15 de janeiro de 2011

paternidade II


Dei conta de os dias terem crescido minutos uma vez que janeiro

- salto do cordeiro!

mas não foi apenas pela temperatura amena e pelo facto de as nuvens terem dado tréguas nestes últimos dias, ainda o ano a dar os seus primeiros passos, para que nestas longas horas tenha tomado o gosto à primavera por vir: foi mais um ramo que de mim brotou, antecipando-se aos botões por desabrochar nas árvores esquecidas pelas neves do inverno. Veio do quente e fecundo útero da mãe para os braços do pai que o ampara no esplendor do mundo, desse que ainda é, do qual ainda se garantem esperanças.

A felicidade tem momentos pequeninos, dos que acontecem todos os dias e a toda a hora, sem que tenhamos tempo para neles reparar. Este meu momento ao qual nunca teria sido alheio, tem o meu rosto regredindo quarenta anos, trazendo-me a segurança de uma imortalidade para além do corpo. A felicidade pode ser a alvorada anunciada num vagido ainda que acontecendo aos primeiros minutos de uma tarde bem luminosa

(que bom: agraciado pelo sol).

A felicidade leva o meu nome no mundo, por quantas gerações lhe seja concedido. São momentos breves, mas tão intensos, ternos e calorosos que a memória jamais poderá renegar. Os dias cresceram, bem os senti, com um ar fresco de alento, de reanimação do mundo, do meu mundo

(sorriu para mim: que bom, fui agraciado pelo sol).

Os dias vão crescendo e eu irei assim embalado, renascido, e a crescer devagar com eles.



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