22 de agosto de 2007

solidão morta

No princípio ainda vinhas beber do meu olhar vazio a sede das noites com que os teus sonhos te inquietavam. Depois a tua imagem deixou de ser material, fantasma colhido do espelho adormecido na sombra. Acabaste como uma memória vaga, solta pelas palavras que partiram da tua boca violeta tingida de indiferença quando disseste que não podia mais ser.

Ainda hoje equaciono: não podia ser mais o quê, quando nem quê nem mais para prosseguir?

Poderá este meu olhar vazio amar-te na dor concebida para lá das margens do meu leito tolhido de doença? Fugiste de mim e deixaste um deserto frio. Morro aqui, como navio encalhado entre rochas e sei, não virás ver-me como o fenómeno que partiu.

Morro imunodeficiente. A única ideia que quero com que fiques é que o frio é uma solidão morta.
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