6 de setembro de 2005

peste

A questão não era ter que levantar-se. Era, isso sim, levantar-se para o mundo, de olhos cegos pela fadiga e lábios ressequidos pela febre.

Para quê então ter que despedir-se do leito que lhe embalava a raiva do sangue?

Mas tanto insistiram que se levantou. Levantou-se e caiu, porque o mundo segregava prurido pelas entranhas e fedia como animal morto sob o sol.

Parece-lhe que, afinal, o inferno sempre morou aqui ao lado...
Enviar um comentário