me entendes. Dói como deixar a mão regelando com o vento seco e frio de janeiro. E quando me dói, regresso à infância dos medos, dos sustos, da ansiedade. Regresso ao centro da ferida. Regrido a um leito doente, entre as febres tropicais da cama enrolada nos cobertores com milhares e milhares de pobres de farrapos no corpo. Deliro e dói. E fico na esperança tonta de, uma vez infante novamente, uma vez mais inocente a morrer, me veja tornado anjinho do senhor com ganas de entornar o mundo e encher a taça de um novo vinho. Regenerado. Mas o senhor vem castigando-me desde tempos que nem sequer conheceste. Vou estrebuchar, ranger os dentes, gritar para dentro, lutar contra uma ressaca inventada mas saberei encontrar-te quando enfim a tal janela se voltar a abrir, e entre jardins novos reencontre o sentido de cá continuar. Sai, deixa agora a penumbra entrar e sai tu, que és do mundo. Eu só o sou às vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5038425684887196190?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5038425684887196190/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5038425684887196190&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5038425684887196190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5038425684887196190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/01/as-vezes.html' title='às vezes'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TT860Gt4A7I/AAAAAAAACFI/xS86gLOgupU/s72-c/penumbra.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5035746731591202852</id><published>2011-01-15T22:54:00.000Z</published><updated>2011-01-15T22:54:33.815Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autobiografia'/><title type='text'>paternidade II</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-7b007b9ede593095" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v23.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7b007b9ede593095%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331175168%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D641D07560F656D2F7EC1ACB4D3ADEEE6814413D3.4CA3F64086F13F6DB04A746E7019BB85C5A0E75F%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7b007b9ede593095%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJPFUmQv33H6QT4Akpcf9RoFzOf4&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v23.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3D7b007b9ede593095%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331175168%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D641D07560F656D2F7EC1ACB4D3ADEEE6814413D3.4CA3F64086F13F6DB04A746E7019BB85C5A0E75F%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D7b007b9ede593095%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DJPFUmQv33H6QT4Akpcf9RoFzOf4&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dei conta de os dias terem crescido minutos uma vez que janeiro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- salto do cordeiro!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas não foi apenas pela temperatura amena e pelo facto de as nuvens terem dado tréguas nestes últimos dias, ainda o ano a dar os seus primeiros passos, para que nestas longas horas tenha tomado o gosto à primavera por vir: foi mais um ramo que de mim brotou, antecipando-se aos botões por desabrochar nas árvores esquecidas pelas neves do inverno. Veio do quente e fecundo útero da mãe para os braços do pai que o ampara no esplendor do mundo, desse que ainda é, do qual ainda se garantem esperanças.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A felicidade tem momentos pequeninos, dos que acontecem todos os dias e a toda a hora, sem que tenhamos tempo para neles reparar. Este meu momento ao qual nunca teria sido alheio, tem o meu rosto regredindo quarenta anos, trazendo-me a segurança de uma imortalidade para além do corpo. A felicidade pode ser a alvorada anunciada num vagido ainda que acontecendo aos primeiros minutos de uma tarde bem luminosa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(que bom: agraciado pelo sol).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A felicidade leva o meu nome no mundo, por quantas gerações lhe seja concedido. São momentos breves, mas tão intensos, ternos e calorosos que a memória jamais poderá renegar. Os dias cresceram, bem os senti, com um ar fresco de alento, de reanimação do mundo, do meu mundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(sorriu para mim: que bom, fui agraciado pelo sol).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias vão crescendo e eu irei assim embalado, renascido, e a crescer devagar com eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5035746731591202852?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5035746731591202852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5035746731591202852&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5035746731591202852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5035746731591202852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2011/01/paternidade-ii.html' title='paternidade II'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1842149791431260462</id><published>2010-12-30T22:20:00.001Z</published><updated>2010-12-30T22:30:13.544Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>pseudo-aforismos de fim de ano (ou: mais um textinho antes que o ano acabe.)</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TR0E5_Mly-I/AAAAAAAACE4/-EC6qsXGZFs/s1600/3834615471_1d34eb50af_o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="297" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TR0E5_Mly-I/AAAAAAAACE4/-EC6qsXGZFs/s400/3834615471_1d34eb50af_o.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Lá vem chuva&lt;/i&gt;, por Myriam Vilas Boas - &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/myriamvilasboas/3834615471/"&gt;Flickr&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ladainha da chuva num ritmo de conta gotas teimoso a reverberar as últimas horas do ano. Chegado o inverno, as geadas, o nevoeiro e a neve anulam qualquer aroma de terra, mas eis que se renova ao fim de cada solstício, deixando devagar que medrem as ervas daninhas, mais viçosas agora que nos dias prolongados do verão. As sementes ficam no seu limbo a afastar a ideia que a morte é um acto definitivo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No hemisfério de cá chove e faz frio, um tom plúmbeo enche as tardes como que madrugadas antecipadas, e a iluminação pública não espera, por exemplo, que se deixe os pratos limpos do almoço. Os dias mais pequenos, e o tempo que parece célere. O céu assim pardo reflecte o cansaço do mundo nesta latitude. Não são só os noticiários com as medidas de austeridade de um governo político perante uma crise financeira os únicos a contribuir para o ambiente mais pesado de uma quadra pretensiosamente feliz e iluminada. Na verdade, e pelo que nos é dado a observar, até parece que esse factor está a passar ao lado da maioria, salvo algumas misérias que já as telhas não conseguem esconder muito. E quanto a isto, fica a incerteza de colocar aqui qual dos advérbios: feliz ou infelizmente. Passe a incerteza dos bolsos dos que vivem no nosso rectângulo territorial, o que me parece é que cada vez mais, e de ano para ano, tudo se vem tornando ainda mais cinza que a pedra granítica ao norte ou mais amarelo e gasto que o purgado da desertificação a sul. As grandes cidades erguem bandeirolas de impérios de betão, vidro e tráfico conjugados com a febre consumista que muito intriga a quem se dá ao trabalho de analisar que estamos num fosso financeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha observação constata que o peso do ar pardo das tardes invernosas se agrava no olhar das pessoas que se cruzam inquirindo aos seus botões se o seu umbigo estará mais ou menos satisfeito, colocando a boca torta que não se sabe se é prenúncio de enfermidade grave ou apenas um sorriso amargo. Sem querer fazer analogias tolas e fora do contexto sobre os acidentes graves que assolam as nossas estradas, as pessoas atropelam-se, chocam, capotam, esmagam-se, fazem enfim das tripas coração para agradar a esse semi-deus que quer soltar amarras para dominar o mundo completa e definitivamente. Descansem os crentes das fábulas supersticiosas do rei do mal, pois satanás, coitado, nada tem que ver com o assunto. Essa entidade meio divina, meio humana, mas tão velha quanto o mundo, que vem cada vez ganhando mais força e autonomia, é o umbigo que cada um carrega consigo. Para onde os olhos, encerrados entre palas como os jumentos, só conseguem enxergar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É fim de ano, e o calendário é apenas mais um signo como tantos outros que as sociedades humanas foram inventando e adaptando aos seus interesses. De forma natural os anos completariam o seu ciclo no advento de cada primavera. Deviam ser os equinócios a cortar os anos em dois semestres e não os solstícios. Pela simples razão que, a cada solstício de verão tudo amadurece, e a cada solstício de inverno tudo apodrece. Não só as coisas as que nos habituamos de chamar da natureza como as nossas próprias cabeças. O ser humano devia hibernar como outros mamíferos, e apenas laborar nos meses em que se renasce e se retoma a &lt;i&gt;viçosidade&lt;/i&gt; (esta palavra não existe), para que resultados mais positivos fossem apanágio da nossa espécie. E mal as acções começassem a dar sinais de amadurecimento, antes que caísse o bom fruto no apodrecimento precoce, adormeceríamos até que a neve voltasse a derreter, quatro ou cinco meses depois. No mínimo, era uma poupança efectiva de energia e dos recursos naturais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Finda o ano, dizia, e os dias esgotam-se sem luz natural às quatro horas da tarde. E anoitecendo o frio, entristece-se a alma. Não se esgotam, porém, as longas filas de trânsito. De onde vêm, para onde vão todas estas pessoas? Esgoto-me ao entrar em casa. Tem momentos que o que gostaria de fazer era aterrar no sofá e passar por uma espécie de coma benigno, despertando para sacudir os músculos e sorver um café quando nascesse uma magnífica e esplendorosa manhã. Limpa e clara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada disto era suposto: não a ladainha da chuva como signo – mais um – a separar ano velho de ano novo. Tudo agora é assim porque ao termos inventado o relógio já nada tem outro significado que não seja a certeza que o tempo passa, e pesa. Hoje, dezembro e inverno neste hemisfério. Que interessa, se é verão do outro lado do mundo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto disse eu. Mas não sei muito bem por e para quê. É o ano que se esvai, e a cabeça e o engenho não estão nos seus melhores dias. Passem bem de um dia para o outro, com essa vantagem mágica de que a diferença de um segundo faz acontecer esquecermos um ano que passou – sempre mau – e de outro que começa, tradicionalmente cheio de esperança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1842149791431260462?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1842149791431260462/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1842149791431260462&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1842149791431260462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1842149791431260462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/12/pseudo-aforismos-de-fim-de-ano-ou-mais.html' title='pseudo-aforismos de fim de ano (ou: mais um textinho antes que o ano acabe.)'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TR0E5_Mly-I/AAAAAAAACE4/-EC6qsXGZFs/s72-c/3834615471_1d34eb50af_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5327497431052908586</id><published>2010-12-11T22:09:00.001Z</published><updated>2010-12-11T22:11:17.721Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>nobre besta</title><content type='html'>&lt;object height="311" width="510"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/5pr6AbJ9Ij0?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/5pr6AbJ9Ij0?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="510" height="311"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia senhor Alcino, vamos a acordar? São horas da medicação…&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Acorde senhor, então? Ainda temos de mudar a fralda.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Senhor Alcino, está a ouvir-me?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Chiu! Já me acordaste! Olha uma parada de bestas.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Quais bestas, senhor Alcino, olhe que não somos bestas!&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Não és tu, as que estão ali na parede.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro vem uma tontura a atrapalhar o andar, a forma de levantar da cama ou quando se sai do banho. Como se fosse uma quebra de tensão, e instantes depois a cabeça a latejar. Mas só a partir do primeiro momento em que a corrente de uma sinapse se quebra&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Alguém tem uma pilha ou uma vela?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Foste ver o quadro?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Acho que é geral.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Preciso de um fósforo ou isqueiro aqui.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Há luz na rua…&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Não te esqueceste de pagar a conta da electricidade, pois não?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Se eu me esqueci?!&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Vá, esqueceste-te ou não?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Não me lembro…&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é que acontece que um rosto pode mudar de feições ou então feição alguma, uma silhueta negra, anónima, como quem cometeu um crime de que se envergonha e vem falar aos programas da manhã da televisão sem coragem para mostrar a cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Troco uma e outra vez o nome de algumas ruas, entro na padaria quando afinal queria aviar uma receita do médico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Isso da memória é normal da idade, o senhor não vai para novo, tome estes comprimidos e vai sentir-se melhor.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas dizem-me olá e bom dia e boa noite e eu vou respondendo cheio de simpatias, mas com dó delas que, coitadas, andam a confundir-me com sei lá quem, deve ser a barba comprida, a mesma roupa, talvez seja o cabelo. Esqueço pontualmente onde deixo a chave do carro, e a conduzir mexo constantemente na caixa das velocidades, reduzo de quinta para segunda convencido que é a terceira que devo introduzir, e o carro lamentando em roncos constantes e solavancos de que vou queixar-me ao mecânico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Parece-me tudo bem, senhor Alcino, não vejo nada de mal no carro.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então depois de ter esquecido a hora do almoço ou que afinal hoje é sexta-feira e não sábado, atrapalhado e irritado por estar já três horas atrasado para o trabalho, surgem os bichos caminhando meticulosamente pela parede, nos cantos escuros, atravessando o chão na calçada, e no entanto a parede vazia, nos cantos só o pó, e a calçada apenas manchada pela chuva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Preciso de usar óculos, doutor?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Que letras vê na primeira linha?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Aquilo ali são letras, doutor?&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perde-se a noção do tempo: sei lá que dia é hoje, em que mês estamos,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Com esta chuva, deixa ver… abril? março?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Dezembro, pai, estamos em dezembro.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Como dezembro, nem está sequer frio!&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e os anos então,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Claro que sei o ano, é mil… mil novecentos… e noventa… Não é? Quê? Noventa e quatro, não?&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sem dar conta que afinal o João não é o meu irmão, mas o meu filho mais novo, se tenho um irmão chamado João não sei, nunca fomos apresentados. Os meus pais há que anos morando entalhados no cemitério e eu convencido que a minha mãe sentada numa cadeira à minha frente, mentindo-me com os dentes todos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Sou a tua irmã Irene, lembras-te de mim, Alcino?&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isto é nada mais que bichos, insectos dia e noite, formigas, escaravelhos, aranhas, centopeias, gafanhotos, baratas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(minto: são mais escaravelhos, são carapaças duras dentro da minha cabeça, que diabo faz um escaravelho no meu sonho?),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e os bichos atravessam-me as emoções, roem-me a alma de tão tenra e mimosa, suspendem os sons e as imagens nas minúsculas patas, e sinto que me levam arrastado com eles nas suas couraças de quitina, até que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;até que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;acho que deixo de despertar, ou então de adormecer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Que tenho eu afinal?&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Sofres de Alzheimer.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Alzheimer? Que é isso?&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso que será nome de um insecto qualquer muito exótico a movimentar as pinças e as antenas, num bailado perfeito de paciência. Têm uma paciência enorme, estes bichos. Conseguem apodrecer-me a alma e aguentam com valentia e grande dignidade as misérias do meu corpo. Na volta nem preciso de morrer, os bichos fazem a morte por mim. Que altruísmo, para um bicho tão pequeno.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;- Nobre besta, esse Alzheimer.&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5327497431052908586?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5327497431052908586/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5327497431052908586&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5327497431052908586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5327497431052908586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/12/alzheimer.html' title='nobre besta'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6795787588789312273</id><published>2010-12-07T22:13:00.001Z</published><updated>2010-12-07T22:16:35.775Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>pessoas do mundo</title><content type='html'>&lt;object width="510" height="311"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-ELW33TEdcw?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-ELW33TEdcw?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="510" height="311"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;«&lt;i&gt;All the souls He to touch&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;All the millions of souls He to touch&lt;/i&gt;» *&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somos todos pessoas. Por humanidade nos definimos, colocando no substantivo os mais nobres valores de uma verdadeira comunhão social. Desse ideal fabricamos os deuses que a história conhece. Da ideia de nós num mui avançado estado de moral e mentalidade apenas vocacionadas para o bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Negamos, em teoria, a nossa imperfeição biológica porque, sendo nós capazes de chamar a razão, temos o dever de estarmos aptos para alcançar o estado mais perfeito da evolução. De tal maneira que possamos ser o exemplo entre toda a natureza como prova da matéria divina. Para isso fomos criando, ao longo da nossa existência, comunidades, leis, estados, religiões. Apoiamo-nos (bem ou mal) dos recursos do nosso ambiente de forma a prolongar a nossa sobrevivência, contribuindo para um melhor bem-estar individual e comum. Queremos erradicar a forma pura do mal, para que da sua raiz não medre frutos maus e azedos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em milhares de anos, não conseguimos ainda, porém, concretizar na prática tão nobre objectivo. Matamos para comer, defecamos e exalamos odores, exploramos cegamente, e fodemos como qualquer outra besta. Aplicamos no nosso dia-a-dia, na condução das nossas sociedades, a mesma lei que rege os seres não racionais: vence sempre o mais forte. Somos seres contraditórios, mas continuamos a ser as mesmas pessoas do mundo, imberbemente evoluindo. Imperfeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É defeito? Sim. Mas também não, se considerarmos e aceitarmos a nossa condição. Somos assim. No entanto, se acreditamos na evolução, é nosso dever, direito e responsabilidade comum querer avançar na nossa maturação como seres espirituais, que tanto temos projectado nas noções que temos de essência divina, que pouco mais é que fruto da nossa razão. Seguir mais longe, redefinindo a moral, enaltecendo a liberdade e praticando o que de melhor possa sair de nós, seria um lema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim concordaria com as religiões: sermos cada vez mais próximos dos deuses que propusemos ao longo do nosso percurso na história, senão tomando a consciência que a referida essência divina nasce em nós e não está em nenhuma entidade projectada. Que deus, na realidade, faz parte de nós, do nosso estado puro, racional e espiritual comum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, acontecendo esse tão desejado encontro com deus, seremos de pleno direito a &lt;b&gt;Humanidade&lt;/b&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;«&lt;i&gt;Our true kingdom come, higher than higher than higher than higher&lt;/i&gt;» *&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;* &lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;Jon &amp;amp; Vangelis – &lt;i&gt;He is Sailing&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #444444; font-size: x-small;"&gt;(&lt;i&gt;Private Collection&lt;/i&gt;, 1983)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6795787588789312273?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6795787588789312273/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6795787588789312273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6795787588789312273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6795787588789312273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/12/pessoas-do-mundo.html' title='pessoas do mundo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3983502310810934841</id><published>2010-12-03T21:28:00.000Z</published><updated>2010-12-03T21:28:38.722Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>rendida</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TPlgfNnE5kI/AAAAAAAACCA/mbx5KUSHY0g/s1600/picass.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TPlgfNnE5kI/AAAAAAAACCA/mbx5KUSHY0g/s1600/picass.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;i&gt;As Damas d'Avignon&lt;/i&gt;, por Picasso&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pai nunca soube quem foi e nem imagina a vergonha e a frustração de uma mulher que quer dar um nome ao seu filho e não sabe quem o ajudou a fazer. Diz certa canção que quem faz um filho fá-lo por gosto, mas no meu caso foi um acidente, e em pleno trabalho: o problema foi tentar saber em que dia emprenhei e quem eram os anónimos clientes que nessa noite recebi&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não, não o fiz por gosto, e o problemão que me arranjou o diacho do rapaz quando nasceu! Rasgou-me toda e fiquei dois meses sem poder ganhar. Lá me safava com alguns biscates, ao mesmo tempo que servia atrás do balcão de uma tasca escura repleta de bêbedos fedorentos desde que abríamos as portas e as fechávamos... às vezes tínhamos que os empurrar para as valetas onde acabavam por dormir &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a vida de uma rameira como eu fui desde sempre, talvez a partir dos doze anos, eu sei lá... que miséria quando vamos pelo mais fácil, por nos convencer que temos de vender o corpo para comer. Sim, eu sei, podia ter encontrado um trabalho como criada doméstica, ou mulher-a-dias, o que fosse! Mas nada disso... é demais para o meu feitio, não sei se me entende. Nem imagina as discussões e as bulhas de quando trabalhei nessa tasca! Quem manda em mim sou eu, mais ninguém. Naquele tempo ninguém tratava a doméstica como hoje tratam! E depois... sabe como é, a gente vicia-se nesta vida. É uma hora, ou menos, abrimos as pernas ou fazemos lá o que eles querem por mais algum, e acabou-se, lavamo-nos, e toca a enfrentar mais outro... No fim é tudo contadinho. Claro que há aquelas desgraçadas que são exploradas por esses chulecos de meia-tigela vestidos de uma fatiota pirosa e levam porrada como cadelas escorraçadas... nem lhe vêem a cor do dinheiro... Nunca fui nessas cantigas. O negócio, se assim se pode chamar, foi sempre controlado por mim, eu é que escolhia onde ia buscar os clientes e que clientes enfiava na cama daquela pensão miserável, que nem um bidé tinha para me lavar. Lá me arranjava com uma bacia e um quadrado de sabão amarelo que limpa tudo. Doenças? Não, nunca tive medo delas. Agora sim há a tal sida e muitas já vi perdidas com essa coisa... No meu tempo era a sífilis que mais temíamos. Felizmente e graças a Deus que nunca apanhei essa peste. Mas, ó senhor!, chatos e comichões apanhei eu muitas vezes!... enfim, ossos do ofício, como se costuma dizer &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;hoje sou dona e senhora de uma casa de meninas, compreende? Elas lá se arranjam com os conselhos que a velha aqui dá. De resto, o meu trabalho, pois sim, onde é que isso já lá vai... as carnes estão flácidas. Meia dúzia de clientes tão ou mais velhos que eu, fieis, que isto da fidelidade não é só no casamento; no putedo - ai desculpe! -, nesta vida, queria eu dizer, também existe fidelidade. Tenho um cliente que me frequenta há mais de vinte anos! Coitado, dizia que se juntava comigo e que não teria de levar com mais nenhum homem, que ele me sustentaria... pobre diabo. Mal ganhava para ele e para a mulher que já lá está, na paz do Senhor, ainda por cima sustentar uma amante com os vícios que eu tinha. Sim que eu também não era apenas uma galdéria como as outras. O que ganhava era para me vestir mais ou menos bem, e jogar nos cartõezinhos das ourivesarias, de vez em quando lá me saía qualquer coisa. Está a ver este fio de ouro? Tome-lhe o peso... é bom, ouro antigo! Quem dera a muitas finórias ter essa relíquia &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas, como lhe dizia... pois, eu tenho o meu negócio. Em vez das raparigas andarem aí ao deus-dará, com esses chulos que lhes levam o dinheiro todo, estão cá com a tia Zira e vão levando a vidinha delas. Uma coisa apenas exijo: que sejam asseadas e não tragam drogados e outra ralé. Sim, put... desculpe, mulheres da vida, mas dignas, querem lá ver... e quanto a camisinhas, temo-las cá sempre, só apanha a sida quem quer. Depois há aquelas que ganham mais juízo e conseguem sair desta vida, acabam por ir trabalhar para as fábricas, para os supermercados, lá encontram um morcãozola que as queiram e até casam. Outra coisa também não admito: que emprenhem, ou engravidem, que é mais fino dizer-se. Ou vão tirar o filho, que eu cá lhes arranjo a parteira para fazer o trabalho, ou vão ter o filho longe. Mando-as a todas ao médico, lá a essa coisa do planeamento familiar... Sabe, é muito triste passar pelo que eu passei &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;pois, não é por dá cá aquela palha que se deixa assim um filho. Mas a minha vida naquela altura, já lá vão trinta anos... era muito difícil. Não tinha quem me apoiasse, nem encontrei ninguém que me desfizesse a criança... Acabávamos os dois por morrer à fome. Assim, eu sozinha conseguia virar-me, e ele, coitadinho, lá ficou bem entregue... Se me arrependo? Não senhor, não me arrependo de nada, e confesso-lhe que nunca tive a intenção de ir conhecê-lo. Para quê? Atrapalhar a vida do rapaz, dizer-lhe, olha filho cá estou eu, a tua mãe, uma puta. Ai desculpe, saiu-me, não leve a mal. É linguagem feia, eu sei, mas que hei-de fazer? Aprendi a falar assim, a minha mãe era filha da curta para cima e filha da curta para baixo e veja lá, acabou por ser o contrário, ela é que virou a mãe da curta... até dá para rir, senhor, não é? Pois sim &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que ele se deixe ficar onde está, que eu nem sei onde é, lá para o estrangeiro... entreguei-o a uma amiga na altura que foi viver para Aveiro e anos mais tarde é que vim a saber que ela o entregara a uma família de fora. Onde, não sei. Só sei que se ele tivesse ficado comigo hoje provavelmente seria mais um gatuno ou um chulo. Eu não saberia dar educação. Mas se eu não saberia, muito menos sabem agora essas gajas casadinhas feitas santas que andam por ai a foder ao desbarato e deixam os filhos nas creches, ou pior ainda... Ai senhor, desculpe que me lá saiu outro... Sim, essas é que são umas putas de primeira. De quem falo? Oh senhor, de tanta gente, tanta gente que tem telhado de vidro e farta-se de atirar pedras para o telhado dos outros... olhe, é a vida &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sabe, se eu aparecesse, agora que estou velha, na vida desse rapaz, que deve ter os seus trinta e poucos anos, estragaria tudo, seria um estorvo, um incómodo: ora uma mãe nesta vida?... Deve chamar mãe a outra, e tem pai, até talvez já terá casado e tenha filhos, não se sabe! Seria uma estranha, uma intrusa na vida dele. Não, que fiquem as coisas como estão, como Deus mandou... eu cá não mexo uma palhinha &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;no entanto, sabe, confesso-lhe que muitas vezes sonhei com esse filho que esteve cá dentro de mim, e saber quem era o pai, e sermos uma família... seria bom, claro. Nunca mais tive filhos, graças a Deus, nem nunca quis homem algum. Só quase estive para ir na cantiga daquele que lhe falei há pouco. Mas é só um grande e velho amigo, a quem ainda dou o meu corpo... afinal também tiro gozo disso, sabe? Pois é assim a vida &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e então, já escolheu com qual das meninas quer estar?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3983502310810934841?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3983502310810934841/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3983502310810934841&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3983502310810934841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3983502310810934841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/12/rendida.html' title='rendida'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TPlgfNnE5kI/AAAAAAAACCA/mbx5KUSHY0g/s72-c/picass.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4763107980235732115</id><published>2010-11-07T01:45:00.000Z</published><updated>2010-11-07T01:45:12.335Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='11 novembro'/><title type='text'>exaltação a ofélia (glosando antónio lobo antunes)</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/jCAiRKoFimk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/jCAiRKoFimk?