11 de abril de 2010

dois poemas estranhos




estão dois poemas estranhos
(no mínimo estranhos)
a observar o que sucede

onde são largados os pombos
levemente atordoados pela claridade
para o tiro ao alvo

ressoa o estrondo da pólvora
e sibila o vento
na velocidade do projéctil

as manchas de sangue catapultam-se no ar
tingindo a azul paz celeste
num revoar de plumas carmesim

e o grito dolente e mudo
arrancado da mais delicada laringe
que outrora rolava

cai em flecha numa certeza de terra
que por ser ainda sagrada
lhe torna a morte mais nobre

e faz do atirador um deus


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