13 de julho de 2008

fêmea aflita





O mar ruge como fêmea aflita. Toma-me nu o corpo com uma timidez fria, tocado a medo e receios de virgem. Eu vou entrando devagar, tacteando-lhe a espuma com a polpa dos dedos, numa carícia prolongada e terna, afagando cada ondulação até sentir a humidade quente no retorno de uma suave onda de carinho.

Estende-se na praia sob o sol do desejo, torna a vir, puxa-me. Avança sobre mim rugindo mansamente e sou eu dentro, inteiramente túrgido de prazer. Repele-me. Cobre-me novamente, investindo saliva. O sal e o hálito das algas chegado ao meu olfacto. Abre-se. Investe novamente, recobrando-me a língua e os lábios como se eu peixes e caravelas, e piratas e ilhas perdidas. Abraça-me num constante vai-e-vem pela baía.

O mar esvai-se, quando saio fatigado. Torcido como se fêmea fremindo de prazer. Aflita.
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