11 de novembro de 2011

palíndromo


Me incido e desdobro-me em ti, palavra sem certeza e rápida que passa como nuvem empurrada por um vento que nos desfaz assim, nessa palavra polida pela imagem rasgada de uma tela. Na minha voz és cor, mas sem sabor porque a língua não te produz, apenas emite o que o pensamento julgou ser e luz. São aguarelas os poemas, trazes o título dessa canção que os meus ouvidos ouvem como quem mexe na estéril areia.

Perdoa-me, não sei dizer-te nem contar-te ou ver-te, apesar da cor e da sombra no meu espírito. Nascem os dias grávidos de luz e vapor das manhãs que não cansas de inventar, mas mais palavra que és não serás jamais senão a palavra que não quis ou soube. Que é como quem diz um poema que não tem título nem voz para me existir, e cantar-me. E por tudo isso, e algo mais que fica sempre por dizer ou lembrar, mereces muito mais do que feliz aniversário. É por exisitires que existo, enfim.

De mim para aqui, dentro de ti.

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