28 de março de 2015

eu sou quando tu és


Janina Steiner, fotografia de Silvana Madamski


Tu és o meu despertar,
primavera feita em palavras
no bolhão pueril dos teus lábios
inconstantes de sono e repouso.
O primeiro e subtil acorde do dia
prometendo a semente germinada.
És tu a cor da papoila ainda tímida,
mas também o perfume do tojo
esquecido da ameaça dos seus espinhos.
O inocente abraço prometido
de sorrir sem razão, apenas
porque a presença, e o olhar.
Esse abraço aquecido, enquanto
os teus cabelos propõem brisas.
Tu és a tarde inaugurada,
chilreio das aves pequenas
anunciando um mundo simples
para viver.
És a minha sede saciada
em ribeiros também agora despertados
do parir da terra rebentada
em borbotões desmaiados.
O lavor de um beijo,
a minha lágrima rendida
às pétalas abertas pela ternura.
Tu és o crepúsculo paciente
quebrantando a manhã
feita em neblinas;
e no final da tarde
inquieto render apaixonado
de fruto e ardor.
És tu quem fez o mundo
onde me vejo Adão;
enquanto o resto,
feito de finitude e orfandade,
é um ligeiro devaneio do deus
que , por parceria contigo,
prolonga ser eu sem que
nada mais reste nem tão pouco

acresça significado.

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