14 de março de 2009

embrionária primavera


dois corpos uma só alma II, por Filipe Pereira em Olhares


O sol. Veio para retemperar os corpos. Frágeis, os pequenos rebentos despontam nos dedos ainda trémulos das árvores. O dia finda num esplendor de luz, riscando de fogo toda a linha do horizonte. A lua ergue-se vagarosa por entre o crepúsculo, profetizando a madrugada.

Tu. Regressas para me animar o corpo. Frágil, a tua mão tacteia com timidez e nervosa a textura da minha pele. O amor apela-nos, consome-se com maior fúria. Os teus cabelos repousam o feno sobre a seda do lençol, a respiração apazigua o frémito dos músculos.

Eu. Sucedendo-me em êxtase. Frágil o meu peito ainda, sofrido das sombras pardas perseguindo silêncios antigos. O cigarro atira anéis no vazio. Vou resgatar carícias ao teu colo. Nas minhas mãos como nardo o hálito do teu corpo permanece.

Está quente. E não é a primavera ainda.

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