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;O mar não é tão fundo que me tire a vida&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;nem há tão larga rua que me leve a morte&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;sabe-me a boca ao sal da despedida&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;meu lenço de gaivota ao vento norte&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;meus lábios de água meu limão de amor&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;meu corpo de pinhal à ventania&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;meu cedro à lua minha acácia em flor&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;minha laranja a arder na noite fria.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;António Lobo Antunes, &lt;i&gt;fox-trot nº 3&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Letrinhas de Cantigas&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não devia haver mistério entre nós, Ofélia, somente beijos trocados com a paciência adolescente da delicadeza, sem qualquer trejeito de ansiedade. Cuidei que a ternura viesse para nos enlaçar nessa convulsão desmedida dos amantes e parti do porto do mundo soltando as amarras da jangada dos teus cabelos, numa deriva sem pressas ignorando sinais de tormenta. Feras marinhas não me assustariam e adamastor um gato manso que se curvaria ao meu afago. Perdido em ti quis embarcar, mas perdido de ti me vi naufragando quando o frio do entardecer te revolveu, emancipando as lágrimas no teu rosto e devolvendo-me, aflito, à profundeza das sombras. Porém, meu amor, &lt;i&gt;o mar não é tão fundo que me tire a vida&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dias sem palavras que não me explicaram as lágrimas precipitadas. Noites divagando sobre qualquer gesto que tivesse desmoronado o que numa troca de afectos se erguera como um império seguro. Os pardais vão recolhendo as plumas numa algazarra de chilreios entre as folhas mais persistentes que o outono avançando engole no seu crepúsculo de viuvez. Sou varrido por essa língua parda entre o grito vazio do meu quarto e as buliçosas criaturas na árvore. O deserto da rua configura um cenário trágico, como se o teu silêncio me tivesse despedido do mundo, pendurado nos barrotes do alpendre. Resisto: entro na noite à boleia do vento e sigo de novo sem destino. Não te concebo ainda perdida, &lt;i&gt;nem há tão larga rua que me leve a morte&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encontro-te num acaso de becos, por essa cidade imperfeita e gulosa de almas como a tua. Vens de abraços casuais e sem vontade, com os olhos injectados de qualquer coisa que desconheço. Porque me escondes dos teus segredos, serão tão defeituosos para que me apartes das nódoas que a vida te marcou? Todos temos as fraquezas que nos envergonham, somos de carne fraca e porém delicada, à mercê de vontades, miséria, conquistas, vaidade, luxos. Quero um gesto teu, um aceno para voltar a pertencer-te. Não vou ver o caminho que percorreste, quero dar-te um prado para te soltares selvagem e sem pudor, entregar-te de mim a liberdade que procuras. Vem para poder sentir-te. Não aguento ver-te sempre fugindo, Ofélia: sinto nos pés o chão deferindo a lonjura, e &lt;i&gt;sabe-me a boca ao sal da despedida&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz-me que não é verdade a tristeza no nosso seio. Confirma-me que afastamos de nós a efemeridade. Que teremos com certeza o nosso mato para desbravar mas definido o nosso empenho para abrir o caminho. Não existe abismo no nosso mundo se a minha na tua pele numa ambição de simbiose perfeita. Esquece o esconso, os desvios mais angulares que te fazem perder de embaraço. Deixa-me quebrar o frio com a lenta progressão de um dos meus dedos acariciando-te a fronte, descendo pela face à base do queixo, na esperança de um sorriso. Daqueles que dizem tudo, que substituem palavras. Sem o abandono da pressa. Deixa amarrar-me no teu corpo, ó &lt;i&gt;meu lenço de gaivota ao vento norte&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não vou aceitar mais a despedida, Ofélia. Ainda que partas uma e outra e mais outra vez. Serei a tua sombra, mesmo que me inflijas com o desdém. Saberei que não virá do fundo de ti, será apenas superficial, signo da fraqueza que te opera a insegurança. Acredito que vamos nesta toada embalados. És a minha sede saciada, &lt;i&gt;meus lábios de água meu limão de amor&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contigo não definho, apartado desapareço. É como dizer que me sirvo do mesmo sangue que te corre nas veias, que também se resolve na rosa do meu peito. Que a tua saliva o mar de onde pesco o alimento fresco, que os teus cabelos o aroma da terra fertilizando primaveras permanentes, que os teus dedos o tecelão de todas as civilizações vindouras, que o teu olhar o vento, a brisa, o orvalho das madrugadas cristalinas, &lt;i&gt;meu corpo de pinhal à ventania&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És o ventre do meu fruto, és toda eu num mundo novo, e levar-me-ás para o eterno se a morte vier disfarçada. Minha sonata da juventude, minha sinfonia da vida, meu requiem do adeus. Concebes outra realidade, Ofélia? Enlaça a tua mão na minha, e vamos preparar o futuro para a metamorfose dos corpos, &lt;i&gt;meu cedro à lua minha acácia em flor&lt;/i&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo que o fado me tenha traído e sejas tu hoje ausência irreversível sobrando apenas num sonho que miseravelmente deseje muito, serás ainda assim o meu farol de guia, minha torre de menagem, &lt;i&gt;minha laranja a arder na noite fria&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4763107980235732115?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4763107980235732115/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4763107980235732115&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4763107980235732115'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4763107980235732115'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/11/exaltacao-ofelia-glosando-antonio-lobo.html' title='exaltação a ofélia (glosando antónio lobo antunes)'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1285388248585956540</id><published>2010-10-27T22:26:00.001+01:00</published><updated>2010-10-27T22:29:30.790+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>coreografia dos gestos</title><content type='html'>&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TMiXzfrebzI/AAAAAAAACA0/r5w84M_XA4I/s1600/azul_pacifico_luislobohenriques.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TMiXzfrebzI/AAAAAAAACA0/r5w84M_XA4I/s400/azul_pacifico_luislobohenriques.jpg" width="265" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;azul pacífico&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, por &lt;b&gt;Luis Lobo Henriques&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;em &lt;a href="http://1000imagens.com/autor.asp?idautor=685" target="_blank"&gt;1000 imagens&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fizeste-me descarrilar, Daniela. Não que me preocupe o jogo inocente do flirt, nem que venha daí quaisquer más consequências se for apenas a inocência que tome as rédeas. Sempre me encantou a sedução, seja eu o seduzido ou o sedutor, pese embora que prefira na maior parte das vezes estar na primeira posição. Gosto de ser levado, gosto que me tomem a mão. Toma-me a mão, então. Leva-me. Por onde e como preferires. Da forma como quiseres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É bonito observar que os gestos de ambos conjugam como uma coreografia de cumplicidades, e a verdade é que me levas já cego com o teu olhar de pássaro sereno - um olhar macio, posso dizer, como as plumas de uma ave assim pequena e delicada. O teu corpo aveludado como o leite, tão ainda aquém das carnes maduras de outras mulheres que me abordam, encurraladas em preconceitos e complicações na cabeça. A tua boca apetece, os teus lábios borbotões de água fresca mal contida debaixo da terra, perto de jorrar num beijo de delícia e profundo ardor libidinoso. As mãos muito tácteis, donas de uma perfeição de ternuras, dedos finos, brancos, frágeis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre gostei da fragilidade ainda que as rotinas venham contrariar as primeiras impressões. E por isso o pouco encanto pela maturidade das mulheres que me abordam, querendo encurralar-me nos seus preconceitos, complicar-me a cabeça com as suas deambulações sentimentais. São frágeis e não admitem sê-lo. Mas como serás tu então depois da inocência, como vais lidar com os percalços mais espinhosos, com os confrontos de personalidade? Como ver-me-ias um dia descarrilar por outro olhar que não fosse o teu, como agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Medonho não é o sonho mas as expectativas que se criam. O mundo poderia ficar sempre assim, nesta ternura pura do encantamento, do enamoramento. Medonho é o que me espera, as possibilidades de quereres que volte a colocar-me nos carris da conformidade, que seja afinal tudo o mesmo de sempre: esse terrível engano que erode de azedas tribulações muitos amantes. Enfim, a normalidade, a rotina. O que destrói efectivamente os afectos quando, descansados do primeiro fogo, o flirt acaba e só nos sobre os dois, descobertos num pavor de solidões individuais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou fugir, vou fazer de conta que não é nada? Fingir que não quero o teu corpo, os teus lábios, as tuas mãos apertando, apertando? Negar a paixão, essa deliciosa dor que em vez de nos afugentar ainda nos faz correr mais ansiosos ao encontro de maior intensidade? Não posso negar, não sei contradizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem as pessoas resignadas que assim é a vida. Mas eu luto tanto contra a resignação, Daniela, os chavões que desaprovo ou antipatizo. Não vou seguir um caminho apenas porque um dedo para lá me aponta. Questionar sempre: é enfim a base do fracasso de paixões e amores que não conseguiram dar sequer o primeiro passo, mas fundamental para quem como eu descarrila e não quer que um pequeno acidente se transforme na hecatombe. Exagero na eloquência, dirás. Que coloco a fatalidade em coisas tão simples. Poderás ter razão, afinal tudo advém da condição de apaixonado. Mas não acredito na máxima de viver um dia de cada vez. Ponderar pode precaver-nos das feridas, das lágrimas, do abandono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdoas-me, Daniela? Se for só um flirt, um beijo, uma noite? Para nos acalmar, para provarmo-nos e sentirmo-nos. Para que, pelo menos, toda esta coreografia bonita dos gestos não seja em vão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1285388248585956540?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1285388248585956540/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1285388248585956540&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1285388248585956540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1285388248585956540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/10/coreografia-dos-gestos.html' title='coreografia dos gestos'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TMiXzfrebzI/AAAAAAAACA0/r5w84M_XA4I/s72-c/azul_pacifico_luislobohenriques.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1782073328732371984</id><published>2010-10-24T18:52:00.002+01:00</published><updated>2010-10-24T19:12:55.698+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>post de manutenção</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hETCeyAEPTQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hETCeyAEPTQ?fs=1&amp;amp;hl=pt_PT&amp;amp;color1=0x2b405b&amp;amp;color2=0x6b8ab6" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;I was so drunk last night I didn't even undress for bed&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;And the pin in my hair was still stuck in my head&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;The Fiery Furnaces, &lt;i&gt;I’m in no mood&lt;/i&gt; - Bitter Tea (2006)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="line-height: 115%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;Sem dúvida que é o outono que chove, uma vez que sombras na calçada, a velhice a amarelecer as árvores, e eu enganando a temperatura do escritório com camisolinha de meia-estação e o casaco de desporto de trazer por casa vestidos, revezando o traseiro entre a poltrona virada para as estantes dos livros e a cadeira da secretária onde um monitor de morada aberta para a rede labiríntica e casual da auto-estrada da informação,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(e dizer apenas &lt;i&gt;a internet &lt;/i&gt;não bastaria?, para quê as fitas, a maquilhagem, o enfeite?)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;mais a música estonteante dos Fiery Furnaces a apanhar o ritmo das gotas de chuva desfeitas no chão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;Por isso de novo aqui a preencher os espaços vazios do calendário que ninguém dá conta, augando (ougando?) por dois ou três pares de olhos que me leiam&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(só dois ou três pares de olhos de facto, para quê mais, não sou guloso, vinde cá ler-me na diagonal com sorrisos de condescendência, umas cinco linhas basta, e podeis regressar aos outros que vos imploram mais sedentos que eu, carregados de comichão por saberem se são ou não escritores, poetas, críticos, ou que lhes der na gana… Não é necessário apontar o quanto gostastes na caixa de comentários, não é necessário citar-me em outros sítios com &lt;i&gt;links&lt;/i&gt; mal feitos ou um &lt;i&gt;copy-paste&lt;/i&gt; a ignorar &lt;i&gt;itálicos&lt;/i&gt; e &lt;b&gt;bolds&lt;/b&gt; do original; e muito menos preciso que venhais agraciar-me com as tentadoras propostas de publicação de um livro com custos à minha conta – para quê?, se eu não acredito nos outros que escrevem melhor que eu, quanto mais em mim, se o que escrevo é nada, apenas palavras seguindo outras palavras sem traço ou mestria, palavras que vou ressuscitando consoante as estações e as sombras, numa sequência que os Fiery Furnaces agora me inspiram e aproveitando a cadência da chuva&amp;nbsp; caminhando pelo ar e esbatendo-se bêbeda contra o vidro das janelas e as pedras da calçada);&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;é só um pequeno mimo que vos peço, dois ou três pares de olhos que venham ler-me num sorriso condescendente, talvez digais&amp;nbsp; “passei por aqui”, como quem decide visitar um amigo ou parente a quem não se fala e vê há anos, e ao chegar à casa onde mora a campainha não obedece, o batente enferrujado pelo tempo, as janelas corridas e a dúvida pairando: se calhar não está, se calhar já cá nem vive. Rasga-se uma folha de papel da agenda&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(desculpa: agenda?! Quem usa isso nos tempos que correm? Hoje só formatos digitais, pelo que, se tiveres sorte, uma &lt;i&gt;sms&lt;/i&gt; ou um e-mail, os dedos maiores que as teclas do aparelho, raios partam o telemóvel que é r e não s, quem inventou isto devia)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;e deixar uma mensagem na caixa de correio a dizer&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(caixa de correio electrónico ou de sms, entenda-se. Já agora, com tanta tecnologia, quem é que visita parentes ou amigos que não se vê há anos tendo o seu número do telemóvel, ou o endereço de e-mail… não faz sentido. Por isso, fica-te pela ultrapassada folha arrancada à agenda, ou um pedaço de papel qualquer e a sorte de teres algo que escreva para deixares um bilhete que diga simplesmente)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;- Passei por aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;Porque é bem possível que não volte cá tão cedo, apesar do pardacento das tardes e da cadência da chuva, mais o recente livro do lobo antunes, a velhice amarela com que o outono veste as árvores, tudo isso incitando-me à escrita, e eu batendo a mesma tecla do será que sou capaz, será que ainda tenho o engenho de outros tempos, vem a idade, vêm as preocupações acumuladas, o país&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(enfim, o país, nem vale a pena ires por aí, que te fica mal, bem pior do não seres capaz)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;o país num compasso de espera, a exigência no trabalho, a atenção que a família te cobra, e tu sem paciência como antes, a paciência esgota-se mais rápido que o próprio tempo, certamente compreend…&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(estás a dirigir-te para a segunda pessoa do singular ou do plural, decide-te)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;…erão, certamente compreenderão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;São agora os Pink Floyd numa sua fase sorumbática que vieram ao acaso nos ficheiros &lt;i&gt;mp3&lt;/i&gt; depois dos Fiery Furnaces, a chuva abrandou&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(terá parado?),&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;e ainda que as sombras se tenham acentuado, o copo de uísque&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;(elemento que não tinha acrescentado no princípio, mas ainda a tempo de ser entendido como um dos &lt;i&gt;mobiles&lt;/i&gt; para este &lt;i&gt;post&lt;/i&gt; de manutenção)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;já vazio, a vontade de escrever começa enfim esmorecendo, e vou deixar ficar isto a acumular espaços vazios no calendário que ninguém dá conta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;Hoje é domingo. Podia dizer que o princípio de outro mundo para mim em alguns aspectos, mas nem é isso. Apenas manutenção. Ou melhor, é apenas rotina, como dizem os médicos quando tu cheio de medo&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;- Tantos exames para quê doutor?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;ou os agentes da autoridade que te mandam parar o automóvel na berma da estrada para uma breve inspecção:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black;"&gt;- Tudo em ordem, pode seguir.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="mso-outline-level: 1; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Eu sigo. Nisso podeis crer: sigo sempre, mesmo não sabendo bem para onde.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span lang="PT" style="color: black; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1782073328732371984?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1782073328732371984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1782073328732371984&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1782073328732371984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1782073328732371984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/10/post-de-manutencao.html' title='post de manutenção'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7661073680305545205</id><published>2010-09-25T23:09:00.002+01:00</published><updated>2010-09-25T23:50:00.587+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='09 setembro'/><title type='text'>acentuado arrefecimento nocturno</title><content type='html'>&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TJ5xxfvo17I/AAAAAAAACAE/gla8jsrKaEA/s1600/32q_Im_Nebel_der_Nacht_-_Frontal.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="265" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TJ5xxfvo17I/AAAAAAAACAE/gla8jsrKaEA/s400/32q_Im_Nebel_der_Nacht_-_Frontal.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #353535; font-family: Tahoma, Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 11px;"&gt;Im Nebel der Nacht, por Michael Sturm em &lt;a href="http://www.photofrontal.ch/details.php?image_id=3679" target="_blank"&gt;PhotoFrontal&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Irrita-me ter a consciência de que o tempo se vai esgotando, num compasso que a princípio parecia tão lento que julgara que a era que hoje vivo quase nunca seria vindoura, para depois o ritmo acelerar tanto ao ponto de eu não ter a certeza de ter dado conta das estações e dos meses, e de me admirar se já é noite quando ainda há pouco despertava bocejando o sono da madrugada anterior. É verdade que me concedeu atingir um certo grau de maturidade e com isso um maior conhecimento de mim mesmo, dos outros e das coisas de que são feitas o mundo, mas aborrece-me que tenha o tempo essa liberdade tirana de ir passando sem me dizer onde foi, onde está e para onde vai, principalmente porque me leva arrastado consigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lhe dou confiança e vou esquecendo-me da idade que tenho. É um falso pressuposto para continuar emocionalmente equilibrado, mas sinto que devo lutar minimamente contra os abusos e feridas que as crises existenciais provocam, ainda que esteja a enganar-me e tenha o subconsciente alerta nesse sentido. Na verdade, atingir o ponto exacto da metade da esperança média de vida que as estatísticas oficiais nos oferecem, e reflectir sobre tal é como acordar a meio de uma ponte sem saber para qual dos lados seguir. Em frente é o caminho, apontam-me, e vão alertando-me que recuar até seria aprazível mas as leis físicas tanto quanto as conhecemos não nos possibilitam tal aventura. E recuar ainda podia ser fatal, já que ao longo da vida nunca percorremos rectas sem desvios, bem pelo contrário, e tantas foram já as barreiras e os obstáculos que duvido se não se tornariam ainda mais difíceis de transpor num caminho feito ao revés. Porém, atingir a metade do nosso tempo e seguir em frente é tomar uma tal dose de angústia e expectativa que podemos até continuar o caminho com ânimo e força, se a saúde não faltar, mas o certo é que seguimos tão intoxicados e tão nefastos de dúvidas que o melhor é enganar as ideias e fazer de conta que não sabemos nada disso do tempo que flui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cruel mesmo é quando não nos deixamos enganar por nós próprios, ou seja, não nos concedermos essa &lt;i&gt;boutade&lt;/i&gt; de ser-se humano: esquecer simplesmente o tempo, e fingir sermos, nesse campo, irracionais. Contra esse tirano do tempo ainda temos uma arma poderosa que é a tragicomédia do suicídio existencial. Tão simples: barramos o tempo na precisa altura em que queremos cristalizar a imagem do que somos, passando para o lado dos que foram. Continuará o tempo a rir-se de nós, apontando-nos infelizes, condenando-nos ao passado, mas segue já de tal modo cheio de raiva que semeia o esquecimento nas mentes dos que ficam como os únicos que nos podem preservar essa eternidade a partir do momento em que decidimos ser apenas até onde chegamos. O tempo é como uma geada, queima tudo. E esquecendo ou acabando aqueles que nos conheceram em vida, morremos então definitivamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou pois por aí. É preferível dar o braço a torcer e ver o que lá vem, sem cuidar muito de me preocupar. O tempo tem também alguns rasgos de misericórdia e concede-nos um pouco mais do seu espaço por vezes, nós é que nunca conseguimos prevê-lo. O malvado ainda se diverte:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vês como valeu a pena não me teres deixado?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso vou continuar, esmorecendo a irritação e, sim, sem dar muita importância a esse delírio do universo. Já basta ter entrado numa fase de declínio após ter alcançado o pico mais alto da minha existência. Na descida também há frutos para recolher. Batalhas por vencer, louros a receber. E quem sabe uma apoteótica recepção na meta. O arrefecimento vai tornar-se acentuado, vou notá-lo, como quando caminhamos nas primeiras noites de outono, mas convém não esquecer que sou eu, somos nós. Ainda que levados pelo tempo somos sempre nós, os donos de nós mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7661073680305545205?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7661073680305545205/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7661073680305545205&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7661073680305545205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7661073680305545205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/09/acentuado-arrefecimento-nocturno.html' title='acentuado arrefecimento nocturno'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TJ5xxfvo17I/AAAAAAAACAE/gla8jsrKaEA/s72-c/32q_Im_Nebel_der_Nacht_-_Frontal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6153036269681205124</id><published>2010-08-16T23:34:00.006+01:00</published><updated>2010-08-21T18:58:56.086+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>«a saudade é o revés de um parto»</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TGm9OKUjqII/AAAAAAAAB-Q/uozHT5qoa9E/s1600/un_coup_doeil_Emanuel_Priolli.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 281px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TGm9OKUjqII/AAAAAAAAB-Q/uozHT5qoa9E/s400/un_coup_doeil_Emanuel_Priolli.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5506140070423537794" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;un coup d'oeil&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;, por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Emanuel Priolli&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://1000imagens.com/autor.asp?idautor=1668"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem as árvores altas que o vento murmura tanto que nos pode levantar alados, lembrando essas espécies místicas de homens híbridos do que quer que seja, e não estou para acreditar em tais devaneios. O ar circula umas vezes com a leveza das asas de um pardal, outras como um rugido de fera, mas sem qualquer qualidade assombrosa se não nos detivermos a observar a agitação das árvores que mexem porque gesticulam alardes dentro dos sonhos os presságios, os avisos, crentes do seu poder temeroso e de discernimento. Eu fugi dos locais onde o ar corre com medo do teu olhar tímido a procurar-me ao mesmo tempo que o espanto te ocupa a temer os assobios do vento nas frinchas das janelas e nas sombras dos ramos altos. Isto foi o sonho da primeira noite, do corpo extenuado das tremuras e do coração como um cavalo cansado de correr sem acertar o rumo, com latejos nas fontes e os olhos raiados de sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela manhã seguinte, sol alto e quente e sem sinais de que o vento e as árvores tivessem sido tão ameaçadores, os teus olhos tímidos voltam a procurar-me num sorriso enquanto as tuas mãos te ocupam de tarefas que não interessa agora referir. Corre no teu corpo essa seiva tão fresca e jovem de que a tua idade é feita que não pude resistir desde o momento que te soube presente. De tantas mulheres no mundo onde vivo e por onde passo, mais velhas ou mais novas, anónimas e conhecidas, formosas e outras menos bonitas, tu foste iluminada como bailarina, actriz ou solista destacada num espectáculo promissor. Sempre estiveste presente, mas passaste a estar em mim sem que o infinitivo do verbo se desvie para outras conjugações: foi desde que soube de ti e te vi sorrir tão espontânea que nem percebi se era um teu gesto de natural simpatia ou se havíamos, nesse instante, encarnado duas dessas personagens de comédia romântica que passam nos filmes. Descartando o cliché e o tom lamechas que tal imagem possa dar, a verdade é que o que aconteceu entre nós foi essa coisa da faísca, dessa química, de “pintar um clima” que ouvimos dizer dos brasileiros nas novelas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma empatia simplesmente natural entre dois seres que se encontram e sabem que tudo será diferente a partir desse momento. E a tua alegria tudo dizia a esse respeito: não me tiraste os olhos desde que o espaço entre nós fosse o mínimo suficiente para que me pudesses seduzir com o teu gesto, o teu pescoço inclinado a mostrar-me a ligeira penugem e as tuas mãos delicadas manejando os objectos. Os teus lábios rubros da sede de um beijo furtivo, desses em que os dedos e as mãos tímidas e fervorosas poisando brisas ligeiras sobre o rosto um do outro, as bocas que mal se tocando se afastam no segundo seguinte como adão e eva descobrindo-se nus e mirando-se apaixonados mas cheios de vergonha e pecado perante o olhar intrigado do senhor do éden.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Teria preferido, porém, que tudo não fosse mais que o sonho daquela primeira noite de ventania. Que as árvores tivessem continuado agitando os ramos a assombrar a simples ideia de que pudéssemos vir a apaixonar-nos assim. Eis que o teu olhar desenha uma dor em mim, primeiro como um esboço suspirado, depois um alerta qualquer de perigo, e por fim a realidade latejando o malogro da nossa atitude. Só dói a saudade e a frustração de nunca nos tocarmos como se morrêssemos nesse caminho entre a dúvida e a felicidade. A única realidade é a minha partida, mais dura e manifestamente mais imprevisível para ti do que a minha chegada que tanto te perturbou. Não é possível porque nasceste tarde para mim e chegamos um ao outro como se o tempo fosse um castigo. As circunstâncias nunca serão favoráveis para alimentarmos este fogo. Viemos um ao outro com a saudade doendo e tu nunca poderias prever que assim fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então sou eu que te vejo hoje partir depois de uma jornada, tu convencida do até já, e eu acenando-te adeus sem que percebas e sem que um gesto do meu corpo te diga a verdade. Esta tua partida, o teu até já soprado em voz trémula de virgem que se abre para o seu primeiro amante, é o mais sofrido adeus que alguma vez concretizei. Mais tarde pressentirás a minha ausência e amanhã perceberás que é definitiva, assim que o teu olhar me procurar nos mesmos espaços onde restará apenas o pó da minha imagem. O que parecia um sonho afinal não foi: o vento veio alar-me, fazendo-me desaparecer de ti como se tivesse ascendido a um céu qualquer das mitologias pagãs. Ficarás tu eva só e abandonada, crendo que o senhor do éden é bom e de uma costela tua – onde a dor te fustigar mais forte – te fará o pedaço de ti que se esvaneceu, agora híbrido de um qualquer astro que teimosamente ainda procurarás no firmamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esquece. Sente o vento e escuta o que desde o primeiro momento quiseram alertar as árvores com os seus ramos agitados. Deixarás, aos poucos, de te lembrares de me procurar nos mesmos locais onde em noites quentes de agosto me namoravas. Sacudirás o pó, os fragmentos da minha imagem será um leve devaneio. Esquece, porque a dor levo-a eu: não de remorso, nem tanto de desgosto. É desta saudade que dói, e de tanta raiva por o tempo continuar fluindo sempre contra mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6153036269681205124?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6153036269681205124/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6153036269681205124&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6153036269681205124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6153036269681205124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/08/saudade-e-o-reves-de-um-parto.html' title='«a saudade é o revés de um parto»'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TGm9OKUjqII/AAAAAAAAB-Q/uozHT5qoa9E/s72-c/un_coup_doeil_Emanuel_Priolli.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3543698822334981082</id><published>2010-08-01T16:56:00.004+01:00</published><updated>2010-08-01T17:05:00.339+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>silenciosite crónica</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TFWZdJuvBiI/AAAAAAAAB-I/J7koYPhcrdc/s1600/14+sil%C3%AAncios.