30 de agosto de 2007

serafim

Quando vier o mundo, estarei ébrio de ternura. Delicadamente obsceno, sujo e medonho como vão morrendo os inocentes na guerra.

Quase santificado, para quem se reverterão as preces e as crenças. Serei os nomes, serei o céu e a terra uniformes, água e ar e fogo, serei o signo. Adulado por babas incomensuráveis, salivas deslizando como mel, como ouro.

Trarei estridente a mais pura das vontades de viver. Contraindo poder e agindo como contra poder. Bandeira de império, rei incontestado, patriarca, o enviado. Pouco menos que Messias regressado e porém na sua vez. Ao meu sono suspirando guardiães seráficos, áureas e santos, tontearias de circunstância.

Estarei e serei sempre o futuro: quando o mundo vier, soarei profano e profeta.
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