11 de março de 2009

asas II


Esta luz que te ilumina, por Carlos Manuel Pereira em 1000 imagens


Então? Que te poderei responder?... Apenas nos lençóis guardamos o amor, e esta penumbra que avança tornando informe a sombra da minha mão e da pena que escreve, enquanto março desperta da tua boca frágil.

Então? Não sei. Talvez espere pela madrugada plena, observando seduzido o despertar dessa tua inocência de sono, e a tua boca tão frágil. Espreito o ocaso como se a janela fosse uma fotografia que me ofereceste: quedo-me a olhar o crepúsculo estilhaçando entre algumas nuvens pouco afeitas a estes enlevos pré-primaveris.

Levanta-se ligeiramente um braço teu e é uma asa aberta no sul do meu corpo planando suave como papel e pluma com que são feitos os poemas aves que desafiam a chuva. Construo um ninho com os teus cabelos de feno para me sentires recolher antes que a tarde finde debaixo do olho da lua.

Então? Que posso dizer mais?... Apenas os lençóis que ainda não reconhecem esta estação do ano que me brinda o teu sono repousado, com a seara jovem dos teus cabelos.
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