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TFWZdJuvBiI/AAAAAAAAB-I/J7koYPhcrdc/s400/14+sil%C3%AAncios.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5500471246010123810" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sofre-se muito nesta luta abstracta com o papel em branco que se porta como uma virgem hesitante em concretizar o casamento. Podem ser dias, semanas, meses, ou um tempo indefinido sem que o nubente perceba que, ao fim ao cabo, cometeu um erro ao enganar-se com o seu puritanismo ou que ser ovelha tresmalhada pode dar em má sentença. Os obstáculos são em tudo irreais e, ainda assim, quase intransponíveis. Só refiro o advérbio quase porque afinal sempre se pode escrever qualquer patetice sem interesse que muitos não hesitarão em julgar com o seu cliché moda do «isto é bastante profundo!».&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sofre do mal da &lt;i&gt;silenciosite crónica&lt;/i&gt; não deixa sinais como os que padecem de males gástricos: a estes dá-se-lhes pela presença devido aos seus estertores sulfurosos, pelos queixumes de um abdómen dilatado que os produtos bífidus de &lt;i&gt;L. Casei&lt;/i&gt; activos não podem remediar. A brancura febril e obstinada do papel pode, no máximo, fazer o paciente deitar as tardes a dormir invariavelmente, predispô-lo à penumbra e dar ares de ser socialmente um chato do caraças. De dissolver em total indiferença os gestos e os movimentos intestinais de um mundo que o apela. E assim que acorda, insiste, insiste, insiste, e volta a insistir para depois desistir como se apenas uma vontade de urinar o despertasse e, aliviada a pressão da bexiga, o sono lhe dissesse que ainda não é o momento oportuno de se erguer para o dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pior, porém, são as verborreias, atacando a meio da noite, antecedidas de febris delírios após leituras sonâmbulas desarticuladas, insuflando de flatulência o pensamento. Apesar da alegria desmedida de tantas ideias em ebulição e que poderiam resultar, o paciente apenas se transforma num objecto sentado penitente numa sanita metafórica, indiferente ao sono de terceiros que o não ouvem, não lhe dão atenção. De suores frios ao vómito sob dois dedos enfiados até meio da garganta desintegram-se facilmente os projectos mais ou menos ambiciosos de um livro fora de série com a promessa de uma ressaca pastosa ao despertar com os pardais chilreando sobre a janela onde o sol penosamente bate para poder entrar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes apetece-me uma entrevista terapêutica como se valesse a pena saber o que vai passando na infeliz cabeça do aprendiz a escritor. Dar conta das dificuldades, do porquê de tanta mediocridade, dos desânimos constantes, das euforias repentinas de génio, e por que se desiste no preciso momento em que tudo e todos barafustam para contrariar-nos a preguiçosa e fácil atitude de estarmos calados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No que refere a mim podem ser mil e uma maleitas. Se não vou bem cá dentro, cago uma boa dose de mil palavras sem que alguma pareça ser coerente e diga realmente qualquer coisa em concreto. Devia haver hospitais que internassem escritores ou escrevinhadores doentes de &lt;i&gt;silenciosite crónica&lt;/i&gt;: ministravam-se umas potentes gramas de literatura clássica para resolver dúvidas, intercalando com injecções periódicas de textos contemporâneos e, à noite, uns supositórios de poesia épica para, no mínimo, reduzir os efeitos nauseabundos dos ataques verborreicos da madrugada. Com uns bons dois meses (ou o tempo que fosse necessário) de tratamento intenso, mesmo residindo a dúvida se o doente sairia como um escritor novo, concerteza muita boa gente – como eu – daria alvíssaras por ficar finalmente curado deste mal do papel em branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3543698822334981082?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3543698822334981082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3543698822334981082&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3543698822334981082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3543698822334981082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/08/silenciosite-cronica.html' title='silenciosite crónica'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/TFWZdJuvBiI/AAAAAAAAB-I/J7koYPhcrdc/s72-c/14+sil%C3%AAncios.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7150762263166755860</id><published>2010-04-26T20:41:00.004+01:00</published><updated>2010-04-26T20:54:03.259+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>circunstância</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S9XslLO4k9I/AAAAAAAAB3o/xJP_OBskFuI/s1600/lafora.jpg"&gt;&lt;img 0="" 10px="" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S9XslLO4k9I/AAAAAAAAB3o/xJP_OBskFuI/s400/lafora.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5464533846298498002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixou de ter importância o que escrevo, por quê e se escrevo. Adianta-se a tarde nos meus sentidos, escurecendo de nuvens as emoções e o pulso. O crepúsculo banha a redundância da tarde e eu quedo-me sem perspectiva com um livro mal amparado sobre o meu colo. O olhar segue preguiçoso a braços com o cansaço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não leio: deixo para quando a noite cair e a penumbra resgatando-me para a companhia da solidão. Como sempre foi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrevo sem pressa e por circunstância. Fiquei sem vontade de continuar. Se for o caso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(ou o ocaso permanente e irreversível)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a voz termina sem acenar quaisquer despedidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7150762263166755860?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7150762263166755860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7150762263166755860&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7150762263166755860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7150762263166755860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/04/circunstancia.html' title='circunstância'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S9XslLO4k9I/AAAAAAAAB3o/xJP_OBskFuI/s72-c/lafora.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6552850266149249111</id><published>2010-04-11T14:38:00.003+01:00</published><updated>2010-04-11T14:40:07.057+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='enormidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>dois poemas estranhos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S8HQ9W_sDLI/AAAAAAAAB3I/ITTDq1S7VCY/s1600/blog___pomba_branca_ferida_com_m_o_a_suport_la.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 392px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S8HQ9W_sDLI/AAAAAAAAB3I/ITTDq1S7VCY/s400/blog___pomba_branca_ferida_com_m_o_a_suport_la.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5458873975913057458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estão dois poemas estranhos&lt;br /&gt;(no mínimo estranhos)&lt;br /&gt;a observar o que sucede&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde são largados os pombos&lt;br /&gt;levemente atordoados pela claridade&lt;br /&gt;para o tiro ao alvo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ressoa o estrondo da pólvora&lt;br /&gt;e sibila o vento&lt;br /&gt;na velocidade do projéctil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as manchas de sangue catapultam-se no ar&lt;br /&gt;tingindo a azul paz celeste&lt;br /&gt;num revoar de plumas carmesim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o grito dolente e mudo&lt;br /&gt;arrancado da mais delicada laringe&lt;br /&gt;que outrora rolava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cai em flecha numa certeza de terra&lt;br /&gt;que por ser ainda sagrada&lt;br /&gt;lhe torna a morte mais nobre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e faz do atirador um deus&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' 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Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S8HQ9W_sDLI/AAAAAAAAB3I/ITTDq1S7VCY/s72-c/blog___pomba_branca_ferida_com_m_o_a_suport_la.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5041093251887101570</id><published>2010-04-02T15:39:00.005+01:00</published><updated>2010-04-02T20:37:57.076+01:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>agnus dei</title><content type='html'>&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-6a1ac4966ef4b675" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v10.nonxt8.googlevideo.com/videoplayback?id%3D6a1ac4966ef4b675%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331175168%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D31501C55403D8FDFB6914D0E7AAECD75516BFC6C.2AF67D95333397FAAC2003E8E89CD732A5EBC90D%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D6a1ac4966ef4b675%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3DfBS3F-hDh_yDdhLFaGkg4yryLy0&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" 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antes dela. O teu nome perdurou na história dos homens, a madeira transformou-se em cinzas. Chamaram-lhe a cruz por que eram dois troncos toscos colocados transversalmente: um na vertical e o outro alinhado ao centro no topo do primeiro horizontalmente. Ou simplesmente por que os dois troncos se cruzavam em &lt;b&gt;T&lt;/b&gt;, não um perfeito cruzamento mas antes uma bifurcação perversa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(o que bifurca? o teu destino? o destino dos homens? dois caminhos de deus?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por cima uma inscrição muito irónica, à semelhança do que se faz ainda hoje quando se quer humilhar alguém. Era assim que na lei imperial romana se castigavam os prevaricadores. A cruz em ti passou a ser sinal perverso de salvação, mas significa apenas a tua morte. Cegos os que não percebem coisa tão simples.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foste o primeiro mártir sem pátria: aquele que combatia com a palavra e actos de bondade como dádivas os vícios instituídos em vez do gume das espadas e dos punhais sedentos de sangue. Um mártir para expiar a inveja e a mesquinhez de um povo alienado pela influência de um poder corrupto de fariseus subalternos do outro poder dominador de roma. Morreste sofrendo de uma tortura medonha, alicerce enfim de todas as vergonhosas torturas vindas depois em teu nome e do pai deus e de toda a civilização acreditando que foste o santo dos santos. Ofereceste a face ao cuspo e ao escarninho da vileza humana, raça naquela altura já tão sem vergonha dos seus actos que nunca mais viria a mudar. Depois de ti os que te seguiram na mesma pureza foram também carne oferecida a martírio para a salvação dos pecados, e depois destes aqueles que os seguiram sentindo que era a ti que seguiam, somando mártires e santos antes e depois da igreja que veio com o teu nome erguida como paródia, mártires cuja quantidade esse deus não soube nunca contabilizar. E ainda os que, mesmo renegando yahweh ou outro deus menor, da mesma sorte foram partindo deste mundo em dois mil anos depois de ti, à assimetria de outros mais ainda antes da tua anunciação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta humanidade, que protegeste na tua dor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(como a leoa protege as suas inocentes crias da predação das hienas e dos chacais loucos de sangue e carne fresca – mas será que não sabias que a humanidade em vez de inocente era, como foi e será, um covil de hienas e chacais, esses animais feros e escarninhos, covardes desde o princípio do mundo, a rasgar sem remorso a carne do teu colo acolhedor?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esta humanidade, de tanto obscena, não soube nunca compreender-te. Aceitar-te como um homem em tudo semelhante aos que habitavam a terra, mas semeando um evangelho promissor de frutos novos e esperanças. A humanidade temia que os espelhos quebrassem, não se sentia confortável que a tua imagem se lhe fosse semelhante, não era possível uma metáfora viva de carne e osso. Mesmo sabendo e apalpando a solidez da tua carne, a energia da tua voz e a ternura do teu toque. Não havia por que duvidarem, mas os homens não te aceitaram como um seu igual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amedrontados com o desconhecido, imitaram ancestrais: ergueram-te como o mais divino, o primeiro dos santos pregado nessa cruz que é afinal uma bifurcação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(o que bifurca? o teu destino? o destino dos homens? dois caminhos de yahweh?),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um cordeiro desse deus malvado que inventaram para justificar os seus actos. O cordeiro de deus que derramaria o seu sangue para a redenção dos pecados e da malvadez humana. É mais fácil uma hipócrita bandeira branca do que a perseverança em nos tornarmos melhores do que fomos, do que são os animais feros e escarninhos de onde viemos. E chamaram-te cristo, isto é, o ungido de deus: aquele que tudo supera, por amor aos homens fracos de carne e espírito. E se ungido de deus, símbolo da humanidade para sua aspiração ao bem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, nunca te seguiram verdadeiramente: nem com as palavras que semeaste em vez do gume das espadas e dos punhais sedentos de sangue, nem pelo que em ti projectaram, o cordeiro ungido e salvador. Continua a humanidade numa senda obscena e hipócrita, expiada por ti durante séculos até ao fim. A carregar a sua verdadeira cruz, não de madeira, não de pedra, mas de chumbo: vem carregando nos ombros o mundo por castigo, à beira da catástrofe, vítima da sua tão grande culpa e cobiça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim errará pelos séculos, numa grita silenciosa de sofrimento maior que todos os infernos delirados. Até que desapareça do espaço e do tempo esmagada pela sua própria mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5041093251887101570?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5041093251887101570/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5041093251887101570&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5041093251887101570'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5041093251887101570'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/04/agnus-dei.html' title='agnus dei'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4874878971987676603</id><published>2010-03-24T21:06:00.003Z</published><updated>2010-03-24T21:10:46.878Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><title type='text'>ensaio poético para andreia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S6p-9xhpmEI/AAAAAAAAB20/K1x8J7rGpkM/s1600/sensualidade_paulovieira.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S6p-9xhpmEI/AAAAAAAAB20/K1x8J7rGpkM/s400/sensualidade_paulovieira.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5452309898617002050" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Sensualidade&lt;/i&gt;, por&lt;b&gt; Paulo Vieira&lt;/b&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://1000imagens.com/autor.asp?idautor=1600"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;a tua melena de ouro confunde-se com as searas do pão&lt;br /&gt;que sacia a fome dos homens;&lt;br /&gt;além violetas, margaridas, e um mar de trevos&lt;br /&gt;de onde despontam papoilas;&lt;br /&gt;faz sol, Andreia, escolhe uma sombra;&lt;br /&gt;a laranjeira já não te pertence, nem os seu ramos&lt;br /&gt;nem as suas flores;&lt;br /&gt;enfeita os teus cabelos com ramos de damasco&lt;br /&gt;a cor perfeita nos teus seios incendiados de desejo;&lt;br /&gt;estende teu corpo acolá, entre o perfume das flores:&lt;br /&gt;um teu amante virá e cobrirá a tua pele banhada de brancas pétalas,&lt;br /&gt;que se desviarão ao toque carnal da sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4874878971987676603?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4874878971987676603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4874878971987676603&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4874878971987676603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4874878971987676603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/03/ensaio-poetico-para-andreia.html' title='ensaio poético para andreia'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' 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style="font-size:x-small;"&gt;Abbey Road&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt; (1969)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sol nasce&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(para todos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vais filosofar a esta hora da manhã?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tens razão, não vou)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e quando nasce vem prometendo que se recolherá naquela hora em que se deixa já de sentir-se o inverno&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(apesar dos dias de chuva, do vento e do frio que como vagabundos sem abrigo, sem destino, sem lugar ou hora certa vão dando mostras do seu mau feitio quando já tudo menos se espera deles)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o assobio do melro entre o verde que se reaviva inverte a melancolia em sorrisos espontâneos, as pálpebras cerradas a apreciar-lhe o canto com um prazer que se pensava esquecido e os braços espreguiçam-se como se todos os minutos do dia fossem de morna alvorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bicicletas limpam-se do pó e do bolor das penumbras de garagem a cortar o ar em velocidades de pardal sem levantar do chão, e os casacos saem do corpo para seguir a tiracolo ou atirados para dentro do roupeiro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hoje ficas aí&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e em vez da camisola farta e cinzenta, a leveza do algodão colorido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As árvores despidas vão vestir-se lentamente não porque deixaram de se sentir quentes e tenham agora frio mas porque se vão vestindo de frescura a convocar brisas, aromas, sombras graciosas que não trazem depressões no seio. Os rebentos na terra esperançando frutos novos e quando menos se dá conta, já os prados se enchem de malmequeres brancos e amarelos enquanto não amadurece o tojo e a giesta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bucólico o ar sem ares de tristeza. Então, os cabelos das mulheres mais belas semeiam a primavera, renovando o ciclo das estações, sempre e cada vez mais esperada com a saudade de nos sentirmos felizes, de que talvez o tempo não seja assim tão cru e nos conceda o desejo de se deixar ficar paradinho de todas as vezes que a memória o proteste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem aí o sol, é certo, mesmo que lhe custe ainda adaptar-se à inclinação deste hemisfério onde tentamos todos encontrar razões para nos livrarmos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(olha, afinal sempre se filosofa)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de tantas nuvens negras – físicas ou metafóricas – que nos têm atormentado há tantos meses e em que parece que envelhecemos sem dar vazão ao próprio tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(- Pára! Não estragues tudo. Não resistes mesmo, não é?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A natureza prossegue, meu amor, e a minha é assim mesmo... não a posso travar.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7684043272401679243?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7684043272401679243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7684043272401679243&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7684043272401679243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7684043272401679243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/03/here-comes-de-sun.html' title='here comes the sun'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5878130137413598624</id><published>2010-03-04T21:23:00.004Z</published><updated>2010-03-04T21:28:14.885Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><title type='text'>é um palheiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S5Ak42xnPEI/AAAAAAAABvk/-HxphVGcQNQ/s1600-h/recomecar.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 308px; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5444892508685810754" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S5Ak42xnPEI/AAAAAAAABvk/-HxphVGcQNQ/s400/recomecar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(autor da foto desconhecido)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos no mundo a abafar nossos vãos e inconfidentes pecados, a tirar da vida e das pessoas tudo o que é ter, e ter sempre cada vez mais. Feitos doidos, roemos o pão duro que o tal diabo amassou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pobre padeiro medíocre o diabo, há séculos a fazer um pão assim tão rude, e nós pior ainda, que o tragamos sem reclamar, nem sequer uma mirada por cima do ombro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem saber onde encostar o corpo e descansar a cabeça, sem saber em que chão firme possamos pisar ou se é no lodo que nos vamos atolando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dizes-me: o mundo é feito assim, vais agora tu querer mudá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes-me mais: escreves essas coisas todas sofridas, conta lá, és uma pessoa triste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E respondo: não posso sozinho mudar o mundo, claro que não, se ainda fosse eu e tu e outros mais ainda talvez, mas mesmo assim… Nada muda, e isso é que me incomoda, cada dia igual ao anterior e nada fazemos: menosprezamos o que mais significância tem e rendemo-nos às coisas fúteis, idolatrando falsas questões, ao encontro de falsas sendas. Cremos em deus tão enganados de nós mesmos. Cremos em deuses porque não sabemos como crer em nós próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E respondo mais: triste eu? Que conheces de mim para me rotulares a tristeza? Não a coloques em mim, que sigo sem culpa gaguejando incertezas e amarguras de cada vez que me cresce a idade. O mundo é que é triste, nunca te preocupaste em olhar à tua volta? O mundo está triste, tão doente: se nada se acerta, como vamos acertar o passo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Para que juntemos a vozes e façamos uma longa cadeia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(diria eu. E responderias:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa-te de merdas, e vem mas é divertir-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada muda, vês? Alguém ainda mexe uma palhinha, mas, no fundo, quem tem coragem para encontrar essa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(senda, graal, o que lhe chames)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tão procurada agulha no palheiro? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5878130137413598624?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5878130137413598624/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5878130137413598624&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5878130137413598624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5878130137413598624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/03/e-um-palheiro.html' title='é um palheiro'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S5Ak42xnPEI/AAAAAAAABvk/-HxphVGcQNQ/s72-c/recomecar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1806856142377498954</id><published>2010-02-21T16:24:00.002Z</published><updated>2010-02-21T16:28:22.575Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='02 fevereiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>vida má rês</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S4FefRyDIZI/AAAAAAAABu0/sLdodTMNpB0/s1600-h/lol.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 300px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440733716282548626" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S4FefRyDIZI/AAAAAAAABu0/sLdodTMNpB0/s400/lol.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um fado de gume bem afiado: fatia-nos em porções desiguais consoante a ingenuidade, a altivez, a cumplicidade, a cupidez, a sinceridade, a desfaçatez, a genialidade e a estupidez que carregamos durante os anos. E por último, a ansiedade de que a senilidade venha trazer-nos a sensatez de caminharmos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(seccionados em fatias-fiambre de vive-um-dia-de-cada-vez)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com a resignada consciência da nossa finitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu desfaço rude todo o espaço em volta na revolta por esse estado induzido de embriaguez, julgando que tudo posso e mando enquanto o mundo tão insano se dissolve nas teias dos seus porquês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida é um desdém, em afiado gume: fatiados, cozinha-nos depois muito bem, de goela à gula, em brando lume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É traiçoeira e de má rês, a servir-nos de alimento a um surdo-mudo deus, energúmeno que nunca soube se afinal nos queria, ou se desejaria aniquilar-nos de vez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1806856142377498954?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1806856142377498954/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1806856142377498954&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1806856142377498954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1806856142377498954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/02/vida-ma-res.html' title='vida má rês'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S4FefRyDIZI/AAAAAAAABu0/sLdodTMNpB0/s72-c/lol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3694914368166963000</id><published>2010-02-19T22:21:00.001Z</published><updated>2010-02-20T20:56:49.939Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='02 fevereiro'/><title type='text'>grisalho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S38PIZjv4rI/AAAAAAAABus/vggpJoyfO4U/s1600-h/namorados_idosos.jpg"&gt;&lt;img style="WIDTH: 400px; HEIGHT: 205px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440083511861043890" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S38PIZjv4rI/AAAAAAAABus/vggpJoyfO4U/s400/namorados_idosos.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os teus lábios beijam-me pálidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lá fora o nevoeiro como se mil fumadores&lt;br /&gt;filosofando tacitamente a quietude da alvorada:&lt;br /&gt;é a palavra cinza de frio escrita na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do leito te ergues, morrendo os lençóis à tua partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a tua ausência acentua a cor grisalha da janela&lt;br /&gt;a consentir que espreguice o corpo dolorido sobre o leito&lt;br /&gt;e os meus músculos não querem acordar prematuros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;regressas ao quarto já a fumar&lt;br /&gt;como se quisesses fazer parte do ritual que além janela&lt;br /&gt;o dia provoca na sua triste e cinzenta manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olhas-te ao espelho, observas o teu corpo&lt;br /&gt;e de súbito reparas no teu envelhecimento:&lt;br /&gt;ontem não soubeste não conseguiste fazer-me amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perdoa-te&lt;br /&gt;concede-te a desculpa da primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez que o dia não se acinzente assim tanto&lt;br /&gt;e eu possa sentir-te crescendo sob as tuas rugas&lt;br /&gt;numa torre carmesim a ansiar o desejo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3694914368166963000?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3694914368166963000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3694914368166963000&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3694914368166963000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3694914368166963000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/02/grisalho.html' title='grisalho'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S38PIZjv4rI/AAAAAAAABus/vggpJoyfO4U/s72-c/namorados_idosos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1425927293206713277</id><published>2010-02-09T21:41:00.007Z</published><updated>2010-02-09T22:11:10.949Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transcendência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='02 fevereiro'/><title type='text'>o funil</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S3HX5fclDrI/AAAAAAAABtU/ImnZzbTvRvw/s1600-h/botticelli_map.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 270px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S3HX5fclDrI/AAAAAAAABtU/ImnZzbTvRvw/s400/botticelli_map.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5436363607906782898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;(Botticelli)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginas um funil? Agora enche-o de areia até cima, e enquanto os primeiros grãos começam a correr pelo fundo, coloca-me miniaturizado no topo, sobre a areia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(não sou muito pequeno para desaparecer dentro da areia, nem grande suficiente para me segurar).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O funil vai esvaziando e eu descendo desequilibrado no chão instável sob os meus pés&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(eu serei uma miniatura ou uma caricatura?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e apesar de ver o fosso aumentar em meu redor, e apesar de atiçar as unhas contra a parede lisa do funil, não almejo salvação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(é curioso observares o fenómeno: bastariam os teus dedos como pinça para me salvar da aflição, mas tens os olhos ávidos de saberes o que vai acontecer concretamente).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já a areia desceu praticamente toda pelo tubo final do funil, e ainda que por momentos conseguisse segurar-me numa aresta mal polida do objecto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(até no abismo encontramos os erros alheios)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as minhas forças rendem-se e eis o meu corpo resignado a deslizar até ao afunilamento do relevo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Não sou miniatura nem caricatura: sou uma marioneta. Um fantoche de braços, pernas e cabeça aflitos e desesperadamente agitados pela tua curiosidade.)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem magro nem muito gordo, mas uma massa corporal suficiente para que, ao afunilar, não conseguir finalizar a viagem pelo tubo onde termina o objecto: sou eu, metade afunilado, metade ainda a respirar a superfície, mas sem qualquer esperança de salvação. Se me puxas para cima, separarás o tronco das pernas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(queres-me inteiro?);&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se me empurras para baixo esmagas-me a cabeça para dentro do tronco. A estupidez está em que por mais riscos eu corra contigo, vou sempre para onde me queres levar. E um dia vai ser assim: deixo na parede o desassossego volatilizado pela penumbra que se insinua consoante a vontade das nuvens, e estarei acossado pelo humor da tua curiosidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Livra-te deus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(sobrou-me aqui uma vírgula?)