11 de maio de 2009

pintura




ilustra-me esta noite com as linhas das tuas mãos
delicadamente tatuando sombras sobre o meu corpo
e apagando todas as fronteiras do amor e do prazer
sou eu que finjo o abrir de uma flor
e por cada pétala caída
a madrugada alarga-se no nosso toque acetinado
és tu a bátega apaziguadora que virá a despertar como um orvalho fresco
a aurora que se demorará na cor
selvagens os teus dedos adocicados
pelo mel do pólen
introduzem-se no teu corpo

para que a cópula seja sempre e mais uma tela
pintada pelas mãos e com as tintas
das nossas bocas
adormecidas na manhã do nosso leito.
Enviar um comentário