22 de agosto de 2009

para lá das tuas mãos


folhas suspensas, por Isis em Olhares.com


à Sónia

Está para lá das tuas mãos e tem o perfume seráfico dos céus míticos. Abres os olhos e o sonho desce das harpas em plumas de Santiago que apanhas imprudente como bolas de sabão. Dizes que te recordam a infância, onde te sentes mais perto de ser feliz. E tudo acontece por um acaso, sem objectivos porque rejeitas as responsabilidades, amando acima de tudo a liberdade – a tua liberdade.

Fazes o teu caminho iluminando-o com a esfera solar que os putos desenham, pintado com a cicatriz de um sorriso e olhos pestanudos em vez das terríveis e infernais ondas de calor que os cientistas tanto falam e ilustram mas que tu ignoras: que sabem lá eles do sol?

Nunca avistaste alienígenas de má fé, esses que insistem em colocar sondas no cu das pessoas, o que vês são anjos. Anjos sem essa cor de hospital tresandando a desinfectante, e nunca alados: os teus anjos têm cabelos coloridos, talvez um ou outro com nariz de palhaço a fazer malabarismos num monociclo, e andam descalços sobre as folhas, a erva e as flores. Não vestem túnicas mas estampados floridos, com a primavera a fazer de mascote, farejando-lhes os pés.

Bebes e não te embriagas. Não do vil álcool que inspira a violência, a malcriadice, a insolência e a vaidade nos homens. Surges ébria de uma imensa alegria de te saberes eternamente menina, que o mundo nunca precisou afinal de relógios e ruas atropeladas de veículos, prédios a debitar lucros fáceis, murmúrios de gentes que sonham um dia vingar-se da vida que levam.

E ébria daquilo que estas pessoas jamais saberão ler-te nos olhos, continuas navegando sem barca nem vela nem remos, sempre na mesma posição estática com que te vêm nunca imaginando as milhas que percorreste e ainda irás percorrer. Continuas assim agarrada com os braços a ti e a teimar que é um jardim que se plantou na tua frente e não esta insone parede branca do hospital.

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