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1425927293206713277?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1425927293206713277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1425927293206713277&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1425927293206713277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1425927293206713277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/02/o-funil.html' title='o funil'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S3HX5fclDrI/AAAAAAAABtU/ImnZzbTvRvw/s72-c/botticelli_map.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5058991329655160216</id><published>2010-01-20T22:02:00.004Z</published><updated>2010-01-20T22:06:14.847Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>verborreia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S1d9l2BJglI/AAAAAAAABs0/RvdrgfOsI3g/s1600-h/maison7.1263033021.jpg"&gt;&lt;img 0="" 10px="" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S1d9l2BJglI/AAAAAAAABs0/RvdrgfOsI3g/s400/maison7.1263033021.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5428945964927386194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto de Raphaële Colombi (&lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://in-errances.blog.lemonde.fr/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não consigo escrever: tudo se amontoa à boca do pensamento, cheio de ruído, congestionado por preocupações e más vontades contra mim. Não encontro outra posição senão a cabeça amparada sobre a palma da mão, numa atitude de&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(foda-se lá isto)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de indiferença, com a boca posta torta de cansaço. Os olhos deixam-se levar pelo peso das pálpebras e vou quase chegando aos sonhos da vigília onde a realidade se transforma em algo confuso e cada vez mais distante. Desperto com o roncar furioso de um carro para lá da janela, e não mudando de atitude, fico a observá-lo: bicho preguiçoso de focos espetados a assomar na curva, a rua sobe e o bicho barafusta com as suas ventas de pistões e escape com o declive que lhe faz perder a velocidade, o condutor reduz para segunda e o carro vai esforçado, lentamente, a subir o quanto lhe custa, até desaparecer da minha vista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Retornando a paisagem à noite deserta e fria, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(todas a casas de estores corridos como se por dentro nunca tivessem sido habitadas)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;volto a encarar a alvura do papel, o deserto vasto branco do papel que me magoa, intriga e frustra. Os cigarros são a derradeira tentação, a mão segurando uma esferográfica suspensa das palavras que teimam em não decifrar o pensamento atrapalhado por sentimentos que não sei agora exprimir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que o que digo – ou o que disser – é sobre o quanto já não sei o que foi, tudo o que é transforma-se vagaroso num ontem antecipado e descomprometido, e sigo cego de mim mesmo, com a cabeça pousada na palma da mão, a boca torta do cansaço que também se transforma, lentamente, numa irremediável irritação contra mim, contra todos. E por isso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(foda-se lá isto)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não lembro o passado, nem descodifico o presente e muito menos posso pensar qualquer nada de um futuro que honestamente nem sei que significado tem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Crês em mim? Estou como o carro, bicho preguiçoso a subir o declive de uma rua. Se engatasse a segunda talvez viesse a produzir alguma coisa, mas temo que no fim da subida, arfando das ventas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(de pistões e escape)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;me venha a faltar o combustível. Então era o papel amarrotado, o caixote do lixo boca esfomeada da minha mediocridade. Será melhor procurar outro repouso para a cabeça que não as falanges da mão, uma almofada talvez, aguardando o sono que venha a retemperar a energia para um despertar sem amuos nem resmungos. Procurando não o hoje, já transformado num ontem, mas tentar revigorar um amanhã mais promissor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelos menos que escreva puro, sem esta verborreia que nada acrescenta, e apenas me ilude.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5058991329655160216?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5058991329655160216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5058991329655160216&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5058991329655160216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5058991329655160216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/01/verborreia.html' title='verborreia'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S1d9l2BJglI/AAAAAAAABs0/RvdrgfOsI3g/s72-c/maison7.1263033021.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3989720177475052809</id><published>2010-01-13T21:15:00.004Z</published><updated>2010-01-13T21:25:10.022Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><title type='text'>chama-me pelo nome</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S045lp9ofkI/AAAAAAAABsk/zrNxJlCl2tQ/s1600-h/terra-space-600x300.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 200px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S045lp9ofkI/AAAAAAAABsk/zrNxJlCl2tQ/s400/terra-space-600x300.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5426337920110329410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.jarriermodrow.com/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ano caiu sob as suas raízes apodrecidas. Delicadamente o humor da terra prepara a vida para depois da estação velha, fendida a frio e a plumas de neve como só os céus podem oferecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os calendários reiniciaram os ciclos após o solstício de inverno em que a penumbra desceu o seu peso sobre os olhares, os sorrisos e os gestos. Caminham agora os dias vagarosamente para jornadas mais abertas, compridas nos mostradores dos relógios do ano nascituro, em promessas de maiores alegrias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, entretanto, o mundo. Fendido pelos humores da humanidade, pela redundância da fraqueza social. O mundo que se recicla numa indiferença de tudo e tão ambígua: renascem as fontes, multiplicam-se sem se esgotarem os insaciáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos jogam sem regras a cabeça dos outros. Jogam e perdem. Perdem e tornam a jogar, perdem novamente e oprimem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca se vencidos. Sempre por vencedores. Os que ditam a história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando for a morte despenhando essa avalanche de grosseria, e as fontes recuperarem o sentido dos ciclos que se renovam, aí estende a mão na frente do teu mais virgem sorriso. Ergue a voz para inundar o mundo. Solta os cabelos para arejar o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando for então a vez de se abrirem os olhos, chama-me. Quando forem os vencidos. Quando os espelhos restituídos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando se reescrever a história, chama-me pelo nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3989720177475052809?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3989720177475052809/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3989720177475052809&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3989720177475052809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3989720177475052809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/01/chama-me-pelo-nome.html' title='chama-me pelo nome'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S045lp9ofkI/AAAAAAAABsk/zrNxJlCl2tQ/s72-c/terra-space-600x300.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6113964582957496779</id><published>2010-01-06T22:15:00.004Z</published><updated>2010-01-08T22:02:15.951Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>a manhã seguinte</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S0UMRm5aRvI/AAAAAAAABsc/H8xqIP5CEuw/s1600-h/Moon_Light_2.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S0UMRm5aRvI/AAAAAAAABsc/H8xqIP5CEuw/s400/Moon_Light_2.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5423754822876284658" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;autor desconhecido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mais desejas, confessa, é que a manhã seguinte venha num piscar de olhos, quando tudo esteja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(finalmente?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;acabado. Todas estas horas a velar o nada que não se ouve, não se percebe, já não se sente. Um suplício. As pessoas vão surgindo a entregar condolências numa estafa de consideração pelo defunto, pela família, pelos amigos mais chegados. Cruzam-se no nevoeiro denso dolentes de luto, os mais afastados, submetidos à consideração social do fúnebre evento, marcam presença de mãos inertes sobre o colo, fingindo pudor quando o olhar lhes atraiçoa de curiosidade a observar o comportamento do nojo alheio: mulheres e jovens chorando, alguém que passa mal, muitos que exclamam eu não acredito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém está preparado para morrer, e menos preparado está quem fica para ver partir deste mundo alguém a quem tanto se quer. Faz parte do nosso mais inocente e inofensivo egoísmo: ainda que o moribundo sofra, ainda que cá já não esteja a não ser o corpo vegetal e mundano, não queremos nunca que parta. Assusta-nos saber que não voltaremos a ouvir a voz, sentir o toque das suas mãos, nunca mais ver o sorriso ou uma lágrima no rosto, que os olhos não voltarão a fitar-nos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso o teu desejo íntimo de que tudo desapareça de uma vez: entreguem esse amontoado de pó que o humor da terra reclama como seu, que desça ao insondável essa coisa que não sei o que é, como foi que veio para aqui e como teve a coragem de me deixar. E que não se abra o céu em grande gritaria pelo nosso silencioso sofrimento. Não celebremos morte alguma, se o corpo se arrependeu de continuar pode a alma vir comigo, para todo o sempre, dentro de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, queres que o ritual acabe de uma vez. E pensas que quem partiu foi numa viagem sem regresso em que a única esperança é esta promessa irracional que todos alimentamos de que um dia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(finalmente?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o reencontro será festejado nessa desejada manhã seguinte da nossa tão triste existência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6113964582957496779?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6113964582957496779/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6113964582957496779&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6113964582957496779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6113964582957496779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/01/manha-seguinte.html' title='a manhã seguinte'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/S0UMRm5aRvI/AAAAAAAABsc/H8xqIP5CEuw/s72-c/Moon_Light_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7334557926397059810</id><published>2010-01-01T15:00:00.002Z</published><updated>2010-01-08T22:22:18.424Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frugalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='01 janeiro'/><title type='text'>desassossego</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SDWTgIziXjI/AAAAAAAAAmA/TuRb_rDNGH8/s1600-h/maisumdia_davidligeiro.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5203227124825218610" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SDWTgIziXjI/AAAAAAAAAmA/TuRb_rDNGH8/s400/maisumdia_davidligeiro.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;mais um dia &lt;/em&gt;(Angola), de &lt;strong&gt;David Ligeiro&lt;/strong&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=890"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esta chuva que me ofusca sob minha pele o meu abraço:&lt;br /&gt;não sei sobre que escrevo, nem sei se escrevo, tão madraço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero deixar para trás as paredes sem sombras nem ocaso&lt;br /&gt;esquecer a tarde, de janelas caladas onde nascem os rostos&lt;br /&gt;com olhar amargo: as cortinas e os televisores iluminados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(tocam-se pianos&lt;br /&gt;mãos, braços&lt;br /&gt;olhos&lt;br /&gt;sapatos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque o pensamento voga em branco&lt;br /&gt;e o corpo sem tormenta transpira&lt;br /&gt;cansaço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escuto o norte dos livros e dos cigarros&lt;br /&gt;aconchego o bocejo na língua do nascente&lt;br /&gt;grito de surdina ao ocidente em descuido&lt;br /&gt;e desassossegado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então escolho de vendas nos olhos e o dedo esticado&lt;br /&gt;- vou para o sul: nem sei se acabo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7334557926397059810?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7334557926397059810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7334557926397059810&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7334557926397059810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7334557926397059810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2010/01/desassossego.html' title='desassossego'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SDWTgIziXjI/AAAAAAAAAmA/TuRb_rDNGH8/s72-c/maisumdia_davidligeiro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6624058519805131973</id><published>2009-12-31T00:05:00.001Z</published><updated>2010-01-08T22:23:30.141Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><title type='text'>breve nota para 2010</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SzvgDFS802I/AAAAAAAABrk/aithLMypkpc/s1600-h/499dc045fritz+fabert.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 399px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SzvgDFS802I/AAAAAAAABrk/aithLMypkpc/s400/499dc045fritz+fabert.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5421172920036414306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;foto de Fritz Faber&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa que os aguaceiros lavem das promessas os maus agoiros para bem fundo debaixo da terra que tudo transforma. E se o vento vier entrega-lhe a porta aberta para te arejar as quatro paredes cansadas dos cigarros consumidos na penumbra, entre a indiferença do pó velho acomodando-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A manhã virá rejuvenescer com a palavra prometida da claridade das águas de março por chegar. Recebe janeiro num sorriso e um salto de cordeiro aguentará o crepúsculo da tarde plantada na tua janela, antes de abraçares o fevereiro tão namoradeiro que é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois dedos de dia irão aumentar o teu alento. Na confiança de que os ponteiros das doze badaladas tragam a magia de tudo recomeçar, a tua tão esperada mudança: parece-te que foi há dias que nasceste e julgaste morrer, e de novo no mundo te plantas de esperança. Deste conta da vida que tens vindo a desperdiçar sempre que mudam os anos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recomeça. Com os passos largos da conquista, ignorando o passado com um encolher de ombros, e total confiança nos amanhãs que tens por erguer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6624058519805131973?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6624058519805131973/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6624058519805131973&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6624058519805131973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6624058519805131973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/12/breve-nota-para-2010.html' title='breve nota para 2010'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SzvgDFS802I/AAAAAAAABrk/aithLMypkpc/s72-c/499dc045fritz+fabert.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8436300377329472165</id><published>2009-12-20T19:09:00.003Z</published><updated>2010-01-08T22:11:59.970Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><title type='text'>sei o que és para mim</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sy52rqR3HmI/AAAAAAAABpU/34X7MX5oFb8/s1600-h/happy_alexander_kharmalov.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 374px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sy52rqR3HmI/AAAAAAAABpU/34X7MX5oFb8/s400/happy_alexander_kharmalov.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5417397894228942434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Happy, por Alexander Kharlamov em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1633"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic; "&gt;tu inauguras o mundo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Governo &lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;(de &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Inauguração do Mundo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Propaganda Sentimental&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, 2009)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tu és quando a manhã sobe na polpa doce dos teus dedos a descobrir-me sob a saliva enquanto o frio desenha cristais de geada sobre os telhados e as pedras da rua. Boceja a paisagem saída da madrugada e espreguiça-se o teu corpo como gato atiçando o meu em curvaturas de lençóis e aconchegos ronronantes do despertar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na fuligem dos pesadelos antigos as ideias murmuravam de reverso e tomavam a iniciativa das minhas vontades contraditórias. Mas há muito que a azálea murchou num oco de decomposição equivocando desilusões passadas, e por isso contigo o passado apenas histórias de fadas cruéis, gnomos insensatos e demónios malogrados. Por isso a azálea morta é um fim não cíclico, a irreversível síntese de todos os amanhãs novos a mim prometidos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sob a maciez carnuda dos teus seios palpita-te o coração com o calor necessário para que me aqueçam os membros, o tronco, os olhos embalados numa embriaguez calma de abraço cúmplice, e sorrisos comprometidos com o fruto da primavera desejada entre nós. E que cresce, levando consigo o nosso emotivo testemunho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;És tu ao fundo do ventre numa dádiva, de tudo o que é o mundo que se abre em rosa flor, sem a necessidade das estações do ano, a beijar-me de fome toda a génese do que sou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E assim, meu amor, eu sei bem o que és para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8436300377329472165?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8436300377329472165/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8436300377329472165&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8436300377329472165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8436300377329472165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/12/sei-o-que-es-para-mim.html' title='sei o que és para mim'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sy52rqR3HmI/AAAAAAAABpU/34X7MX5oFb8/s72-c/happy_alexander_kharmalov.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5140074494010898402</id><published>2009-12-10T21:31:00.003Z</published><updated>2010-01-08T22:11:59.971Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><title type='text'>como quando tudo de novo cresce</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SyFq-rY1LGI/AAAAAAAABog/KIf0B8icP9s/s1600-h/musadeverao_jorgejacinto.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 253px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SyFq-rY1LGI/AAAAAAAABog/KIf0B8icP9s/s400/musadeverao_jorgejacinto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5413725852107353186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Sara Kostov em &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Musa de Verão&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, de &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Jorge Jacinto&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; - &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=27"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torno a cair de amores e o acto de apaixonar-me é tão volátil em mim. Vejo-te uma duas vezes e à terceira estou a tecer ternuras desmesuradas, observando-te a cruzar as pernas numa voluptuosidade que me absorve em ansiosas tremuras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E depois o ritual cumpre-se entre as chuvas e o sol de dezembro, como se perdesse a noção de todos os clichés da primavera, dos ninhos dos pássaros nas árvores, do nardo das flores crescendo nos prados. Tudo agora aqui neva, gela, humedece, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(honestamente: apodrece)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e as flores há muito que morreram para a conjugação de um fruto próximo entre a semente nova e o ar mágico do solstício de inverno. Pois nada disso me interessa, se és tu o sol e o ano, e os relógios parados numa madrugada qualquer. Existem prados verdes no teu ventre, céu de abril nos teus olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Recordo-me a beijar-te de leve, com um breve roçar dos lábios sem infringir quaisquer normas de pudor, e é sempre como se houvesse o esplendor de novos mundos fecundos em nós. Acrescento ao quadro uma lareira para melhor aconchego, e surgem os teus braços enovelando-se nos meus, o teu peito inchado com a aflição natural das fêmeas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(já sem pudor?, ou que significará pudor connosco?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para te tomar por baixo do meu frenesi: arrepiado de paixão. Como se brilhasses de ouro e cristal. Como se o teu tronco fosse o braço da via láctea atravessado na minha cama. E por isso ignoro o que me rodeia, nada se torna mais importante ou maior que tu. Serves-me o paladar de fruto da tua pele. Soltas com os cabelos as brisas de maio num dezembro renegado, assustando as sombras polutas do meu quarto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quando consumado o fogo e os corpos adormecem apartados e sem pretextos &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(uma e outra vez, como tudo se repete quando são tão efémeras as minhas paixões por ti)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;deixarás a chuva cair para meu espanto, despertado por um frio agreste de ausência, e atrás dos teus passos retomarão as penumbras aos seus lugares nos espaços vazios. Torno a cair de amores e o acto de apaixonar-me é tão volátil em mim. Recrio-te quando sinto mudo o céu no seu tom de chumbo. Para acreditar que nunca morreste, que jamais partiste.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vens sempre buscar-nos como quando tudo de novo cresce.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5140074494010898402?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5140074494010898402/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5140074494010898402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5140074494010898402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5140074494010898402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/12/como-quando-tudo-de-novo-cresce.html' title='como quando tudo de novo cresce'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SyFq-rY1LGI/AAAAAAAABog/KIf0B8icP9s/s72-c/musadeverao_jorgejacinto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2261465677298736594</id><published>2009-12-07T23:23:00.004Z</published><updated>2010-01-08T22:46:44.578Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>espelho mágico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sx2Pgn_-GUI/AAAAAAAABoY/YHk6gNhZw5Q/s1600-h/ruiva91.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sx2Pgn_-GUI/AAAAAAAABoY/YHk6gNhZw5Q/s400/ruiva91.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5412640117825083714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho o cabelo ruivo, numa tonalidade clara, e a minha pele é branca. Algumas sardas no rosto. Muitas nas minhas costas, no meu pescoço, nos meus braços. Olhos cinzentos, ou verdes, consoante a luz. Nariz fino, pequeno. Os lábios, na sua cor rosada esbatida, recortam-se como a único traço colorido do meu rosto para além dos olhos. As minhas sobrancelhas e as pestanas são claras, quase se nem vêem. Quando sorrio, mostro a alvura dos meus dentes sãos e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;o meu espelho não me diz se há alguém&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;perante estes traços do meu rosto podia dizer-me a mais bela, como uma branca de neve, embora não tenha os cabelos negros, nem negra é a sombra do meu púbis, é uma carapinha rala de cor muito clara, quase albina, como se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;como se nunca tivesse chegado à puberdade&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o meu espelho não me diz se há alguém&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;alguém que a meus olhos, cinzentos ou esverdeados, consoante a luz,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o meu espelho não me diz se há alguém mais feia do que eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei bem o que é isso da beleza, se existe um padrão para estabelecer que uma mulher é mais ou menos feia, é mais ou menos bela. Mas o que dizem, porque ouvi, é que sou uma mulher feia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há trinta e dois anos que sou assim, uma mulher ruiva e feia. E por isso talvez não seja mulher. Porque dizem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;ou dizem outros espelhos&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que as mulheres são o ser mais bonito à face da terra. Por elas os anjos caíram. Por elas os homens se perdem. Nenhum anjo caiu por mim, nenhum homem se perdeu por mim. Eu é que estou perdida para os homens, que não me querem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Olha a ruiva&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;ou&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Já viste aquela ruiva tão feia?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou indiferente, sou o reverso dos espelhos belos, sou a chacota das pernas roliças e dos bustos realçados, e sou entre os homens, apontando, galhofeiros&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha a ruiva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sendo eu para muitos a amiga eterna, a meiga amiga que lhes dá o ombro, nos momentos de amargura. A amiga ruiva. Ruiva e feia. Alguns dizem-me, quando pergunto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sou assim muito feia?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que a minha beleza é interior - um cliché tão gasto, tão batido –&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;sou uma tecla batida&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de modo que desviam a conversa no momento seguinte,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;porque não terão o dom dos espelhos mágicos?&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;continuando a desfiar os horrores e amarguras das suas vidas sentimentais, dos desgostos que as pernas roliças e os bustos realçados lhes infligem; e sinto que, apesar de atentarem nos meus conselhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Talvez devesses falar melhor com ela&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;que são frases que se dizem, tão batidas quanto a beleza ser interior, clichés e teclas batidas&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sinto que o que mais os aflige é a dúvida de saber se a amiga ruiva feia continua disponível para despejarem como num vómito de sentimentos tudo o que lhes rói na alma, e a mim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;branca, pura, virginal&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;estala-me o desejo no sangue, e eles nem imaginam o fogo que se apossa do meu corpo quando se entregam chorosos de braços abertos como se vissem em mim a virgem Maria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;e Maria não é o meu nome, é&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Olha a ruiva&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;ou&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Já viste aquela ruiva feia?&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;por isso, a ruiva, a Ruiva Feia, sim, creio que é esse o meu nome, Ruiva Feia)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu querendo deixar de ser a virgem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;Maria, ou a virgem Feia Ruiva, a Ruiva feia e virgem&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com uma vontade enorme de dizer-lhes para se borrifarem nas das pernas roliças e bustos realçados, e fazerem amor comigo, fazerem todo o amor que jamais fizeram com alguma mulher que se fite diariamente ao espelho e não saiba o que é ser branca, leitosa, sardenta, de cabelo em chamas, talvez das mesmas chamas que me cobrem de calor o corpo nas noites em que adormeço nas minhas fantasias e gozo na solidão e na sombra de um espelho que não sabe dizer-me &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;porque não terá o dom dos espelhos mágicos?&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não há mulher mais feia do que tu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2261465677298736594?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2261465677298736594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2261465677298736594&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2261465677298736594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2261465677298736594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/12/espelho-magico.html' title='espelho mágico'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sx2Pgn_-GUI/AAAAAAAABoY/YHk6gNhZw5Q/s72-c/ruiva91.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3418595215056868504</id><published>2009-12-01T16:34:00.006Z</published><updated>2010-01-08T22:49:02.360Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='12 dezembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>isto de escrever</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SxVJge9VABI/AAAAAAAABn4/SSBFZd1bSMM/s1600/24761_1252412857.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 383px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SxVJge9VABI/AAAAAAAABn4/SSBFZd1bSMM/s400/24761_1252412857.