26 de abril de 2010

circunstância




Deixou de ter importância o que escrevo, por quê e se escrevo. Adianta-se a tarde nos meus sentidos, escurecendo de nuvens as emoções e o pulso. O crepúsculo banha a redundância da tarde e eu quedo-me sem perspectiva com um livro mal amparado sobre o meu colo. O olhar segue preguiçoso a braços com o cansaço.

Não leio: deixo para quando a noite cair e a penumbra resgatando-me para a companhia da solidão. Como sempre foi.

Escrevo sem pressa e por circunstância. Fiquei sem vontade de continuar. Se for o caso

(ou o ocaso permanente e irreversível)

a voz termina sem acenar quaisquer despedidas.

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