7 de março de 2007

saber-te

Preocupa-me saber-te. O que tens na mão. Os séculos devolvidos no teu olhar. Todas as certezas enquanto me quedo céptico. Se foste concebido ou se és o verbo. Preocupa-me o fardo, o peso sobre os ombros, as quedas. O quanto a carne é fraca.

Se os cães latem na tua presença e se inquietam os cavalos. Quando rugem os trovões ou se anuncia a bonança. Preocupa-me o teu corpo no meu.

Quero tocar-te para lá da mansidão do que quiseste

(do que queres)

como deve ser feito o mundo, como e porquê se abraçam os corpos, o humor quente do vinho, a quietude dos rebanhos.

Preocupas-me. Sendo um nada que se sente, sendo um todo que não se vê. Por mim, por ti, por eles. Preocupa-me saber do amor. Ter-te. Preocupa-me ter-te. Em mãos inventadas ou em corpos estrangeiros, nas feridas, nas guerras, nas flores, nas conquistas, na saliva. Dizer-te. Viver em ti.

Preocupa-me saber-te: onde investes, e com que força, a tua enxada.
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