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5410311349770453010" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sabes, é um desespero isto de escrever, uma dor que remói, a cárie de um dente a extinguir-se na boca, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(falo na boca porque a boca instrumento para entabular conversas que tenho, umas fiadas, outras existenciais, algumas polémicas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;não haver deus é um deus também&lt;/i&gt;)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e por isso não escrever como se fosse um abcesso, uma ferida aberta, ou aquela dor que nos fatiga a cabeça quando queremos ver televisão ou ler um livro, e o pensamento longe, nada entendemos do programa, não sabemos o que lemos, o pensamento desviado e queixando-se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me a cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou não uma dor de cabeça, uma dor de velhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me os ossos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de modo que podes acreditar, não só como Alberto Caeiro dizia &lt;i&gt;pensar incomoda como andar à chuva&lt;/i&gt;, escrever é não saber o destino que o comboio onde entramos nos vai levar; aquela velocidade a que passam as árvores, os postes de iluminação, as casas, os automóveis parados na barulheira da campainha à passagem da composição – assim se me apresentam as palavras compostas, escritas que não querem obedecer, o cigarro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dá-me um cigarro, Rosa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;aceso porque o papel morto na sua brancura. Há quem defenda que a brancura é sinal de pureza, mas a pureza do papel é a morte das palavras abortadas na cancela esconsa do meu pensamento, e a cancela fechada, o comboio passando, levando na velocidade as árvores, os postes de iluminação, as casas, os automóveis parados na barulheira da campainha, rugindo, como rugem animais feros, acutilados pela dor que um caçador lhes inflige com a sua certeira e letal arma de trazer ao tiracolo, embrulhada em panos que se querem limpos; eu para a Rosa,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dá-me um cigarro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o cigarro não afugenta as feras, o cigarro não embrulhado em panos que se querem limpos, apenas composto na boca de onde a dor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me um dente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me a cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a dor dos velhos, dor de reumatismo, dor senil, é isso, dor senil, senil como a senilidade com que as palavras se me apresentam na cancela esconsa do meu pensamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é poesia, tão pouco um conto, de longe será romance que um dia escreverei e entalado na garganta como a espinha de peixe que se espeta na laringe e já depois de engolida ainda a sensação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tenho uma espinha atravessada na garganta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e não há espinha alguma, apenas a sensação, a sensação de que as palavras ficam entaladas, espetadas como espinhos de um cato torto abandonado nos confins de uma varanda só visitada nos dias de verão; olho para baixo e vejo a linha escura, os carris cansados, o comboio ao longe, apitando, assomando, rugindo como animal acutilado pela dor que o caçador lhe inflige, e o cigarro que me dás apenas uma mortalha de folhas secas dentro que não exorciza de modo algum esta dor de cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de dentes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de velhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me os ossos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o cigarro não exorciza, o cigarro não é a arma que traria ao tiracolo para acutilar as palavras teimosas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ou melhor,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as palavras já mortas, abortadas na cancela esconsa do pensamento, e por isso para quê uma arma, para quê um cigarro, porquê&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me a cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;se já não é a cabeça que me dói?,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nem os dentes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;apenas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me os ossos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um saco de água quente nos pés ao deitar porque a velhice&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(senilidade das palavras)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;assim obriga, queremo-nos quentes e confortáveis, assistindo à televisão ou lendo um livro de que nada entendemos porque longe o pensamento, à espera que o comboio abrande a velocidade das árvores, dos postes de iluminação, das casas, dos automóveis rugindo à espera para assaltar o outro lado da estrada, convulsos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deixai-me passar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quando no mesmo momento atravessa convicta e distraída essa pessoa idosa, por sinal, a palavra que precisava para começar aquela poesia,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não, o conto,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não, não, o romance&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que não consigo escrever, e o rugido de um automóvel onde viaja um caçador que acutila as feras com a sua arma letal, embrulhada em panos que se querem limpos, leva em reviravoltas dignas de estrela de circo esta velha, esta dor de cabeça,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;perdão,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;esta dor de ossos, ou para ser mais simples, esta dor de dentes, esta cárie de um dente destruído que é querer escrever algo conciso não me ser possível, e por isso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dá-me um cigarro, Rosa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas o cigarro não exorciza, muito menos ressuscitará o corpo que jaz sob uma poça de sangue, o automóvel sem rugir, amolgado como se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dói-me os ossos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;nada poderá remediar o facto de ter perdido atropelada a palavra que me iniciaria num discurso mais longo, de modo que, sabes, escrever dói. Dói, mais do que &lt;i&gt;pensar incomoda como andar à chuva&lt;/i&gt;, como diria &lt;i&gt;O Guardador de Rebanhos&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3418595215056868504?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3418595215056868504/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3418595215056868504&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3418595215056868504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3418595215056868504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/12/isto-de-escrever.html' title='isto de escrever'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SxVJge9VABI/AAAAAAAABn4/SSBFZd1bSMM/s72-c/24761_1252412857.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-4116175272735836073</id><published>2009-11-24T21:57:00.002Z</published><updated>2010-01-08T22:46:44.579Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='11 novembro'/><title type='text'>o motivo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwxW0gc6DUI/AAAAAAAABno/vvXP_UaHUZA/s1600/elsamotagomes.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwxW0gc6DUI/AAAAAAAABno/vvXP_UaHUZA/s400/elsamotagomes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5407792712629488962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto por Elsa Mota Gomes em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=180"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo a esferográfica deslizar sob a minha mão direita para te escrever algumas palavras. E acendo um cigarro porque as palavras, etéreas, não se materializam, e por cada fumaça que puxo do cigarro é como se quisesse arrancar a palavra certa, a frase mais coerente, o parágrafo perfeito, para te dizer qualquer coisa como&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto este&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;é tão pouco para o que há para dizer, e talvez seja por isso que em vez de discorrer no papel ou dizer-to no olhos, bloqueada, fico sem nada dito. Nada feito. Nada escrito. Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queimou-se o cigarro morto entre o indicador e o médio da mão esquerda, esmago a ponta no cinzeiro, e é então que sinto que os meus lábios tremem. Escondem um soluço, tremendo, e é nos lábios que nasce a torrente de espasmo que forçadamente quer percorrer todo o meu corpo, sacudindo-o. Num pranto envergonhado. Tremendo os lábios, porque não sabem se dizer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;será suficiente para que tu e eu própria entendamos o que há realmente entre nós, para lá do teu olhar de esguelha, por cima do jornal, e os gestos do meu embaraço pairando no silêncio da distância que nos desune.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada fazes. Perdes-te revolvendo o jornal nas páginas desportivas e deixaste em cima da pequena mesa da sala de estar a revista de domingo, como se a revista, de algum modo, fosse para ti, e à tua maneira, um&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;imaginando-me perdida nos artigos sobre a saúde do corpo, a beleza, as receitas de culinária e os passatempos, mas, sabes, por mais que me esforce, não são essas as palavras que ouço no mais íntimo de mim. Acentua-se, na maneira como viras as páginas do jornal e no silêncio dos teus lábios herméticos, a distância que nos separa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sirvo-me de mais uma chávena de café, bebo-o sofregamente como se fosse um elixir qualquer que volvesse o tempo, os objectos, para que nada disto fosse assim. Acto contínuo, acendo um novo cigarro, mas o fumo repetido a esta hora da manhã pesa-me demasiado nos pulmões, pelo que duas ou três fumaças depois já o estou a esmagar no cinzeiro de vidro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olho para ti e quero que olhes para mim. Mas é o jornal que tu queres olhar. Estás num espaço onde me tens barrada a entrada. Se vou ter contigo,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(como se tocar-te fosse uma espécie de murmúrio ao teus ouvidos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;já sei que me dizes que queres que te deixe em paz, que estás a ler o jornal e detestas ser interrompido, que vá passear o cão, ver se o periquito tem água e sementes, se há alguma roupa para dobrar, se o almoço já está adiantado, se o lixo está no contentor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim tem sido há vinte anos. Sem filhos que os recusaste porque não és capaz, sem amigas ou amigos que me venham visitar por gosto e propósito, não aqueles que trazes de vez em quando para jantar, mas amigos meus verdadeiros, que me façam distrair daquilo que eu sou, daquilo em que me conformei ser – a tua mulher – como se o facto de ser a tua mulher, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(tua de papel e aliança abençoada pelo deus que acreditas e que pensas ajudar o teu clube nas noites em que joga com outro clube a partida do futebol que assistes refugiado com os teus amigos e comparsas pela televisão com cabo no café mais adiante),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;significasse ter de servir-te, existir para servir-te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maquilho-me, componho a roupa, uso os perfumes que me ofereces em todos os meus aniversários que celebrei a teu lado na mesma atitude&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para que me olhes, apesar de saber que muitas das vezes te interrogas, desconfiado, porque me maquilho e visto assim, e que sintas que a minha presença não é uma tua necessidade pontual, mas a mulher que escolheste para viver contigo e com quem devias partilhar todos os momentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo em vão. As folhas do jornal ocupam com o seu ruído amarrotado o silêncio que afinal não preenche a casa. No sofá estás tu e o teu mundo. Eu sou mais uma peça de bibelot arrumada no pó do esquecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque será que não estou bem, passados estes vinte anos em que afinal outro homem não revelaste ser senão este mesmo, tu mesmo, que estás enterrado desde que nos casamos nesse sofá lendo as páginas desportivas do jornal, e que me olha de soslaio como se ordenasses Não incomodes!, dobrando as folhas impressas num revoar de pássaros espantados nos teus braços? Porque será?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Infelizmente já sei o porquê, e nem o deves imaginar. É pelo mesmo motivo que voltei a fumar, deixando-te surpreso quando me viste há dias, novamente com o vício a soprar pelos meus lábios, sempre impecavelmente pintados para ti. E tu pouco te importaste, disseste que a saúde era minha, ao passo que tu fumas mais do que eu, e daí fazes pretexto para voltares a inundar a sala, o quarto, a casa de banho com o cheiro pestilento do fumo excessivo que carregas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O motivo. Das minhas mais recentes insónias e das minhas mais recentes fingidas dores de cabeça que te irritam e desiludem, nas parcas vezes que me procuras para outro fim que não seja dar-te de comer, dar-te de vestir, dar-te o conforto de uma casa composta. O motivo dos meus olhos borratados do rímel, o motivo de, ao fim destes anos todos, esperar-te na sala de estar, embrulhada numa manta, até altas horas da madrugada, quando dizes que é o trabalho, são os clientes, é o patrão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O motivo encontrei-o com a mesma dedicação que sempre tive ao tratar da tua roupa suja, como de costume despojada no chão do quarto ou da casa de banho, após uma noite em que estiveste longe, porque o trabalho, dizias tu, porque os clientes, porque o patrão. Terá sido um dos teus clientes, o teu patrão quiçá, ou outro alguém do teu tão cansativo trabalho que terá deixado dentro de um dos teus bolsos um pedaço de um guardanapo de papel, entre muitos gatafunhos que não soube entender, mas onde se via nitidamente a viva flor da tinta que exibia um&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Gosto de ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-4116175272735836073?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/4116175272735836073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=4116175272735836073&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4116175272735836073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/4116175272735836073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/11/o-motivo.html' title='o motivo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwxW0gc6DUI/AAAAAAAABno/vvXP_UaHUZA/s72-c/elsamotagomes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6289298886238176849</id><published>2009-11-18T20:54:00.005Z</published><updated>2010-01-08T22:02:15.953Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='11 novembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>era novembro e chovia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwRfObRZCLI/AAAAAAAABnA/3iAlK98XRdU/s1600/05-12-07_0012.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwRfObRZCLI/AAAAAAAABnA/3iAlK98XRdU/s400/05-12-07_0012.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5405550154194946226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era Novembro e chovia. Na pequena aldeia, as principais ruas eram iluminadas por um brilho amarelo e tímido das lâmpadas plantadas de longe a longe. Como se as tivesses tirado do sótão e pendurado nos postes magros &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;lembras-te do sótão concerteza, vinham as noites quentes de verão, levavas-me lá acima para ver o céu estrelado e dizias &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um dia compro-te um telescópio e ficamos os dois aqui a ver as estrelas de perto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;i&gt;mas nunca isso aconteceu, sabias lá o quanto te custaria um telescópico… tinhas sonhos a mais para um homem da tua condição e isso matava-te, matava-te tu saberes tanto e poderes tão pouco&lt;/i&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/i&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma dessas luzes amarelas e fracas brilhava uns metros depois da casa, conseguíamos vê-la da janela húmida que a mãe corria a fechar-nos ao mundo, com as suas portadas desengonçadas e velhas, quando chovia &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não quero que ninguém se constipe, não há dinheiro para comer quanto mais para remédios e xaropes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e ainda assim, apesar de todos os seus cuidados, eu acabava por adoecer mal o frio chegasse à aldeia, com febres e delírios, a mobília crescia e diminuía, transformava-se, as vozes falavam-me estrondosas como trovões, mas se me esforçasse um pouco mais a concentrar-me, eras afinal tu que recolhias a casa, deixavas os três porcos que nos restavam no aido, roncos de suíno, chicotadas, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eh porco!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ralhando e praguejando com os animais, mas no fundo eras bem capaz de te deitar com eles, no chiqueiro, eras capaz de os confundir com os camaradas que jogavam contigo o dominó ou a sueca, na adega do senhor Manel. Lembro-me da mãe muitas vezes me dizer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fica aqui quieta, não abras a porta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e quando julgava eu que me tinham abandonado para sempre, a porta abria-se em soluços, e entravas tu, empurrada pela mãe, o teu cotovelo a desarmá-la, fazias aquele teatro de tentares ficar sóbrio para que eu não reparasse e murmuravas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não deixes que a miúda saiba&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e a mãe, sem baixar a voz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não tivesses bebido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e tu, ainda murmurando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fui na maré&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e a mãe, elevando cada vez mais a voz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um dia afogas-te.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinhas cambaleando sobre mim, eu por vezes receava, não que me batesses, a mim nunca o fizeste, mas porque parecias um desses móveis transformado em monstro que aumentava e diminuía consoante as febres e eu fugia-te&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(&lt;i&gt;e como te magoava o meu medo, o porquê de te fugir, a tua filha que te fugia&lt;/i&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só então é que erguias o punho, como se a mãe tivesse culpa do meu medo, do teu delírio e, ainda que desses apenas uma vez, a mãe no outro dia havia de se desculpar às vizinhas com uma queda, um tacho que caíra do armário, para justificar aquela nódoa, aquele olho inchado. Por vezes choravas, dizias que tinhas matado, esventrado, e eu imaginando-te lá por África matando e esventrando porcos, como sempre fizeste desde que me lembro cá em casa. Nunca compreendi que turras eram esses, nunca compreendi os comunistas que nos comiam ao pequeno-almoço, se calhar os comunistas móveis transformados numa febre, nunca compreendi as tuas lágrimas, assim como nunca compreendi que numa dessas noites de Novembro, em que chovia lá fora, e não se viam estrelas, o sótão estava fechado até que fosse verão novamente, e ouvi a mãe gritar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ai Meu Deus, Ai Meu Deus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fazendo alarido àquela hora tardíssimo, ela que detestava que falasses alto quando fazia noite, a mãe que te fora buscar porque fazia horas que não saías da soturna adega do senhor Manel, boteco escuro que apesar dos rebuçados coloridos que o dono me oferecia constantemente, me dava arrepios lá entrar. Não fosse ele ser teu companheiro lá em África e me comprar com doces para eu entrar naquele cubículo a tresandar a vinho e a aguardente, fugia dali a sete pernas, porque sabia que mais tarde ou mais cedo tu sairias de lá e quererias ficar a dormir com os porcos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eh porco!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E foi numa dessas noites: a mãe encontrou-te estendido na lama dos animais, de bruços, e quando te virou o corpo, viu-te os olhos baços, tão baços quanto a lâmpada amarela que iluminava a rua, e a tua boca aberta &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(eu não sei, não vi, ela é que dizia)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;lamentando as desgraças que por África dizias ter semeado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6289298886238176849?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6289298886238176849/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6289298886238176849&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6289298886238176849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6289298886238176849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/11/era-novembro-e-chovia.html' title='era novembro e chovia'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SwRfObRZCLI/AAAAAAAABnA/3iAlK98XRdU/s72-c/05-12-07_0012.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2954597607242883549</id><published>2009-10-31T18:33:00.009Z</published><updated>2010-01-08T22:49:40.470Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><title type='text'>mais um cigarro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SuyDOADNEAI/AAAAAAAABmI/624DR4rqWhI/s1600-h/Cigarro.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 361px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SuyDOADNEAI/AAAAAAAABmI/624DR4rqWhI/s400/Cigarro.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5398834329865228290" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;(autor desconhecido)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém deve ter-se insurgido contra a ansiedade e a angústia: pelo chão viam-se espalhados vários cilindros esmagados de cigarros que nunca foram acesos, e eu a questionar-me olhando à minha volta sobre quem terá sido o felizardo de tão alegre proeza: matando a fome depois de morta a angústia. Não avistando ninguém pulando de contentamento por ter deixado os grilhões, louvando guinchos à sua liberdade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(na verdade as pessoas que se cruzavam ali comigo naquele sítio semeado de cigarros nunca fumados nem um sorriso de contentamento concediam, todas fechadas como o céu se fechava sobre as nuvens que ameaçam e nunca chove, as pessoas levam as negras nuvens dentro de si, não as deixam à entrada da porta de casa, sentam-se com elas no sofá, analisando as contas da frutaria, do talho, da padaria)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não vendo ninguém, dizia, atirando ipirangas ao desbarato como quem lhe calha a sorte grande, duvidei dos cigarros esmagados, e segui o meu caminho, com as contas da minha vida em nuvens que nunca chovem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podia ter dito&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isto fica por aqui&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas sabia que mais tarde ou mais cedo regressaria àquele ponto em que a esperança ainda maior que todos os tormentos a tentar convencer-me que afinal se alguém tinha tido a coragem de despedir-se e ir embora de si mesmo sem olhar por cima dos ombros, não seria ninguém que fosse ou tivesse mais que eu e portanto a minha esperança também, o meu dia aproximando-se quem sabe, talvez os cigarros atirados no chão um sinal de que consegues, também és capaz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(a quantas pessoas com as nuvens carregadas dentro de si lhes é concedida a sorte grande, diz-me lá, de um momento para o outro toda a gente enriquecendo, vaporizando as contas da frutaria, do talho e da padaria agora sem qualquer significado?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto, os meus cigarros ali em cima da mesa, apertadinhos dentro do maço, acendo um e podia ter dito&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isto fica por aqui&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas ainda que a angústia maior porque as nuvens quase a chover dentro de casa, sobrecarregadas com as sombras dos cantos onde me encolho de lágrimas e cinzas a juntarem-se-lhes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(as pessoas quando nascem tristes e aprendem a vida entristecendo podem morrer vendo as cores de uma alegria eternamente prometida?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ainda que a ansiedade não desse sinais de se ir embora, eu convencido de signos divinos, de dádivas ao acaso espalhadas na ruas prometendo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha que ainda é possível&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de cigarro pendurado nos lábios sem querer saber nada das contas da frutaria, do talho, da padaria&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(da farmácia, as pessoas carrancudas ficam que horas olhando as contas da farmácia).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E vendo bem, os céus até são benevolentes com este estado de espírito surgido do nada como acontece aos náufragos ao avistar palhinhas boiando na água&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É a minha salvação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e por isso deixo as nuvens e as sombras entenderem-se como quiserem, se lhes apetecer que chovam, o que vejo são raçadas de sol inundando a varanda como um chamamento e é para lá  que vou, dizem que a luz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(as pessoas na rua vão como cegos aos tropeções, caminham dentro de uma escuridão, onde está o interruptor para as fazer felizes um pouquinho, ninguém está a pedir a sorte grande, basta a terminação, qualquer coisa para que se esqueçam das contas, de alguns cigarros poupados, as pessoas juntando-se na harmonia do fim da tarde)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;dizem que a luz sinal de esperança, devemos de ir ao seu encontro, abandonar definitivamente a morte e crescer dentro de uma claridade vedada às nuvens negras que nunca chovem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(mas afinal as pessoas mortas sem o saberem?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De maneira que antes que o sol se vá, é para a varanda que me dirijo na tentativa de sentir qualquer coisa diferente, apartado dos cigarros e do que eles significam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(outras nuvens que nunca chovem, estas definitivamente não chovem).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na varanda, eu e as pessoas que vieram comigo em harmonia procurando o milagre da luz, vemos o sol a tombar no mar, e as casas tombando também, no sentido contrário, com as sombras dos telhados sobre os outros telhados, alongando as paredes e os espectros das chaminés como se viessem a crescer com a noite e depois da penumbra imposta, nada, desaparecem. O que sobra? Desconsolo, desilusão, desconforto? Frio, obviamente que frio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não compreendo como alguém poderá ter espalhado os cigarros pelo chão, não é sinal algum, é tudo mentira, as nuvens aproveitaram a penumbra para virem chover e nada, não pinga nada. Não pinga nada e nem um fósforo se acende para que, no mínimo, pudéssemos compreender as contas da frutaria, do talho, da padaria e da farmácia. O melhor é acender mais um cigarro, dizem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(ou digo eu apenas?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que a ansiedade e a angústia são como as feras: têm medo do fogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2954597607242883549?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2954597607242883549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2954597607242883549&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2954597607242883549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2954597607242883549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/10/mais-um-cigarro.html' title='mais um cigarro'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SuyDOADNEAI/AAAAAAAABmI/624DR4rqWhI/s72-c/Cigarro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6668190571380764485</id><published>2009-10-28T21:07:00.002Z</published><updated>2010-01-08T22:46:44.581Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>não me entendo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_iptM8XmLjt0/SuizrDpBw-I/AAAAAAAAACw/ufdxOOGVfQE/s1600-h/silence_carlosR.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 266px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_iptM8XmLjt0/SuizrDpBw-I/AAAAAAAAACw/ufdxOOGVfQE/s400/silence_carlosR.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5397761705696674786" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Silence...