2 de junho de 2008

todas as feridas


Warriors of the Wasteland, por Paulo Franco em 1000 imagens


E todas as feridas porque todas as palavras que não disseste mas escondeste durante tanto tempo que penso tê-las esquecido numa qualquer traiçoeira teia da memória, impregnada de medos que me fazem – talvez – chorar; e por isso, quero lá saber, não vou espremer o coração para que coalhes o sangue que já não te pertence, nem sequer vou deixar enregelar ao frio as mãos que mantenho quentes no meu regaço para te estender o fantasma de uma consolação, de um ombro que não te saberá receber.

Morres, morres, morres, dentro de mim e para ti morres, para tudo o que fez o mundo à tua volta, e serás então o vapor que se ergue do chão quente depois de uma chuvada de verão e que ninguém percebe, quem percebe esta coisa da sublimação, condensação e precipitação?, é tudo palavras e acometimentos climatéricos que não interessam nem como recursos estilísticos da escrita que

enfim, que

que destruíste, admito, que destruíste, e agora que queres? Sabes muito bem que o tempo cura tudo, secará as feridas, afastará daqui a meses o frio, e tu, parte esquecida de consecutivas sublimações, condensações e precipitações, serás um resquício da água que poderei observar, de vez em quando, ainda que leve dias, semanas, meses, talvez anos a recuperar toda a escrita que

enfim, que

que roubaste, admito, que roubaste, e agora para que te servem as palavras roubadas?


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