8 de outubro de 2005

fungos

Na parede nascem os fungos com a súbita progressão da música abalando a sapiente leveza do cotão varrido no soalho e o farelo da cal que desce do tecto. Veio uma nesga de sol acender o brilho das unhas que repousam a manhã abreviada. Ergues-te num pulo de ave marítima, e tocas-me com o bico da tua boca desfeita na cinza do primeiro cigarro.

Na parede crescem os fungos e já te custa respirar o sal que a brisa pulveriza sobre o corpo encontrado na janela.
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