13 de janeiro de 2010

chama-me pelo nome




O ano caiu sob as suas raízes apodrecidas. Delicadamente o humor da terra prepara a vida para depois da estação velha, fendida a frio e a plumas de neve como só os céus podem oferecer.

Os calendários reiniciaram os ciclos após o solstício de inverno em que a penumbra desceu o seu peso sobre os olhares, os sorrisos e os gestos. Caminham agora os dias vagarosamente para jornadas mais abertas, compridas nos mostradores dos relógios do ano nascituro, em promessas de maiores alegrias.

E, entretanto, o mundo. Fendido pelos humores da humanidade, pela redundância da fraqueza social. O mundo que se recicla numa indiferença de tudo e tão ambígua: renascem as fontes, multiplicam-se sem se esgotarem os insaciáveis.

Todos jogam sem regras a cabeça dos outros. Jogam e perdem. Perdem e tornam a jogar, perdem novamente e oprimem.

Nunca se vencidos. Sempre por vencedores. Os que ditam a história.

Quando for a morte despenhando essa avalanche de grosseria, e as fontes recuperarem o sentido dos ciclos que se renovam, aí estende a mão na frente do teu mais virgem sorriso. Ergue a voz para inundar o mundo. Solta os cabelos para arejar o tempo.

Quando for então a vez de se abrirem os olhos, chama-me. Quando forem os vencidos. Quando os espelhos restituídos.

Quando se reescrever a história, chama-me pelo nome.

Enviar um comentário