21 de janeiro de 2006

descendência

Nasceu-lhe um filho nas mãos para carpir o suor dos séculos. Diz que é filho do futuro e não traz boca para chamar os nomes. Nem um vagido. Nada. Apenas o rosto firmando com o olhar a categoria humana dos oprimidos. Nasceu-lhe um filho cego de palavras, porém com aptidão para as cores das bandeiras como farrapos ao vento. E sensibilidade para os prantos das viúvas de cada país. Nasceu-lhe um filho das mãos para sentir a impureza dos seus poros. Para saber o quanto envelheceu.

A liberdade não se deitou com um homem. Fez-lhe o filho um mundo inteiro que, de decrépito, já não se erguerá do abismo para ensinar a sua descendência.
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