&lt;/i&gt;, por &lt;b&gt;Carlos R&lt;/b&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1454"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinceramente, não me entendo. Não chego a conclusão alguma sobre isto que sinto. Batalho todas a noites com o travesseiro moído de insónias enquanto a minha mulher dorme a meu lado na sua paz inocente. Observo o seu sono, noite após noite, e encanto-me: a quietude do corpo, o cabelo espalhado, as pernas nuas espreitando dos lençóis numa lascívia ingénua, as mãos repousadas perto do rosto. Os lábios entreabertos como que à procura de um beijo, revelando a doce brancura da dentição. Orelhas pequenas, nariz atrevido, pequeníssimo. É bonita a minha mulher, e isto deveria ser maior que todas as razões para as minhas insónias, às voltas no colchão, sem me entender. Sem chegar ao porquê que isto aconteceu. Viro-me para o outro lado, talvez envergonhado porque o pensamento&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;vai contra tudo o que construí até hoje; o meu filho dorme também o seu sono inocente no quarto ao lado, embarrilado pelos legos, pelos carros em miniatura, livros e puzzles, jogos, dvds e toda essa nova tralha com que os miúdos de hoje se divertem por um dia para no outro quererem outras bugigangas semelhantes. O meu filho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai, queres brincar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu magicando-lhe no rosto outras parecenças que não as da minha mulher, eu magicando &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;enquanto ele espalha um enorme saco de peças para construir um avião, uma nave espacial, brincando afinal sozinho porque eu longe, com uma peça azul na mão e o pensamento num outro espaço, numa realidade que não a minha, o meu pensamento chamando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;chamando por aquilo que não é, o meu pensamento acovarda-me chorando silencioso sobre o meu próprio ombro, de resto com imensa piedade de mim mesmo, pobre coitado de mim; isto é uma pieguice pegada, um nome, um nome apenas que me desliga do mundo em que vivo &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(como se regressasse à adolescência, com as gangas roçadas e fralda solta, procurando a novidade nas raparigas que se aproximavam de mim&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Rita&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;explorando com a mão a descoberta de um seio imberbe, sonhando molhado com o nome&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Rita&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;ou seja agora&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;- Inês)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;virado para o lado de lá da cama, virando costas ao corpo repousado da minha mulher, com vergonha, eu com vergonha de pedir&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Queres brincar comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e a peça azul colocada na mão como por acaso, olhando nas feições do meu filho uma outra ascendência, não a da minha mulher, mas a de um nome&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e no entanto é a vozinha dele que me apela, desembocada numa decepção&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai brincas ou não comigo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu virando para o outro lado, sem largar o estranho objecto azul; eu com vergonha do meu filho cujas feições as da minha mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pernas da minha mulher espreitam do lençol numa inocente lascívia, os lábios entreabertos na procura de um beijo, e se queres um beijo é um beijo que te dou, Inês, beijo-te a boca com a sofreguidão de um aflito, num sufoco de náufrago, porque se me afundo é contigo que afundo tudo, os legos, o lençol que encobre lascivo as pernas da minha mulher, as feições desfiguradas do meu filho&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(acordando em sobressalto porque sonhava que o meu filho)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e agora porque me apareceste assim, vinda não sei de onde e para quê, agarra nesta peça azul com que construo o avião para o meu filho e sê tu  a ver nele as feições que gostarias que um filho teu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(sonhava que o meu filho sem feições, sem rosto, desconsoladamente decepcionado porque eu de costas voltadas, o meu filho sem perceber&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai então já não brincas comigo?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um filho teu ditado pelos meus genes, mas não é este, este não, vieste para mo destruíres, vieste como um vírus que se instala, ou uma droga que ferve nas minhas veias nestas noites de insónia, com o pensamento às voltas na cama, moendo o travesseiro com o teu nome&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;molhando-me os sonhos com as tuas pernas de pérfida lascívia, a tua boca escancarada sobre o meu rosto arrancando-me os beijos que ainda não soube colocar em ti, colocar-me em ti&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pai brincas ou não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e ter um filho cujas feições morrem no azul de uma peça com que adormeço, como o náufrago se agarra a uma coisa qualquer enquanto se deixa ir para o mais profundo do abismo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Inês&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inês o caralhinho a sete, sabes? Sinto-me tão cansado com esta luta pateta… Chegar-me-ia &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(chegar-te-ia)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;consumir esta coisa que me amedronta com um simples abraço? Sem que me mordas as orelhas ou afundes os teus dedos dentro das minhas calças&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;(a fralda de fora, e as gangas roçadas, onde estão as pernas, que é feito dos braços, Rita?)&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;num abraço longo para me apaziguar, libertador, sentir-me por inteiro e não dividido, um abraço que se impusesse como o derradeiro? Que posso fazer, que devo fazer? A sério que não sei, que não me entendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6668190571380764485?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6668190571380764485/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6668190571380764485&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6668190571380764485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6668190571380764485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/10/nao-me-entendo.html' title='não me entendo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_iptM8XmLjt0/SuSzKU06bGI/AAAAAAAAACM/4YYMVUR3ZgA/S220/me.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_iptM8XmLjt0/SuizrDpBw-I/AAAAAAAAACw/ufdxOOGVfQE/s72-c/silence_carlosR.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2846661639515882807</id><published>2009-10-18T20:33:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:46:44.582Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>o eterno lugar-comum do efémero</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Stt0MbwsGwI/AAAAAAAABlw/lf3XoO5UKNY/s1600-h/Le_sommeil_SaMY_olhares.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 253px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Stt0MbwsGwI/AAAAAAAABlw/lf3XoO5UKNY/s400/Le_sommeil_SaMY_olhares.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5394032735665527554" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Stt0MbwsGwI/AAAAAAAABlw/lf3XoO5UKNY/s1600-h/Le_sommeil_SaMY_olhares.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Le sommeil&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;SaMY&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://olhares.aeiou.pt/le_sommeil_foto2944313.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Olhares&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contigo a contar as horas, e depois das horas os minutos que sobejam no tempo a dilatar-se nos nossos gestos tentando fazê-lo render e tudo porém acontece ao contrário quando dos preliminares&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(poemas lidos, dois copos de vinho cúmplices, o tremelique dos olhares quando o silêncio em vez de nós, incendiando-nos de desejo)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;ao êxtase, e deste à morna massagem dos corpos com picos de ternura nos sorrisos cúmplices do mesmo silencio já não incendiando, e a janela apagando devagarinho em movimentos de sombra e luz alternadas consoante a passagem do sol rente à altitude dos prédios e das árvores que o vão eclipsando, o sol por sua vez a seguir o ponteiro grande do relógio da natureza guardando-se da noite recolhido para lá do horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebemos então o quão efémeras foram as três horas em que nos demos, um dos copos de vinho tombado na ansiedade da roupa que despimos com o silêncio em chamas, o vinho escorreu a tingir o tapete&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(perpetuando o efémero com a sua nódoa cor de rubi?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e o cheiro adocicado foi-se evaporando à medida que a temperatura dos nossos corpos chamas, com faúlhas disparando dos sentidos, depois brasas e por fim um borralho de ternura a convidar ao sono dos corpos repousados, e com o sono uma leve angústia nascendo em mim pela ansiedade de o tempo ignorar desejos de eternidade, ignorando o desejo que as três horas voltassem ao ponto zero e recomeçassem, as três horas uma continuidade para lá das leis físicas, um nunca acabar enquanto ambas as nossas vontades permitissem repetir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou voltar a escrever a mesma ladainha de sempre, estou cansado disso, a dizer que com o descer da noite um do outro nos apartamos, é sempre assim: surge a penumbra e o mundo a dizer-me que se acaba, como se o amanhã&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(segunda-feira em que cada três dos seus minutos maiores que as nossas três horas de hoje)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não pertencesse ao mesmo ritmo da vida que temos de levar até que outra oportunidade; para quê este fatalismo todo, feito de saudade antecipada, de lágrima ao canto do olho, para quê esta pieguice se amanhã (uma noite de sono faz milagres)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e tudo retomando aos seus lugares?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho esta doentia tendência a acreditar que o mundo finda quando o outono traz a noite às sete horas da tarde e os domingos gotas de sangue em vão... Como deves perceber, já não estou a dizer coisa com coisa, que é isso de domingos gotas de sangue, porque me dói saber que o que me resta hoje é apenas o enquanto aqui estás, a ver-te abotoando a blusa, apertando a saia, retocando o batom, remexendo o cabelo enquanto procuras entre as sombras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Onde estão os meus sapatos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(eu nu a espreitar debaixo da cama, por trás das cortinas, onde se terão metido os teus sapatos, e isto é ridículo porque sabe-me a eterno estes fugazes momentos de abstracção em que ainda não é afinal a despedida)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e aí está o pé esquerdo, falta o direito, que vens a descobri-lo sob as minhas calças atiradas ao acaso na altura em que nem uma hora havia passado desde que o silêncio se imolou entre os poemas e os dois copos de vinho. Decido-me pelo resto da garrafa ao ver-te piscando o olho a fazer durar a ternura, abres a porta discretamente com medo de despertares os fantasmas dentro de mim, uma nesga de luz que vem de fora sacode a penumbra do que fomos e quando sais depois dela eu finalmente sozinho pendurado no escuro, ainda a tentar fazer voltar os ponteiros dos relógios nos últimos goles do vinho que agora só me amarga a boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2846661639515882807?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2846661639515882807/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2846661639515882807&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2846661639515882807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2846661639515882807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/10/o-eterno-lugar-comum-do-efemero.html' title='o eterno lugar-comum do efémero'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Stt0MbwsGwI/AAAAAAAABlw/lf3XoO5UKNY/s72-c/Le_sommeil_SaMY_olhares.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-218359824962353455</id><published>2009-10-05T20:27:00.006+01:00</published><updated>2010-01-08T22:50:24.724Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='10 outubro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>ciclo II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SspJTvjVbEI/AAAAAAAABk0/pGgvCUpIaHA/s1600-h/susanaferreira_tematicassolid%C3%A3o.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 266px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SspJTvjVbEI/AAAAAAAABk0/pGgvCUpIaHA/s400/susanaferreira_tematicassolid%C3%A3o.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389200507633232962" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;foto de &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Susana Ferreira&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=768"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não faz muito frio ainda, é verdade, mas reparaste já no aroma a vinho novo no ar? Os chorões e os plátanos vão despindo-se aos poucos das suas folhas para de árvores frondosas se transformarem em esqueletos ao vento. Veio este bocadinho de chuva quando o céu se cobriu de algodão de chumbo, a temperar as sombras onde nascem as estações feias&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(é como lhes chamas sempre que rompe outubro, mal se nota as nódoas da chuva no cimento dos passeios, nas irregularidades da rua)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e resistes à ideia que o outono se vem instalar, ignorando o recolhimento da azálea desflorada, os assobios melancólicos dos melros, os domingos desocupados, os miúdos em bandos de mochila às costas, a noite descendo na hora em que sais do trabalho, e todos esses sinais que mais cedo ou mais tarde te tomarão, apesar de insistires que não, a resistires.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resistes de braços caídos e olha que isso não é resistir, é resignares-te ao ciclo que se fechou onde outro se abre. Contrariada pelo modo como entortas os lábios e as sobrancelhas, sabendo que o calendário não te engana. Tens medo das penumbras, do choro lento dos dias e da imposição da noite&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(não as noites quentes que deixaram há muito de ter a mesma vida, agora são apenas os pardos gatos farejando os contentores de lixo, a claridade triste da iluminação na rua, as janelas dos prédios corridas de bocejos e sonolências e o trânsito que ao longe de tão colorido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não digas isso, por favor&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o trânsito compacto com os seus faróis ligados tal qual&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não o digas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;as luzes do trânsito como decorações de natal que pouco falta para lá chegarmos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu pedi-te para que não o dissesses)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e tu choramingando como a chuva aos bocadinhos, embrulhada numa manta no sofá a procurares programas banais na televisão, ou abrindo um livro ao calhas exortando numa impaciência serena a hibernação do riso, a sede dos copos de cocktails, a brisa das árvores e a fresca liberdade de te estenderes sobre a erva jovem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Olha lá, mas não sentes o mesmo quando o sol reinando ufano a derreter os corpos, transformando o barro em pó, os corpos suados com a roupa colada à pele, as matas que se imolam, as tardes perdidas a recuperar do sono das noites abafadas e insones, afinal de que te queixas tu?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconcertada atiras-me a manta, os livros, o comando da televisão, a mandares foder-me com as pategadas que escrevo, a dizeres&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;( - Vai embora, pira-te, chegou ao fim um ciclo, não é? Então que fazes ainda aí especado, não te quero ver mais, adeus)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a dizeres que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei lá já o que dizes: as nódoas da chuva alastraram e a noite trouxe as penumbras que te assustam, carregam para ti os momentos de depressão, os fins de semana encostados ao silêncio, e nada tem de ser assim. Olha-te ao espelho e aceita-te: vive em paz contigo mesma, e verás que os ciclos são circunferências, nada se fecha, tudo se renova constantemente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-218359824962353455?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/218359824962353455/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=218359824962353455&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/218359824962353455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/218359824962353455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/10/ciclo-ii.html' title='ciclo II'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SspJTvjVbEI/AAAAAAAABk0/pGgvCUpIaHA/s72-c/susanaferreira_tematicassolid%C3%A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1848828157655229600</id><published>2009-09-22T22:04:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:50:51.099Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='09 setembro'/><title type='text'>malabarista</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Srk7_gfWqXI/AAAAAAAABkE/77g0hxTy2UA/s1600-h/malabarista-20090610111612.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Srk7_gfWqXI/AAAAAAAABkE/77g0hxTy2UA/s400/malabarista-20090610111612.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384400791737379186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Observa como me sustenho de braços abertos feito gaivota com cuidados de malabarista de circo sobre o fino rebordo do copo do uísque onde não me importa nada cair, perdido o equilíbrio e as estribeiras. Um passo em frente, braços continuamente abertos, dois passinhos mais, e num soluço ansioso o pé direito resvala e cá estou eu a afogar-me num mar de malte. Que interessa andar na corda bamba entre a incerteza de viver e resvalar no abismo? A esperança? Esse lamaçal esverdeado que te obriga todos os dias a levantar da cama com um sorriso nos lábios fazendo-te ignorar os compromissos que te asfixiam, a vida que levas e que julgaras sempre rejeitar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Repara como os espelhos não te veneram, estão sempre aquém (ou além) do que pensas quem e como és. Guardamos na memória um restolho de vida que nos apetecia, mas vê lá tu, os dias minguaram sem que déssemos por tal, aliás, como em muitos outros momentos, constatar que as coisas mudam lentamente é um processo da nossa natureza de tempo interior que rejeitamos constantemente: não só as estações alteram, os filhos também crescem quando nos parecia que ainda há dias eram crianças ingénuas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(perdão? quem é ingénuo?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;agarradas ao biberão, choramingando os instintos da fome e da defecação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando sentimos que nos falta alguma coisa (ou que algo se perdeu numa mudança irreversível) é que realmente percebemos que o tempo corre. Que até, afinal, tem qualquer coisa de ser vivo: um útero cósmico que nos resguarda distraídos até à morte, e que então nos poderá mostrar, findas as amarras umbilicais, o que nunca acreditáramos que nos mostravam os espelhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pena é que no interior desse umbigo não sejamos resguardados dos nossos próprios actos e, por isso, quero lá saber se me afogo em sucessivos uísques ou que o mundo não poderá acabar nunca enquanto sobre tempo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda vais a tempo, pá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;para fazermos qualquer coisa pela nossa vida. Observa: sou uma ave com ares de malabarista desengonçando os braços no rebordo do copo. Quem se interessa uma peva por mim?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1848828157655229600?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1848828157655229600/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1848828157655229600&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1848828157655229600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1848828157655229600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/09/malabarista.html' title='malabarista'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Srk7_gfWqXI/AAAAAAAABkE/77g0hxTy2UA/s72-c/malabarista-20090610111612.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7271441907848000147</id><published>2009-09-13T18:12:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:47:26.284Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='09 setembro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>papoilas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sq0h9pCAEjI/AAAAAAAABjk/e6UqlLrL79E/s1600-h/1544898.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sq0h9pCAEjI/AAAAAAAABjk/e6UqlLrL79E/s400/1544898.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5380994472647594546" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto de &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;José Torres&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://br.olhares.com/papoilas_foto1544898.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Olhares.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lembro-me sim do dia em que choraste por me veres ao colo da mãe, aliás&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o dia em que meu filho me perguntou se eu ainda gostava dele, pobre menino, de olhar desesperado&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não me lembro, a mãe é que o conta vezes sem fim e a minha memória são das palavras dela, do sorriso distante com que as diz, por isso posso também dizer que me lembro muito bem de ti, não só pelas fotografias, mas pelo que és dentro da casa que habitei estes anos todos, uma casa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quis o pai porque pensou que eu o havia abandonado, e dou às vezes por mim a divagar como uma criança de apenas três anos tinha a sensibilidade de chegar a tanto, se bem que as crianças percebem tudo, pelo menos é o que dizem e eu&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;uma casa isolada num campo verde onde o sol sobe e desce como se só àquele lugar viesse a trazer a sua infinita luz, afinal era o que é hoje o meu mundo, tudo o que sou, tudo o que devo, a bela casa de pedra com janelas brancas e jardins repletos das cores das flores, o perfume dos dias quentes e o frio dos ventos quando fazia inverno e chovia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu tão nervosa que nem cheguei a perceber bem porquê, afinal trazia-te a tua irmã ao colo, sei que&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;essa casa onde habitam as tuas brincadeiras, quando mais crescidos levavas-me a ver o pequeno regato que em Abril se enchia de pequenas colherezinhas que me ensinaste serem os girinos das rãs que faziam a sinfonia dos fins de tarde em que nos entretínhamos a escutar no silêncio e no guinchar do velho baloiço onde que me empurravas para não me sentir triste&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu não sabia bem ao certo se teria sido a melhor decisão, mas longe de mim imaginar que o meu filho se sentisse ameaçado&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;de modo que as minhas recordações giram em volta da tua pessoa, e por isso posso dizer que me lembro, lembro-me pois, o dia em que eu cheguei no colo da mãe e te escondeste porque me achavas um intruso, alguém que te invadia o espaço, e eu tão inocente quanto as papoilas que cresciam selvagens e belas pelo campo fora e que tu adoravas, tão serena e apaziguadora como os pássaros que voavam sobre nós e se recolhiam num chilreio orquestral no grande choupal que tu tanto gostavas de assistir, agarrada à mãe com medo e com vertigens, com medo dos quartos escuros&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;mas tudo passou, a maneira como depois acolheste a tua irmã recém chegada com abraços e beijos&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;tu nunca antes estiveste num quarto escuro, num espaço opaco sem afecto, sim também me lembro, também me lembro, garanto-te que me lembro bem de todas as luzes apagadas e eu sozinha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o meu filho tinha um bonito coração e uma maneira tão dele de ver e sentir as coisas, um jeito tão dele de amar&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdoa-me. É injusto dizer-te isto. Tu melhor que eu sabes o que é isso do vazio, da escuridão. Perdoa-me.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;amavas a tua irmã mesmo vindo a saber mais tarde que ela não tinha nascido de mim como tu nasceste, que o pai e a mãe a fomos buscar a um orfanato onde era infeliz, onde partilhava a infelicidade parda e solitária com outros meninos como tu, mais velhos, mais novos&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do que me não lembro foi como partiste. Levaram-me para uma pequena casa entre outras pequenas casas, junto de uma ponte que atravessava um rio barrento e recordo-me, agora como se de uma fotografia, de olhar a rua íngreme esperando te ver pela mão da mãe e do pai, enquanto uma senhora de uma certa idade conversava com uma vizinha segredando eu ser sua sobrinha emprestada e eu sem entender nada, apenas esperava&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;onde isso lá vai, nem sei como tive coragem de dizer à minha filha o segredo da sua existência, segredo mantido durante anos com a cumplicidade do pai e do irmão, para garantir a sua felicidade... como somos ingénuos a lidar com as crianças...&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e esperando passaram-se alguns dias até que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;até que um dia tive de lhe contar&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;olhei a rua íngreme onde uma gaivota pegava num pedaço de pão seco com o seu bico amarelo e sorri quando vi o pai a acenar, e logo atrás, muito abatida, a mãe, vestida de um negro que não era vulgar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;só não sei qual foi a parte mais dolorosa, desde aí a minha filha não falava tanto, deixava-se ficar sentada agarrada no baloiço tão parado quanto o seu olhar fitando o nada&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um negro que me repudiava, que me levava ao quarto escuro e à solidão fria das camas corridas entre quatro paredes onde numa delas repousava uma cruz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;eu nunca mais fui a mesma, talvez não tenha sido uma boa mãe, talvez nada do que ela esperasse que eu fosse, ou fizesse. Apenas deixei de ser&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;sim, eu sei, só me lembrei dessa fila de camas quando quis saber de onde vim há pouco tempo, mas sabes, é como se tudo o que se passou comigo, desde o nascer de um ventre que nunca vi até à tua partida, fosse em mim tão claro como se tivesse consciência e memória de todas as coisas que me revelaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;deixei de ser quando o meu filho partiu&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mãe vive numa angústia de não ter sido uma boa mãe, mas ela não sabe, ou tenta querer não saber, esquecer-se que sabe, que foi e é a melhor mãe do mundo, não só porque me quis para ela, mas porque te tinha a ti já, e contigo pude conhecer um mundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quando partiste, meu filho, eu deixei de ser&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um mundo que embora à tua medida de criança que nunca deixaste de ser, foi o melhor de todos o mundos. Sim eu lembro-me de que choraste quando eu apareci na tua vida e agora sou eu que choro porque desapareceste tu da minha&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;com algumas papoilas enfeito a tua morada&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e agora só me ouves de um quarto escuro que ainda não entendo e tenho pavor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;diz-me, meu filho, se gostas muito da tua querida mãe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7271441907848000147?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7271441907848000147/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7271441907848000147&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7271441907848000147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7271441907848000147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/09/papoilas.html' title='papoilas'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sq0h9pCAEjI/AAAAAAAABjk/e6UqlLrL79E/s72-c/1544898.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1647046813137794292</id><published>2009-09-09T21:16:00.000+01:00</published><updated>2010-01-08T22:51:12.930Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frugalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='09 setembro'/><title type='text'>o livro diz luta e diz amizade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScFuTHYkLUI/AAAAAAAABU0/7cLFjBXyPJc/s1600-h/livro.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 362px; height: 360px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScFuTHYkLUI/AAAAAAAABU0/7cLFjBXyPJc/s400/livro.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314650309952548162" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro é país e é paisagem.&lt;br /&gt;É a tua boca dizendo saudade.&lt;br /&gt;E o teu olhar percorrido na viagem.&lt;br /&gt;O livro diz luta e diz amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o povo que habita a cidade.&lt;br /&gt;O punho que ergue a coragem.&lt;br /&gt;O mar de sal na sua imensidade.&lt;br /&gt;O rio aflito a transbordar na margem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o pensamento com a voragem&lt;br /&gt;No desejo de abraçar a eternidade.&lt;br /&gt;É a sombra, o passado, a imagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todas as palavras, a idade&lt;br /&gt;Que se perde na passagem.&lt;br /&gt;O livro é a procura da verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1647046813137794292?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1647046813137794292/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1647046813137794292&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1647046813137794292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1647046813137794292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/09/o-livro-diz-luta-e-diz-amizade.html' title='o livro diz luta e diz amizade'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScFuTHYkLUI/AAAAAAAABU0/7cLFjBXyPJc/s72-c/livro.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8887098392541428556</id><published>2009-08-31T20:50:00.000+01:00</published><updated>2010-01-08T22:51:26.837Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frugalidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><title type='text'>glosa</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhr4AXj6I/AAAAAAAAAyw/kILkgkOPzVI/s1600-h/minha016zg0.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215486881123766178" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhr4AXj6I/AAAAAAAAAyw/kILkgkOPzVI/s400/minha016zg0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;As palavras que dizes dançam dentro do sonho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;António Ramos Rosa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Deixas as palavras à mercê dos ventos&lt;br /&gt;e dos sons&lt;br /&gt;palavras que na tua boca arrumas&lt;br /&gt;incrédula&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavras que escondes em teu olhar risonho:&lt;br /&gt;mas as palavras (que não dizes)&lt;br /&gt;dançam dentro do sonho.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8887098392541428556?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8887098392541428556/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8887098392541428556&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8887098392541428556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8887098392541428556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/08/glosa.html' title='glosa'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhr4AXj6I/AAAAAAAAAyw/kILkgkOPzVI/s72-c/minha016zg0.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7805349533518791433</id><published>2009-08-22T22:38:00.003+01:00</published><updated>2010-01-08T22:51:42.803Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><title type='text'>para lá das tuas mãos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SpBmELpUeSI/AAAAAAAABh4/T2Iwh-ZXXbY/s1600-h/folhas_suspensas_isis.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SpBmELpUeSI/AAAAAAAABh4/T2Iwh-ZXXbY/s400/folhas_suspensas_isis.