6 de março de 2009

tardes infinitas


sonhos felizes, por Sandra Marques em 1000 imagens


Concede-me o sono das tardes infinitas com o véu da morrinha a cobrir-me as pálpebras de sonhos velados, onde me julgo soberano ou perseguido, generoso ou tirano, guerreiro ou poeta. Deixa o quarto mover-se com as sombras que vão resgatando e devolvendo as latitudes e os pontos cardeais.

O gato ronrona amoroso em preguiça, silhueta que forma o meu reflexo sob os cobertores enovelado. Hoje fiz-me para deitar as tardes a dormir: não quero livros, não quero a música, apenas o murmúrio do mundo paredes fora em dissonância com a chuva pequenina a molhar outros tolos que não eu. O mundo lá fora burburinhando humedecido na labuta e na indiferença, cego de verde pela inveja de mim, cá dentro dos quarenta fios.

Quando então acordar,

(o gato alongando a silhueta)

vou metido no pijama a assistir ao nascer do novo dia. Uma alvorada de tal modo resplandecente de cores e sol como jamais houve vista.
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