27 de junho de 2008

a meus pés




Brisas que ardem a meus pés enquanto o sal da água se espraia preguiçosa a sul de mim, e o regaço suave da areia acolhe-me o sono inquieto e vago. Se abro os olhos é imenso o azul que me cobre, longitude de voos perdidos e ilusórios, transportando o leve equilíbrio e etéreo de uma incerta liberdade do corpo. E então sou gaivota de luz planando sobranceira às minhas pálpebras.

O marulho entoa encantos de profundezas, garras e ventas feras resfolgando. Respiro o ar e os ouvidos vão dissolvendo os risos, vozes a vários coros sob os girassóis dos chapéus-de-sol e toalhas estendidas como bandeiras sem país.

Quedo-me como um embriagado alegre. Soletro espaçadamente os sonhos, amolecido e torpe, entregue ao esquecimento quase perpétuo do mundo. Em asas que giram, em asas que voltam.

O mundo que arde a meus pés.

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