8 de junho de 2006

insurge: és

Não sei quantos anos ainda ou se as varandas se cobrirão de pó e humidade e insectos com as horas esbatendo-se sobre a claridade dos dias e a sombra das noites, enquanto as flores deixam de suspirar sobre as bocas indiferentes. Sei de um ranger de dentes e um punho fechado. E tudo quanto te aflige enquanto a fome for ainda e só um homem de cócoras e de braços cruzados sobre a vida que já não o espera. Ressequidas vão as flores ignorando o pretérito perfeito do esquecimento. Não uses advérbios de modo, que não te inquiete a rotação e os ciclos, abrir e fechar, nascer e morrer. Virá o dia em que os segredos de deus germinarão sob o suor do teu corpo e saberás agraciar a criação do mundo como se raízes trazidas nas polpas dos teus dedos.

Insurge: és.
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