12 de fevereiro de 2009

aresta


Maria Bratu, por Tiago Martins em 1000 imagens


Incomoda-me que me olhes cercada de medo. Como se eu fosse algum fero animal que te ameaçasse morder apenas porque deverias dizer tudo o que sentes. Eis pois que és tu que pareces o bicho: enfiada, nervosa, trocando as palavras em sucessivos ataques de dislexia. E sem nada dizer, como se todo o tempo em que aí estiveste fosse um equívoco.

Quando então me decido a tocar-te

(levantou-se toda a penugem das partes visíveis do teu corpo)

e a avançar com um roçar dos meus lábios nos teus, deu-te um ar como se morresses, transformada na aresta da mesa onde o meu corpo inclinado desatina, e cai.

- Talvez tudo isto fosse muito lamechas para ti, confessa...


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