4 de julho de 2009

variante da síndrome de Bartleby



Resistir à facilidade: é este o trabalho árduo que labuto dia após dia nas faldas da vontade e da vaidade. Não sucumbir à ludibriante tentação, com a mesma euforia religiosa de um crente.

Sopram-me aos ouvidos falinhas e falácias. Estudo-lhes o olhar, redesenho-lhes a ambição: sou espécimen com garantias de produzir. Produzir o lucro fácil, para mentes fáceis.

Monto o cenário possível: eu agradecendo de esferográfica sobre uma mesa de sorriso bonacheirão, diante de uma plateia de amigos e familiares e conhecidos

(grande parte tidos sem paradeiro e de repente ressuscitando),

a transpirar de orgulho bacoco. Agradado com a ninharia. Eu em todos os olhos em todas as mãos, mas a um fio fragilíssimo do esquecimento precoce. Mãos estendidas e sobre o ombro com a tal amizade, sacudindo o veneno de algumas invejas compreensíveis

- Como conseguiu? Qual foi a cunha?

e eu nada, indiferente, ostentando ainda o sorriso que deambula de bonacheirão para inocente. Talvez ingénuo, porventura ignorante.

Não é certamente o meu caminho, se trilho algum me abrirá o acaso e as circunstâncias do mundo para tamanha façanha que transformaria (ou não) toda uma vida futura.

Receio, seja o futuro incerto maligno ou benigno, de perder a minha liberdade individual. Bartleby até que a morte me separe?
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