15 de janeiro de 2009

betão


(daqui)


Quando está assim o dia em que tudo chove - mesmo as gruas no seu movimento preguiçoso que choram dos seus braços abertos no ar, ou como os automóveis que borrifam as bermas com a sua agonia de chegar rápido a todo o lugar, ou ainda as bandeiras das roupas esquecidas desesperadamente nas cordas sacudidas da sua condição de aves ao vento, e mais ainda essas árvores que se esforçam por explodir de verde e dar outra coloração às praças com as gotas de água despregadas dos seus ramos como se sacodem os cães e os gatos -, quando está assim o dia em que tudo chove, dizia, reparo como cinzenta é a cidade que cresce para cá das nossas expectativas.

O bruto feio cinzento do betão. Chove dentro todos os dias na cidade, agora tenho a certeza.
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