18 de julho de 2008

trazes sorrisos


(daqui)



Trazes sorrisos contigo, a abraçar ternuras da noite. O copo nos lábios afasta-te do olhar as sombras cravadas dos objectos, ignorando por dentro a nudez das paredes, os recantos escuros que a luz não alcança e onde o pó ressona de estuque junto à cadeira onde me sento.

Vens para me chamar à sinfonia dos grilos na colina que sobe adiante, o riacho absorvido num espectro de luar e águas a encostar-se ao meu sono.

- Ouve!, gritas-me espetando o dedo no ar, como se viesses professar a divindade da noite: a música rompeu, já se dança, o fogo no ar exibindo piscadelas atrevidas; é tempo de sacudirmos os corpos, fazer levantar a poeira.

Então ergo-me da cadeira, fingindo indisposição, sem dar braços a torcer, meio sorriso, meio enfado, guiado ao colo dos teus braços. Trazes sorrisos contigo, abraças-me com a ternura da noite. E com noites de verão como estas, que farei lamuriento quando tudo me parece renascer?
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