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5372906577484609826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;folhas suspensas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;, por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Isis&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://olhares.aeiou.pt/folhas_suspensas_foto461320.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Olhares.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;à Sónia&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está para lá das tuas mãos e tem o perfume seráfico dos céus míticos. Abres os olhos e o sonho desce das harpas em plumas de Santiago que apanhas imprudente como bolas de sabão. Dizes que te recordam a infância, onde te sentes mais perto de ser feliz. E tudo acontece por um acaso, sem objectivos porque rejeitas as responsabilidades, amando acima de tudo a liberdade – a tua liberdade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fazes o teu caminho iluminando-o com a esfera solar que os putos desenham, pintado com a cicatriz de um sorriso e olhos pestanudos em vez das terríveis e infernais ondas de calor que os cientistas tanto falam e ilustram mas que tu ignoras: que sabem lá eles do sol?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca avistaste alienígenas de má fé, esses que insistem em colocar sondas no cu das pessoas, o que vês são anjos. Anjos sem essa cor de hospital tresandando a desinfectante, e nunca alados: os teus anjos têm cabelos coloridos, talvez um ou outro com nariz de palhaço a fazer malabarismos num monociclo, e andam descalços sobre as folhas, a erva e as flores. Não vestem túnicas mas estampados floridos, com a primavera a fazer de mascote, farejando-lhes os pés.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bebes e não te embriagas. Não do vil álcool que inspira a violência, a malcriadice, a insolência e a vaidade nos homens. Surges ébria de uma imensa alegria de te saberes eternamente menina, que o mundo nunca precisou afinal de relógios e ruas atropeladas de veículos, prédios a debitar lucros fáceis, murmúrios de gentes que sonham um dia vingar-se da vida que levam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E ébria daquilo que estas pessoas jamais saberão ler-te nos olhos, continuas navegando sem barca nem vela nem remos, sempre na mesma posição estática com que te vêm nunca imaginando as milhas que percorreste e ainda irás percorrer. Continuas assim agarrada com os braços a ti e a teimar que é um jardim que se plantou na tua frente e não esta insone parede branca do hospital.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7805349533518791433?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7805349533518791433/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7805349533518791433&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7805349533518791433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7805349533518791433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/08/para-la-das-tuas-maos.html' title='para lá das tuas mãos'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SpBmELpUeSI/AAAAAAAABh4/T2Iwh-ZXXbY/s72-c/folhas_suspensas_isis.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-729275243281752191</id><published>2009-08-17T21:18:00.003+01:00</published><updated>2010-01-08T22:52:04.351Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><title type='text'>diluído</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SYQwM-nzpBI/AAAAAAAABJY/ZC-hYHuxKTA/s1600-h/voa_comigo_ramarago.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297412061221069842" style="WIDTH: 270px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SYQwM-nzpBI/AAAAAAAABJY/ZC-hYHuxKTA/s400/voa_comigo_ramarago.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;em&gt;voa comigo&lt;/em&gt;, por &lt;strong&gt;Ramarago&lt;/strong&gt; em &lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1455" target="_blank"&gt;1000 imagens&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há um poema&lt;br /&gt;diluído na água deste verão&lt;br /&gt;suspenso e nocturno&lt;br /&gt;de sabor a álcool com gelo&lt;br /&gt;e dos dedos polpas de carne&lt;br /&gt;e segredo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levo aos lábios a ternura&lt;br /&gt;transpirada do teu pescoço&lt;br /&gt;e esta música líquida refrescando&lt;br /&gt;a madrugada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tropeço com a cabeça na almofada&lt;br /&gt;quente&lt;br /&gt;os teus cabelos são águas&lt;br /&gt;palavras refazendo a atmosfera&lt;br /&gt;de ténues sombras&lt;br /&gt;inquietas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavras agudas colhidas sem mote&lt;br /&gt;temperando a minha sede&lt;br /&gt;com o orvalho substantivo&lt;br /&gt;da súbita alvorada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escuto o teu corpo&lt;br /&gt;estendido na areia do sono&lt;br /&gt;exalando o perfume natural&lt;br /&gt;da carne e do sangue&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a penugem loira e suave&lt;br /&gt;sobre os teus ombros&lt;br /&gt;quebranta o meu olhar pescando&lt;br /&gt;em lentos mergulhos de sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o poema que se inventa&lt;br /&gt;do teu ventre&lt;br /&gt;diluído na música que me&lt;br /&gt;acrescenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-729275243281752191?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/729275243281752191/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=729275243281752191&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/729275243281752191'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/729275243281752191'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/08/diluido.html' title='diluído'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SYQwM-nzpBI/AAAAAAAABJY/ZC-hYHuxKTA/s72-c/voa_comigo_ramarago.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2205713320556593300</id><published>2009-08-06T21:29:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:52:42.031Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><title type='text'>antes só</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sns_YONtRGI/AAAAAAAABZE/OBsiY96DWr4/s1600-h/autoretratoJoseBoia.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sns_YONtRGI/AAAAAAAABZE/OBsiY96DWr4/s400/autoretratoJoseBoia.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5366953066307077218" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;Auto-retrato&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;, de &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;José Bóia&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=1582"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes só que mal acompanhado: e assim chegaste ao teu limite. Prestas contas à janela e para com a paisagem abandonada do lado de fora, e ficas em paz interiormente. São os livros que derradeiramente te irão agora levar em ombros. Não te pedem nada, não te exigem formalidades ou cedências de última hora. Não te querem para outra coisa senão que os acarinhes com os dedos sobre as lombadas, que lhes sintas a textura das folhas e o aroma do papel, que os leias como quem desnuda de êxtase o ser amado. Eles estão para ti e não te fecharão qualquer porta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tens também a música com que viajas, o copo de whisky para te afastar as sombras, e uma quantidade infinita e patética de tecnologia para dispores em horas de alegria ou, se for o caso de necessidade destiladora da bílis, para te indispores, vociferares, mandar à merda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não pertences a ninguém nem a mais nada. Tens-te a ti. Foram-se os amigos? Antes só que mal acompanhado. Aguenta-te. Disseram-te certa vez: “as árvores morrem de pé”. Em terra firme e de pés bem assentes tenta agora permaneceres, até que asas te cresçam nos costados e possas verificar enfim se os mortos habitam o céu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2205713320556593300?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2205713320556593300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2205713320556593300&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2205713320556593300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2205713320556593300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/08/antes-so.html' title='antes só'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sns_YONtRGI/AAAAAAAABZE/OBsiY96DWr4/s72-c/autoretratoJoseBoia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8298596308629467978</id><published>2009-08-05T21:31:00.000+01:00</published><updated>2010-01-08T22:02:15.954Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='08 agosto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>canto a tua morte</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhWrHqdAI/AAAAAAAAAyo/fbXxKqhlfzY/s1600-h/teardrop-cooke-50.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215486516887450626" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhWrHqdAI/AAAAAAAAAyo/fbXxKqhlfzY/s400/teardrop-cooke-50.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre que lágrima se enaltece a raiva;&lt;br /&gt;sobre que morte se riem as estrelas?&lt;br /&gt;Nada mais resta  na seiva  nas searas&lt;br /&gt;só o teu olhar frio castigando as ideias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me faças fugir desta alvorada;&lt;br /&gt;é como se este dia que ergues&lt;br /&gt;a mim pertencesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofrerei sempre a mágoa pela tua face&lt;br /&gt;emanada. Sofrerei sempre como se em ti&lt;br /&gt;morresse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8298596308629467978?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8298596308629467978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8298596308629467978&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8298596308629467978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8298596308629467978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/08/canto-tua-morte.html' title='canto a tua morte'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEhWrHqdAI/AAAAAAAAAyo/fbXxKqhlfzY/s72-c/teardrop-cooke-50.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-6649275709830501131</id><published>2009-07-24T21:50:00.002+01:00</published><updated>2010-01-08T22:46:44.583Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='07 julho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>da janela entardecendo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SmogSBnOl7I/AAAAAAAABY8/zqgIeXPetEc/s1600-h/entardecer_no_quarto.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SmogSBnOl7I/AAAAAAAABY8/zqgIeXPetEc/s400/entardecer_no_quarto.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362133800380700594" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Paisagem da janela&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; por &lt;/span&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Maringá&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.overmundo.com.br/banco/paisagem-da-janela"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;overmundo&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Demora-se a tua ausência na rua deserta, nas janelas em frente sem rostos que venham espreitar sequer. Os automóveis passam escuros como objectos incógnitos, e os autocarros seguem vazios com a sua luz branca esbatida a lembrar salas de espera de urgência hospitalar madrugada dentro. Aos poucos a suspirada claridade do crepúsculo vai vestindo a penumbra que sai nascida nos recantos, nas esquinas, nos jardins desertificando. Percebe-se a agitação lenta dos ramos altos das árvores ao vento ameno anunciando um princípio de noite mais frio do usual nesta altura do ano, como se o verão se tivesse distraído ou quisesse esconder-se, a adiar o seu compromisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É certo que a noite vindoura será viva e animada em muitos pontos coloridos da cidade imensa e quiçá nesses pontos nem se venha a notar ponta de frio, são microclimas de calor humano que rejeito sempre penetrar, menor é ainda a vontade se não estás. E embora se sinta o cheiro desses verões muito particulares, apesar do vento, nada disso sucede nestas paragens que vão emudecendo com a noite. No mínimo nada acontece ao alcance desta janela onde testemunho os arruamentos entristecidos no latir dos cães que parecem ao ouvido tão distantes uns dos outros como se comunicassem o seu choradinho entre fronteiras intransponíveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não teria dado conta desta melancolia a suspirar o desalento das sombras que crescem devagar não fosse esta tua ausência. E nada a remedeia: inflama-se este sofrimento triste de ir vendo e sentindo o dia fechando-se, guardando-se para a incerteza da próxima alvorada. Cá dentro, sobre estantes e móveis transpirando indiferença, as fotografias são folhas mortas de outono, apenas instantes retidos num passado irremediavelmente perdido. Nem a música ajuda, entoada como se a falar a espectros, como se os seus decibéis não interferissem na mesma dimensão onde estou. E os livros calam-se igualmente: afónicos e sem alma, sem carne, sem cheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tanta vida adiada quando tudo isto é sem ti, quando habito a tua ausência tão demorada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-6649275709830501131?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/6649275709830501131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=6649275709830501131&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6649275709830501131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/6649275709830501131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/07/da-janela-entardecendo.html' title='da janela entardecendo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SmogSBnOl7I/AAAAAAAABY8/zqgIeXPetEc/s72-c/entardecer_no_quarto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2122580723995010967</id><published>2009-07-04T23:17:00.003+01:00</published><updated>2010-01-08T22:49:02.361Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='07 julho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>variante da síndrome de Bartleby</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sk_VmaSPXoI/AAAAAAAABYU/9taiUdG_2Ik/s1600-h/17-06-06_0041.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sk_VmaSPXoI/AAAAAAAABYU/9taiUdG_2Ik/s400/17-06-06_0041.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5354733337834380930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resistir à facilidade: é este o trabalho árduo que labuto dia após dia nas faldas da vontade e da vaidade. Não sucumbir à ludibriante tentação, com a mesma euforia religiosa de um crente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sopram-me aos ouvidos falinhas e falácias. Estudo-lhes o olhar, redesenho-lhes a ambição: sou espécimen com garantias de produzir. Produzir o lucro fácil, para mentes fáceis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Monto o cenário possível: eu agradecendo de esferográfica sobre uma mesa de sorriso bonacheirão, diante de uma plateia de amigos e familiares e conhecidos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(grande parte tidos sem paradeiro e de repente ressuscitando),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;a transpirar de orgulho bacoco. Agradado com a ninharia. Eu em todos os olhos em todas as mãos, mas a um fio fragilíssimo do esquecimento precoce. Mãos estendidas e sobre o ombro com a tal amizade, sacudindo o veneno de algumas invejas compreensíveis&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como conseguiu? Qual foi a cunha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e eu nada, indiferente, ostentando ainda o sorriso que deambula de bonacheirão para inocente. Talvez ingénuo, porventura ignorante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é certamente o meu caminho, se trilho algum me abrirá o acaso e as circunstâncias do mundo para tamanha façanha que transformaria (ou não) toda uma vida futura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Receio, seja o futuro incerto maligno ou benigno, de perder a minha liberdade individual. Bartleby até que a morte me separe?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2122580723995010967?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2122580723995010967/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2122580723995010967&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2122580723995010967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2122580723995010967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/07/variante-da-sindrome-de-bartleby.html' title='variante da síndrome de Bartleby'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sk_VmaSPXoI/AAAAAAAABYU/9taiUdG_2Ik/s72-c/17-06-06_0041.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5219859138099930676</id><published>2009-06-29T20:13:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:53:12.093Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><title type='text'>beijo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEep4z6cEI/AAAAAAAAAxw/ksnUZnJwAfE/s1600-h/beijo133.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215483548445339714" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEep4z6cEI/AAAAAAAAAxw/ksnUZnJwAfE/s400/beijo133.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a tua boca na minha:&lt;br /&gt;quem dera fosse todo o verão além da latitude dos sonhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e por isso ardes-me&lt;br /&gt;e por isso o vento norte nos teus olhos&lt;br /&gt;a exaltar de desejo as cores da chama viva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só as duas bocas unidas:&lt;br /&gt;suspendendo a intenção dos gestos e do corpo&lt;br /&gt;ignorando o tempo na sublimação da saliva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tolhemos as vãs palavras dos sentimentos tontos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porém, a minha na tua boca&lt;br /&gt;é ainda o verão virgem aquém da esfera dos sonhos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5219859138099930676?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5219859138099930676/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5219859138099930676&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5219859138099930676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5219859138099930676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/06/beijo.html' title='beijo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEep4z6cEI/AAAAAAAAAxw/ksnUZnJwAfE/s72-c/beijo133.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2978826559989625525</id><published>2009-06-25T16:02:00.002+01:00</published><updated>2010-01-08T22:49:02.362Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escrever'/><title type='text'>cansar de dores o papel</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SkOXRw3f-3I/AAAAAAAABYM/xfHCtbrIFWo/s1600-h/abstract-surrealismo03.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SkOXRw3f-3I/AAAAAAAABYM/xfHCtbrIFWo/s400/abstract-surrealismo03.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351287113677536114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://fractalontology.wordpress.com/2007/09/19/"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansar de dores o papel amarrotado de ninharias e mediocridades. Não fosse a crise e o desgoverno, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(e enfim, para poupar energias e sintetizando)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não fosse o planeta plantado de gumes traiçoeiros com que a humanidade semeia o seu próprio futuro, talvez pudesse eu renascer num sorriso feliz a vender banha da cobra nas palavras e papeis densamente iluminados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou que o verão não desdenhasse na nossa cara o escarninho destino a que nos propomos na negligência: cada dia é angular e decisivo se não forem tomadas em conjunto todas as medidas preventivas e calculadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois assim de que nos servem as estações do ano se nenhuma agora cumpre o seu compromisso, com os seus humores climatéricos alterados? Que sentido tem desejar bom fim de semana se os patrões, alinhados como tropas de faca e queijo na mão, não o reconhecem? O que são piqueniques no campo se o círculo é de betão? Que nos vale mesmo saber que linhas imaginárias dividem o planeta em lugares de maior ou menor qualidade que vêm a ser os trópicos e os meridianos? Construímos com regozijo a aldeia global e agora pendemos o queixo e os olhos num impressionante esgar de apreensão. Como quem vai para a guerra com o nó na garganta de saber o quanto está já derrotado e condenado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cansar de dores o papel ou acumular cerveja no sangue num gesto de indiferença, a fazer de conta que as contas do mundo não são nossas, alguém mais capaz fará tudo por nós. Não fosse a crise e o desgoverno,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(e enfim, para poupar energias e sintetizando)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;não fosse o planeta esfaqueado pelo seu próprio punhal traiçoeiro, e toda essa idiotice conspirativa que os humanos ergueram uns contra os outros, talvez pudéssemos ver o futebol e as telenovelas na tv sem nos importamos um corno para com o próximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2978826559989625525?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2978826559989625525/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2978826559989625525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2978826559989625525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2978826559989625525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/06/cansar-de-dores-o-papel.html' title='cansar de dores o papel'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SkOXRw3f-3I/AAAAAAAABYM/xfHCtbrIFWo/s72-c/abstract-surrealismo03.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8615245650288108109</id><published>2009-06-21T00:13:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:53:45.591Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='humanidade'/><title type='text'>não sei quantos anos ainda</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEYAjbl_eI/AAAAAAAAAwo/pk_M5_ptsn8/s1600-h/la_tentation_du_suicide.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215476241261788642" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEYAjbl_eI/AAAAAAAAAwo/pk_M5_ptsn8/s400/la_tentation_du_suicide.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei quantos anos ainda…&lt;br /&gt;ou se as varandas se cobrirão de pó&lt;br /&gt;e humidade e insectos e os anos esbatendo-se&lt;br /&gt;sobre a claridade dos dias e as sombras das noites&lt;br /&gt;enquanto as flores já não suspiram para as bocas incrédulas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sei que um ranger de dentes&lt;br /&gt;e um punho fechado&lt;br /&gt;e tudo quanto te aflige&lt;br /&gt;enquanto a fome for&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda e só&lt;br /&gt;um homem de cócoras&lt;br /&gt;ou de braços cruzados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre a vida&lt;br /&gt;que já não o espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8615245650288108109?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8615245650288108109/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8615245650288108109&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8615245650288108109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8615245650288108109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/06/nao-sei-quantos-anos-ainda.html' title='não sei quantos anos ainda'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEYAjbl_eI/AAAAAAAAAwo/pk_M5_ptsn8/s72-c/la_tentation_du_suicide.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3744106541208610637</id><published>2009-06-03T21:17:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:07:59.740Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transcendência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='06 junho'/><title type='text'>rosário</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SibbghCl8aI/AAAAAAAABXM/9PAjemG5TQo/s1600-h/rosary.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 226px; height: 342px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SibbghCl8aI/AAAAAAAABXM/9PAjemG5TQo/s400/rosary.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343199359593214370" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Das tuas mãos tatuando o medo: trouxeste um rosário e dedilhavas cada conta como se a abrir um livro novo. Com os olhos caídos num chão de nadas, um chão de invisíveis, enquanto o noticiário avançava numa cavalgada alarmista. Não era a ti que competia dominar a besta, as ventas furiosas arfando. Por isso pedias contas a um domador e multiplicaste o rosário com o mesmo silêncio do chão onde ainda se encontrava o teu olhar. Os teus lábios febris, ininteligíveis, sem soprarem qualquer som da tua voz ainda que fosse sussurrada. Não vias, mas ouvias os relinchos constantes dos jornalistas. E tu redobrando as contas, os teus dedos como aranhas tecendo o medo. Até que outro som se ouviu, obrigando-te a um alvoroço pavloviano, deixaste o rosário estendido no nada do chão e as tuas pernas retesaram. Levaste o auscultador ao ouvido e o olhar contra uma parede de nadas, uma parede também de invisíveis, apesar dos quadros, das fotografias do teu filho, ele que te diz, do outro lado da linha&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Descansa, eu não embarquei e está tudo bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e tu&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Louvado seja o domador! &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3744106541208610637?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3744106541208610637/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3744106541208610637&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3744106541208610637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3744106541208610637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/06/rosario.html' title='rosário'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SibbghCl8aI/AAAAAAAABXM/9PAjemG5TQo/s72-c/rosary.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-1230996999224384460</id><published>2009-05-30T22:26:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:46:44.585Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='05 Maio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>encontro II</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SiGnYqBKuoI/AAAAAAAABXE/D3Opnzq6O28/s1600-h/belezaromena_antonioamen.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SiGnYqBKuoI/AAAAAAAABXE/D3Opnzq6O28/s400/belezaromena_antonioamen.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341734675076004482" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Beleza romena&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, por &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;António Amen&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=162"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pigarreia-me a voz, arranhada e seca. E os gestos acompanham a mesma rouquidão, gagos e disléxicos como quem mete as mãos pelos pés. Cresce às faces o sangue num rubor de glande nervosa, escaldante carmesim a incendiar o pudor, nadando aflito até às lágrimas. Pronunciar neste estado o teu nome ou esboçar-te um tímido olá revelou-se numa tarefa árdua e difícil de concretizar. Não que fosse impossível - a vontade, se não inibida pelo desastre, pode mover montanhas. Mas não foi o caso. Tudo era desastre em mim: o ventre dilatado da cerveja entre os amigos, a barba crescida pela preguiça de contínuos maus despertares, a roupa desleixada e amarrotada. Felizmente não padeço do odor forte de quem transpira um dia de labuta. Senão era a catástrofe.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;101 cigarros pigarreiam à porta da comoção, a saliva atropela-se ao engolir, o ritmo do peito dispara sem conhecer meta a atingir, e os dedos das mãos como folhas mortas e humedecidas com o orvalho da exaltação – és como uma manhã nova para mim, espelhada no fresco azul dos teus olhos, na seara de intenso odor a frutos dos teus cabelos, a manhã mais clara e limpa quanto desejaria conhecer. A língua não soube ampliar o acorde das palavras. Era uma papa cheia na minha boca. Os lábios, esses, poderiam oscular, ferver sobre os teus ou diluir-se em tua extensa pele de feno. Porém, som nenhum conseguiriam produzir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, nem os lábios, nem os gestos, nem nada em mim que se movimente, salvo a palpitação surda no tórax. Nada pode chamar a tua atenção, que possa tirar de ti sequer um simples olhar. Sou objecto patético na tua presença. E agora que te afastas, sou árvore a viver plantada para todo o sempre com sombras e banquinho de velhotes a colher nostalgias como a chupar do solo a seiva com que se alimenta. Vegetal e ignorado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o mundo der uma volta completa pode ser que nessa altura sim: bem composto, ex-fumador, recolhido e sedutor. Para passar a ignorar-te eu, como a um arbusto que incomoda as vistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-1230996999224384460?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/1230996999224384460/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=1230996999224384460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1230996999224384460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/1230996999224384460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/05/encontro-ii.html' title='encontro II'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SiGnYqBKuoI/AAAAAAAABXE/D3Opnzq6O28/s72-c/belezaromena_antonioamen.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8370768042367278955</id><published>2009-05-11T20:24:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:11:59.972Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='05 Maio'/><title type='text'>pintura</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215485713713849810" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEgn7EJ5dI/AAAAAAAAAyY/NJxk8lFOClo/s400/ertic.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ilustra-me esta noite com as linhas das tuas mãos&lt;br /&gt;delicadamente tatuando sombras sobre o meu corpo&lt;br /&gt;e apagando todas as fronteiras do amor e do prazer&lt;br /&gt;sou eu que finjo o abrir de uma flor&lt;br /&gt;e por cada pétala caída&lt;br /&gt;a madrugada alarga-se no nosso toque acetinado&lt;br /&gt;és tu a bátega apaziguadora que virá a despertar como um orvalho fresco&lt;br /&gt;a aurora que se demorará na cor&lt;br /&gt;selvagens os teus dedos adocicados&lt;br /&gt;pelo mel do pólen&lt;br /&gt;introduzem-se no teu corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para que a cópula seja sempre e mais uma tela&lt;br /&gt;pintada pelas mãos e com as tintas&lt;br /&gt;das nossas bocas&lt;br /&gt;adormecidas na manhã do nosso leito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8370768042367278955?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8370768042367278955/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8370768042367278955&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8370768042367278955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8370768042367278955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/05/pintura.html' title='pintura'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEgn7EJ5dI/AAAAAAAAAyY/NJxk8lFOClo/s72-c/ertic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-285706544202915886</id><published>2009-05-06T20:55:00.000+01:00</published><updated>2010-01-08T22:11:59.973Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e erotismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='05 Maio'/><title type='text'>segue-me a linha do corpo</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEZbcBEVZI/AAAAAAAAAw4/glaje_muBuA/s1600-h/Copula-3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215477802639578514" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEZbcBEVZI/AAAAAAAAAw4/glaje_muBuA/s400/Copula-3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segue-me a linha do corpo&lt;br /&gt;no arrepio que provoca a brisa do teus lábios&lt;br /&gt;inunda-me o ventre com o ondular dos teus cabelos&lt;br /&gt;e serena repousa o ósculo&lt;br /&gt;no pico extasiado do falo&lt;br /&gt;que te desperta&lt;br /&gt;a fome&lt;br /&gt;de carne doce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;engole-me&lt;br /&gt;seduz-me na vertigem da tua língua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os meus sentidos emergem&lt;br /&gt;na graciosidade gesticular&lt;br /&gt;das tuas pernas&lt;br /&gt;que, estremecendo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;procuram a foz de um rio feito de pétalas&lt;br /&gt;e plumas da alvorada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-285706544202915886?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/285706544202915886/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=285706544202915886&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/285706544202915886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/285706544202915886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/05/segue-me-linha-do-corpo.html' title='segue-me a linha do corpo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEZbcBEVZI/AAAAAAAAAw4/glaje_muBuA/s72-c/Copula-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8379755944198672562</id><published>2009-05-01T11:02:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:54:40.540Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='05 Maio'/><title type='text'>sábia mão artesã</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEfrnQWhKI/AAAAAAAAAyA/Ku5LHQeTL14/s1600-h/HANDS.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215484677604148386" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEfrnQWhKI/AAAAAAAAAyA/Ku5LHQeTL14/s400/HANDS.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ciranda as palavras encobertas pelo joio dos sentimentos&lt;br /&gt;e atravessa circular as paredes do mundo&lt;br /&gt;nela há uma planície com borbotões de água límpida&lt;br /&gt;que lembram os olhares quebrantados da pobreza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cintilam as dores calejadas numa letra escorreita de substantivos&lt;br /&gt;e sobram sempre dos poemas pontas soltas de sons&lt;br /&gt;que livres se encadeiam numa melodia intemporal&lt;br /&gt;é esta força graciosa humilde porém sublime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do ardor na terra, no ferro, no vidro, na malha&lt;br /&gt;em toda a manhã que abre os sentidos povoados de ambição.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8379755944198672562?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8379755944198672562/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8379755944198672562&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8379755944198672562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8379755944198672562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/05/sabia-mao-artesa.html' title='sábia mão artesã'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_05bbM76Z_uE/SGEfrnQWhKI/AAAAAAAAAyA/Ku5LHQeTL14/s72-c/HANDS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-2223405284344480044</id><published>2009-04-24T19:49:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:55:24.069Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>partida (em memória dos oprimidos do passado e do presente)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SfILclGHHeI/AAAAAAAABWo/TBXcc53B6ho/s1600-h/revolucion_dos_cravos_25_abril_1974_02.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 300px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SfILclGHHeI/AAAAAAAABWo/TBXcc53B6ho/s400/revolucion_dos_cravos_25_abril_1974_02.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328333894754704866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sustento o teu pensamento&lt;br /&gt;com pedras angulares&lt;br /&gt;porque parto daqui sem haver boca&lt;br /&gt;para a fome&lt;br /&gt;nem sede para os olhos&lt;br /&gt;e com a saudade palpitando em cada passo&lt;br /&gt;que não volve o olhar ao passado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parto como outros partiram&lt;br /&gt;no destino que não se vê para lá do salto e da distância&lt;br /&gt;parto como criminoso&lt;br /&gt;como um ladrão&lt;br /&gt;que furtou à pátria o sangue&lt;br /&gt;mas nunca como um cobarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque não sustento o teu pensamento&lt;br /&gt;irregular e granítico&lt;br /&gt;porque a minha fome é a tua fartura&lt;br /&gt;e a minha clausura é o teu conforto&lt;br /&gt;eu parto, já com saudade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e aspirando a uma terra onde possa gritar:&lt;br /&gt;- Liberdade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-2223405284344480044?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/2223405284344480044/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=2223405284344480044&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2223405284344480044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/2223405284344480044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/04/partida-em-memoria-dos-oprimidos-do.html' title='partida (em memória dos oprimidos do passado e do presente)'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SfILclGHHeI/AAAAAAAABWo/TBXcc53B6ho/s72-c/revolucion_dos_cravos_25_abril_1974_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7706651337561602216</id><published>2009-04-21T21:32:00.002+01:00</published><updated>2010-01-08T22:55:52.987Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sociedade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>pré-laboral com bastante tragédia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Se4tidSXDSI/AAAAAAAABWg/Cgesvq8pAd0/s1600-h/cunninghamunmadebed.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Se4tidSXDSI/AAAAAAAABWg/Cgesvq8pAd0/s400/cunninghamunmadebed.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5327245479226314018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;(&lt;/span&gt;&lt;atarget="_blank" href="http://entranhas-expostas.blogspot.com/2008/04/lenis-amarrotados.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;daqui)&lt;/span&gt;&lt;/atarget="_blank"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem o vento atordoando a gentileza da manhã e não há vontade alguma de me erguer da cama, fazer a barba, encarar o dia que recomeça, tudo a repetir-se uma e outra vez. A cortina corrida que não anseio abrir faz cair no quarto uma luz cinzenta de objectos perdidos. As pernas por dentro dos lençóis gesticulando impaciências matutinas, os olhos persistindo aninhados na cova das pálpebras, e a boca desenhando um corte esgotado no rosto. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um mau acordar com o hálito a enxofre. Porque nada de agradável me espera para lá destes lençóis, depois do banho e da barba feita às cegas, após duas goladas num café de véspera morno e a trinca desconsolada na torrada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou violentamente subtraído da cama à força de pontapés imaginários carregado de raiva contra os empregadores deste país. Despeço-me angustiado dos lençóis amarrotados por tanta luta contra o mundo. O mundo que, durante os quarenta e cinco minutos em que me preparo para o enfrentar, odeio. Visceralmente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou imaginando com azedume os rostos que então se cruzarão comigo, multiplicados de sorrisos, bons dias, quase vénias de meter nojo, falsas simpatias. Nada é perfeito, é sabido e certo, mas estas manhãs assim são actos obscenos contra a integridade psicológica de qualquer um.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até que, a pouco e pouco, muito devagar sem que possamos dar por isso, eu e os rostos acabamos por nos conciliar, acabamos amavelmente confraternizados no nosso comum objectivo: que o dia acabe! E o humor até deixa espaço e pretextos para piadinhas de circunstância, risadas de toda a ordem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;São os ódios que se querem uns aos outros, cúmplices e solidários.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7706651337561602216?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7706651337561602216/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7706651337561602216&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7706651337561602216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7706651337561602216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/04/pre-laboral-com-bastante-tragedia.html' title='pré-laboral com bastante tragédia'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Se4tidSXDSI/AAAAAAAABWg/Cgesvq8pAd0/s72-c/cunninghamunmadebed.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-5251117370224283714</id><published>2009-04-16T22:41:00.003+01:00</published><updated>2010-01-08T22:56:13.880Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='enormidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>para o mundo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Seeoekv-5QI/AAAAAAAABWU/vaWTZ4oY5GI/s1600-h/lixo.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Seeoekv-5QI/AAAAAAAABWU/vaWTZ4oY5GI/s400/lixo.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325410327603373314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei se eu tu ou alguém que não tu ou eu assumindo, sentado e pensativo, a pose dos mais sábios ao formularem as leis do universo; por dentro move-se uma corrente concentrada de tudo aguardando a espasmódica sobriedade de um parto quase ético, mas dir-se-á amoral; e a careta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(como de espanto!)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;desenha &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(em desdenho)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um quase sorriso ao que se move vivo e pensante – a humanidade! – em espiral imperfeita que alivia numa descarga sem gorar polir os ombros e as mãos; os braços obrigam-se quietos ao abandono até virem estremecendo no êxtase do esperado orgasmo que pare, expele, sem amor à própria criação:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o terno pedaço com que quer acarinhar, caridoso em pleno, o esplendor deste mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-5251117370224283714?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/5251117370224283714/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=5251117370224283714&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5251117370224283714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/5251117370224283714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/04/para-o-mundo.html' title='para o mundo'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Seeoekv-5QI/AAAAAAAABWU/vaWTZ4oY5GI/s72-c/lixo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-523031185570195788</id><published>2009-04-10T10:22:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:07:59.742Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='transcendência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>o evangelho segundo este poema</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sd8QscsVXQI/AAAAAAAABWM/aph-PRceKTQ/s1600-h/ultima_tenta_o_de_cristo_1.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 310px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sd8QscsVXQI/AAAAAAAABWM/aph-PRceKTQ/s400/ultima_tenta_o_de_cristo_1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5322991640377646338" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;fotograma de &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;The Last Temptation Of Christ&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;, de Martin Scorcese&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Nascemos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Jamais seremos indiferença.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;Ergue-se um mundo do mundo já erguido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;nele as glórias, as vãs glórias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;neles as alegrias, as solenes alegrias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;neles os amores, emancipados amores&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;nele o nosso gemido&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;nele todas as histórias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;todas as histerias&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;todas as dores.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;E de um mundo então erguido,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;morremos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As minhas sandálias descobrem nas areias os teus passos da sombra que me persegue. Porquê esta angústia, esta piedade que me lacrimeja os olhos - quando estou entre a multidão porque desespero? Porque me dói onde não tenho qualquer ferida? Por cada talhar do machado na madeira ainda jovem, por cada prego nas entranhas desta carne por saciar, broto uma lágrima que cai lenta e apaixonada no pó que se levanta e rende, húmido e salgado ao medo de ser quem sou, à angústia que me assalta pela noite. De onde vens, porque me persegues se te não vejo? As madrugadas, estendido na minha enxerga, são martírios por te amar e não te conhecer.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como bebem e comem, gemendo sorrisos no prazer da gula que lhes sucede à fome miserável da alma. Vêm até mim e eu lhes digo que a minha fome e a minha sede não se sacia, nem os meus lábios sabem rasgar o mesmo sorriso. Levam-me a casa de uma mulher e dão-me haxixe, dão-me vinho para que beba do espírito e o espírito queima por dentro todas as fomes do homem que sou. Como bebem e largam risos perante meu olhar petrificado: ali, no ventre daquela mulher, nascem víboras que clamam o meu nome.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nascemos: jamais seremos indiferença. Eis onde vive o mistério de todas as dores, de todas as crenças: o nascer para a vida, erguendo-se um mundo do mundo já erguido. A palavra que renasce em cada um dos homens que habitam o mundo para quem o amor e o apego à vida é o caminho de que se desviam qual camelo rendido à estreiteza da agulha. Todas as glórias de todas as conquistas, todas as lágrimas de todas as derrotas, todo o amor, amor maior com que me revisitam, toda a dor, dor que me alimenta, e dor de que te sacias: eu sou o filho do homem, duas vezes carne do mundo. Cumpra-se a palavra para que o tomemos reerguido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Jejuo do que é particularmente terreno. Saio pela noite fria, envolto em meu manto e não carrego a enxerga - esta noite não é para dormir. Encontro na raiz das minhas veias o segredo das insónias quando o tormento exasperado sai de mim como a carga que cai do dorso carregado do camelo. Esvai-se tudo de mim como se o sol repousasse todas as horas por trás das crinas das dunas e sou livre e imenso no ventre de tudo de que se faz o vento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vinde até mim, almas perdidas e fustigadas pelo gume da indiferença, vinde ao calor do filho do homem, aquele que jejuou dos prazeres terrenos para encontrar a palavra redentora que vos vem salvar. Vinde até mim, órfãos da riqueza, espoliados da soberba, arrependei-vos da vossa nefasta solidão. Vinde, vós que bebeis perenes das fontes do prazer e não sabeis explicar o azedume das vossas lágrimas; chegai aqui, indomáveis, rebeldes, delfins, insaciados, abram as mãos para receber da palavra e dela comer. Vinde até meus braços, vós que sofreis de dores e tormentos, feridos e esfomeados de toda a natureza, esquecidos e maltratados. Vinde, ó proscritos, e recebei a redenção. Em verdade, de todas a verdades vos digo que estas palavras que vos canto são os versos com que o pai pediu para exultar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou na paz como estou na brisa que suaviza o rosto do campino ceifando a sua seara. Estou também no trigo de todas as fomes, na carne e no sangue, no dilúvio e na tempestade, e estou também na água de todas as sedes, na aurora e na bonança. Estou na lágrima que rola do espinho cravado na alma do mundo, estou no meu pai que te perfilha, na minha mãe que te acarinha. Estou no mundo erguido pelas minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que desça sobre a terra toda a incúria salgada da vossa fraqueza e se derrame do meu sangue como um cordeiro que morto foi para saciar a fome aflita. Que se abram os céus após o vão dilúvio, que se encha a colina de sol e de brilho os mares. Sou aquele que ama e se entrega, pois erguido foi este mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrita na história e nos passos por sobre a areia que palmilhei está a cumprir-se a profecia:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="font-style:italic;"&gt;e de um mundo então erguido, morremos!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-523031185570195788?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/523031185570195788/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=523031185570195788&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/523031185570195788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/523031185570195788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/04/o-evangelho-segundo-este-poema.html' title='o evangelho segundo este poema'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/Sd8QscsVXQI/AAAAAAAABWM/aph-PRceKTQ/s72-c/ultima_tenta_o_de_cristo_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-8996308798962926038</id><published>2009-04-05T21:21:00.004+01:00</published><updated>2010-01-08T22:56:35.996Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='04 abril'/><title type='text'>Irene</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdkS7U9s5gI/AAAAAAAABVw/ux4ogrSjIW0/s1600-h/pedrogomes.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdkS7U9s5gI/AAAAAAAABVw/ux4ogrSjIW0/s400/pedrogomes.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5321305245164037634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto por Pedro Gomes em &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.1000imagens.com/autor.asp?idautor=133" target="_blank"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na parede nascem os fungos com a súbita progressão da luz abalando a indiferente leveza do cotão varrido no soalho e o farelo da cal que desce do tecto. Veio uma nesga de sol acender o brilho das unhas que repousam a manhã abreviada. Ergues-te num pulo de ave marítima, e tocas-me com o bico da tua boca desfeita na cinza do teu velho veneno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na parede crescem os fungos e já te custa respirar o sal que a brisa pulveriza sobre o corpo encontrado na janela. Uma pequena ave dada à morte, como qualquer folha que perde a seiva e se despede lacónica do ramo onde lhe dava o vento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que pena, pensas do ser de penas contadas como rosários sem fim, uma ave branca abalando a tua expectativa de paz interior, porque veio morrer assim este pássaro pequeno quase sobre a palma da tua mão, janela onde te encontras todas as manhãs com o mar e as rugas do céu?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então olhas-me desesperada pedindo-me calada que te dê as esperadas condolências. Não foste tu que morreste no parapeito, Irene. Não foste tu. Nem ninguém que te mereça comiseração. Apenas um pássaro que não tinha mais onde cair morto. Faz parte do mesmo humor das folhas caídas das árvores, dos insectos esborrachados no pára-brisas de um automóvel.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vem. Constrói o teu ninho no meu regaço e não te percas a pensar que no teu sangue corre a efemeridade da tua existência. Na parede nascem fungos, e mais estranhas criaturas que não vês passear de madrugada entre as sombras. Vem. Encolhe-te como se fosses menina, inocente e indefesa, e pudesses caber na palma da minha mão, aconchegada dos males do mundo, das doenças, dos hospitais de corredores brancos, infinitos dentro dos pesadelos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tens um espelho que tudo te reflecte além do corpo. Não é de vidro nem folha de estanho esse espelho: são as tuas mãos aparando a convulsão do teu rosto frágil. Sabes que todos acabamos por morrer, Irene? Todos. Todos como pássaros ou folhas tombadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oxalá tombes na tua hora sobre o parapeito da janela de deus, olhando-te comiserativo. Também ele é um ser frágil, que olha todas as manhãs o mar e as rugas do céu, acreditando ingénuo que há esperança. Dizem que vence a morte. Cá tenho as minhas dúvidas: se a vencesse, ela nunca existiria. E seria um consolo tão grande, Irene, não seria?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-8996308798962926038?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/8996308798962926038/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=8996308798962926038&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8996308798962926038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/8996308798962926038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/04/irene.html' title='Irene'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdkS7U9s5gI/AAAAAAAABVw/ux4ogrSjIW0/s72-c/pedrogomes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3324034617067781827</id><published>2009-03-30T21:40:00.001+01:00</published><updated>2010-01-08T22:58:34.118Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='depressão'/><title type='text'>por acabar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdEpDzn4xRI/AAAAAAAABVo/y_Zu8N54W9I/s1600-h/_32_Sleeping_Man.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 259px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdEpDzn4xRI/AAAAAAAABVo/y_Zu8N54W9I/s400/_32_Sleeping_Man.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319077780275119378" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;desenho de &lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;Allan Hart&lt;/span&gt; (&lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.hartfineart.com/AllanHart-Drawings.html"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;daqui&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:x-small;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dormito sobre os livros com a baba rente ao queixo enquanto o gume do vento vai caçando os braços desprevenidos lá fora, com este sol a brindar a tarde e porém o frio outra vez. Sinto que tenho mais sede&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(mais fome, mais desejo)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;e não descanso como seria suposto, com os cães cansados de latir, a deformar-me a consistência dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer coisa entre a vigília e o sono. Qualquer coisa entre a cor e o preto e o branco e o cinza. Entre o cigarro e a cinza.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tacteio vagamente e vazio as palavras pelos livros dentro e vou como um cego analfabeto&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(entre o verde e o musgo, a nadar, a nadar)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;um cego que não sabe ler em braille.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O vento lá fora caçoando dos braços desprevenidos e a baba rente ao queixo, mexes-me um braço, afagas-me o peito do ronco alarde e dos livros&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(o que eu leio, o que sei que leio)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;juntos à face rubra, uma quietude muito atribulada para quem se quer quieto, os teus dedos a limpar-me o queixo, e o queixume, a varrer livros e palavras numa braçada de água&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(entre o musgo e o lodo)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;o queixume de mim a rogar-te&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Deixa-me dormir, deixa-me dormir…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-3324034617067781827?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/3324034617067781827/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=3324034617067781827&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3324034617067781827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/3324034617067781827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/03/por-acabar.html' title='por acabar'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/SdEpDzn4xRI/AAAAAAAABVo/y_Zu8N54W9I/s72-c/_32_Sleeping_Man.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-7982859320959669559</id><published>2009-03-21T09:19:00.003Z</published><updated>2010-01-08T22:59:00.389Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='alento'/><title type='text'>florescer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScSxyEuTvMI/AAAAAAAABVQ/MP13rXODZ8k/s1600-h/P2240015.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5315568934023576770" style="WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScSxyEuTvMI/AAAAAAAABVQ/MP13rXODZ8k/s400/P2240015.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;- Mamã! Hoje é primavera!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E em verdade é. Os pássaros chilreiam a alvorada de plumas ainda fria, veste-se a paisagem de tojo enquanto espera a flor da giesta adormecida em botão. Respira-se um aroma a terra e pólen e é como se inalasse dias inteiros de sol, relva jovem e a água clara dos regatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sentidos florescem. Esboça-se um sorriso ao espreguiçar a madrugada para a frescura das manhãs claras, apetece a relva dos parques e as suas árvores verdejando. As mãos deitadas à terra lavrando hortas e jardins. Em cada porção de solo a esperança de rejuvenescer nos rebentos comprometidos com a flor e o fruto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a terra também esta poesia jorrada em cor. É deste aroma a sol, desta emoção multicolor a escrita com sangue e húmus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mamã! Hoje é primavera!&lt;/em&gt; seria em verdade o melhor título para se cantar este emergente novo dia, cumprido o equinócio para a harmonia dos espíritos fecundos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7854880409193400820-7982859320959669559?l=quefarei.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://quefarei.blogspot.com/feeds/7982859320959669559/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7854880409193400820&amp;postID=7982859320959669559&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7982859320959669559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7854880409193400820/posts/default/7982859320959669559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://quefarei.blogspot.com/2009/03/florescer.html' title='florescer'/><author><name>José Alexandre Ramos</name><uri>https://profiles.google.com/115717135474416175425</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='//lh3.googleusercontent.com/-Sf-6yG_1V1U/AAAAAAAAAAI/AAAAAAAACW8/PLzFwZBQedQ/s512-c/photo.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScSxyEuTvMI/AAAAAAAABVQ/MP13rXODZ8k/s72-c/P2240015.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7854880409193400820.post-3747286281967652270</id><published>2009-03-18T21:32:00.003Z</published><updated>2010-01-08T22:46:44.586Z</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='03 março'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor e desilusão'/><title type='text'>lugar perdido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScFotnpyTgI/AAAAAAAABUs/B3drhvk-mx0/s1600-h/albertocalheiros.jpg"&gt;&lt;img style="cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_05bbM76Z_uE/ScFotnpyTgI/AAAAAAAABUs/B3drhvk-mx0/s400/albertocalheiros.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314644168221543938" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;foto de &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;Alberto Calheiros&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; em &lt;/span&gt;&lt;a target="_blank" href="http://www.1000imagens.com/foto.asp?idautor=156&amp;amp;idfoto=415&amp;amp;t=&amp;amp;g=&amp;amp;p=12"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;1000 imagens&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É a brisa que traz até mim o perfume dos teus cabelos, o perfume que nunca senti, que não conheço. É a memória do teu rosto que faz doer dentro do meu peito um fogo que consome as tardes. É a noite em que te busco cego sem sair deste lugar onde escrevo sem lua sem estrelas, sabendo que não vou encontrar-te. Há um bocejo, a ponte, o rio, cidade onde tudo é nada, mas principalmente um beijo que dos teus olhos chega até mim como flor que perde as suas pétalas, em forma de dúvida: a questão de saber o que queremos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei já que sabes que mesmo no nada sabemos um do outro. Sabemos desta fresca manhã que desperta no cruzar fugaz dos olhares. Sabes já tanto quanto eu que a tua mão permanecerá fria. Que o calor do meu peito não te aconchegará. Que de ambos o afago não tocará nem de leve nossos corpos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é culpa nossa sejas tu tão bela e eu homem tão apaixonado. Não é culpa nossa a ironia do tempo nem as contradições da natureza. O que somos perante o sentimento que nos une? Duas almas tristes, duas bocas frágeis de palavras isentas do beijo que os olhares trocaram proibidos, duas mãos que se não tocarão jamais, que de si nada conhecem senão desejos, dois corpos que nunca se encontrarão, à deriva num espaço frio e cinzento. Não é culpa nossa este amor encarcerado na confusa gargalhada de um deus. Serena tu, que a minha revolta repousa já conformada. Seremos nós culpados pela terra árida onde deitamos este sonho a crescer, mas onde tudo murcha e perece?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nunca te tive nos braços e já eras minha. Cerravas os olhos devagarinho como se a polpa dos meus dedos te tocasse levemente, todas as manhãs, numa carícia longa e suave, no traço do teu rosto. Nunca te falei de amor e já me amavas recolhida nos teus sorrisos. Não te vi o corpo e já eras deusa minha. Nunca soube quem eras, não sei quem és ou quem serás E sabia como amar-te, como proteger-te. Como dizer-te o azul e o sol.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sa
